BYD usa frota própria de navios para driblar crise global do frete
Com oito cargueiros exclusivos e capacidade para transportar até 9,2 mil veículos por viagem, montadora chinesa ganha vantagem logística em meio a conflitos no Oriente Médio.
Stella Li, vice-presidente sênior da BYD. (Foto: Divulgação)
A chinesa BYD vem usando uma estratégia pouco comum na indústria automotiva para reduzir custos logísticos e garantir entregas em meio à crise global do transporte marítimo: operar uma frota própria de navios cargueiros.
Segundo a Bloomberg, a montadora já conta com oito embarcações exclusivas para transportar seus veículos, com capacidade anual estimada em cerca de 300 mil carros destinados a mercados como América Latina, Europa, África e Oriente Médio.
A estrutura ganhou relevância em um cenário marcado pela escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos, que provocou aumento das tarifas marítimas e pressão sobre rotas comerciais estratégicas. A empresa afirma que seus navios conseguem operar mesmo em corredores considerados sensíveis, como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz.
Um dos episódios citados ocorreu no fim de 2025, quando o cargueiro BYD Shenzhen deixou a China carregando 1.768 veículos elétricos rumo ao México. O objetivo era desembarcar a carga antes da entrada em vigor de novas tarifas sobre produtos chineses no país. O navio chegou ao porto de Lázaro Cárdenas em dezembro, permitindo à companhia economizar milhões de dólares em taxas.
O BYD Shenzhen está entre os maiores navios da frota da empresa. A embarcação tem quase 220 metros de comprimento, 16 andares e capacidade para transportar até 9.200 veículos por viagem.
A estratégia logística faz parte de um movimento mais amplo da companhia para ampliar o controle sobre sua cadeia de suprimentos. A BYD também produz internamente baterias, chips automotivos e mantém operações ligadas à mineração de lítio. Segundo análise do UBS citada pela reportagem, cerca de 75% dos componentes de um de seus modelos mais populares são fabricados pela própria empresa.
A companhia entrou no setor marítimo após os gargalos logísticos registrados durante a pandemia de covid-19. Na época, o custo diário de fretamento de navios transportadores de veículos saltou de US$ 10 mil em 2020 para US$ 110 mil em 2023, segundo dados da Clarksons Research mencionados na reportagem.
“Ainda não temos navios suficientes”, afirmou Stella Li, vice-presidente sênior da BYD, em entrevista à Bloomberg News. “Ter nossos próprios navios nos ajudou muito.”
Hoje, a operação marítima própria também ajuda a sustentar a expansão internacional da montadora. Brasil e Hungria estão entre os mercados considerados estratégicos pela companhia, que pretende elevar a participação das vendas internacionais para 50% do total global.