Gerdau: o equilíbrio entre a tradição e o fôlego global
Aos 125 anos, a siderúrgica brasileira encontra nos Estados Unidos o contrapeso para os desafios domésticos e acelera a transição energética com foco em eficiência.
Gustavo Werneck, CEO da Gerdau. (Foto: Divulgação)
Raramente a longevidade no mundo corporativo é fruto do acaso. No caso da Gerdau, que completa 125 anos de história, a resiliência vem de uma estratégia de pesos e contrapesos. Enquanto o mercado global de aço enfrenta volatilidade, a companhia utiliza sua presença na América do Norte como um amortecedor de crises e principal motor de rentabilidade.
Os números recentes confirmam a tese: com receita líquida de R$ 69,9 bilhões, a empresa manteve uma geração operacional sólida. Para o CEO Gustavo Werneck, o resultado é reflexo direto da agilidade do modelo de negócio.
“Ao longo de 2025, a Gerdau se beneficiou de sua diversificação geográfica e flexibilidade produtiva. Destaco a resiliência do mercado norte-americano, com um bom nível de consumo de aço, o que nos permitiu obter resultados sólidos mesmo diante da sazonalidade típica de fim de ano”, explica o executivo.
O nó das importações e a reação brasileira
Se o cenário externo sopra a favor, o ambiente doméstico exige cautela. O Brasil enfrentou em 2025 uma entrada recorde de 6 milhões de toneladas de aço importado, o que pressionou as margens das usinas locais. Werneck é direto sobre esse impacto: “O mercado brasileiro seguiu afetado pela entrada de importações desleais, o que prejudica a rentabilidade das operações no mercado doméstico”.
A resposta da Gerdau, porém, não é de retração, mas de investimento em produtividade. A empresa tem concentrado esforços na modernização de seus ativos em solo brasileiro, como a nova plataforma de mineração sustentável em Minas Gerais. Segundo o CEO, o foco está em “projetos e iniciativas que alavanquem os níveis de competitividade”, preparando a estrutura para competir em qualquer cenário.
A estratégia que vem do Sol
Além da eficiência de custos, a Gerdau incluiu a sustentabilidade como pilar de lucro. Hoje, a companhia já opera com uma média de emissão de carbono que é metade da média global do setor, em grande parte porque 70% do seu aço nasce da reciclagem de sucata.
O passo mais recente nessa jornada foi a inauguração do Complexo Solar de Barro Alto, em Goiás. Com aporte de R$ 1,3 bilhão, o parque garante energia limpa e previsibilidade de custos. “A inauguração é mais um passo importante na busca por maior competitividade. O parque contribuirá com o nosso compromisso de reduzir ainda mais nossas emissões de gases de efeito estufa”, afirma Werneck.
Para uma empresa centenária, o maior desafio costuma ser manter a capacidade de se reinventar. Ao olhar para o futuro, o CEO divide o sucesso da trajetória com quem está na ponta da operação.
“Estar entre as cinco empresas mais transformadoras do país demonstra a consistência do trabalho que temos desenvolvido. Gostaria de dividir esse reconhecimento com nossos 30 mil colaboradores, que são protagonistas na construção de um futuro mais sustentável, inovador e centrado nas pessoas”, pontua Werneck.
Ao integrar escala global, disciplina financeira e uma transição energética acelerada, a Gerdau mostra que a maturidade, quando bem gerida, é o combustível ideal para a próxima etapa de crescimento.