Bancos e fintechs brasileiros avançam em Wall Street
De listagens históricas a licenças bancárias nos EUA: como Nubank, PicPay e BTG Pactual transformaram Nova York em uma extensão estratégica de seus negócios.
Cristina Junqueira, cofundadora do grupo Nu. (Foto: Divulgação)
Houve um tempo em que ter ações negociadas em Nova York era, para as empresas brasileiras, apenas um selo de prestígio ou uma busca por liquidez. Hoje, o cenário mudou. Gigantes como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco já são veteranas na vitrine da NYSE, mas uma nova safra de instituições está indo além: elas estão fincando bandeira em solo americano para operar, competir e ditar tendências.
O movimento sinaliza a maturidade do capitalismo brasileiro, que agora combina a solidez dos recursos naturais com a agilidade de um sistema financeiro digital que é referência global.
Nubank: a licença para crescer
O Nubank, que já conta com 127 milhões de clientes, deu em 2026 o passo mais ambicioso de sua trajetória internacional. A aprovação condicional para formar um banco nacional nos Estados Unidos (pelo OCC) permite que a companhia deixe de ser "apenas" uma empresa listada para se tornar uma instituição bancária federal em território americano.
Para David Vélez, fundador e CEO do Nu, o movimento valida a tese de que o modelo brasileiro de eficiência pode ser exportado. “Esta aprovação é uma oportunidade de provar que um modelo digital-first, centrado no cliente, é o futuro dos serviços financeiros globais”, afirma. A seriedade da aposta é personificada por Cristina Junqueira, cofundadora do grupo, que se mudou para os EUA para liderar a nova unidade. “Estamos ansiosos para oferecer as mesmas experiências transparentes que conquistaram confiança pelo mundo”, pontua a executiva.
PicPay: o fim do jejum na Nasdaq
Eduardo Chedid, CEO do PicPay. (Foto: Divulgação)
Se o Nubank busca a licença, o PicPay buscou o mercado. No final de janeiro, a fintech encerrou um hiato de quatro anos sem IPOs brasileiros em Nova York ao estrear na Nasdaq. A operação, que captou US$ 434,3 milhões, mostrou que o apetite dos investidores internacionais por histórias de tecnologia brasileira permanece vivo — desde que acompanhado de lucro.
Com 66 milhões de clientes e receita de R$ 7,3 bilhões, o PicPay desembarcou nos EUA não como uma promessa, mas como uma operação madura. “A listagem não é a linha de chegada, é o começo de um novo capítulo”, diz Eduardo Chedid, CEO do PicPay. A estratégia de internacionalização da marca já chega à palma da mão do usuário, com contas multimoeda e cartões globais integrados ao aplicativo.
BTG Pactual: a força institucional
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. (Foto: Divulgação)
Enquanto as fintechs aceleram no digital, o BTG Pactual consolida sua presença por meio da musculatura institucional. Ao concluir a aquisição do M.Y. Safra Bank, o BTG passou a operar com uma licença bancária plena nos Estados Unidos, transformando uma presença de 15 anos em uma operação de depósitos e empréstimos sob a marca BTG Pactual Bank, N.A.
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, define o movimento como determinante para a expansão. “Reforçamos nossa capacidade de entregar soluções integradas para clientes na América Latina, Europa e EUA”, explica. Com uma equipe de mais de 280 profissionais em solo americano, o banco eleva o patamar da presença brasileira: da corretagem para a atividade bancária de ponta a ponta.
Ao final, o que se vê em Wall Street é um Brasil que parou de apenas observar o mercado global de capitais para se tornar um de seus protagonistas mais ativos.