Filie-se
Entrevista

McLaren vê mercado brasileiro mais maduro e amplia aposta em carros de alto desempenho

Marca britânica aposta na customização extrema, impulsionado pela demanda por superesportivos personalizados.

19 de maio de 2026 por Revista LIDE

20231305eurobike_dudabairros_goiânia-1536.jpgHenry Visconde, presidente da McLaren São Paulo. (Foto: Divulgação)

O mercado brasileiro de veículos de luxo vive uma nova fase de expansão impulsionada pela importação de modelos premium, pela eletrificação e pela busca crescente por exclusividade. Em 2025, o segmento de carros de luxo registrou mais de 54 mil unidades vendidas no país, avanço de 6,6% em relação ao ano anterior. Já o mercado de veículos importados teve crescimento ainda mais expressivo: alta de 29,3%, segundo dados da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores).

O movimento revela uma transformação no perfil do consumidor brasileiro de alta renda, que passou a valorizar não apenas potência e desempenho, mas também personalização, raridade e experiências exclusivas ligadas ao universo automotivo. Nesse cenário, marcas como a McLaren reforçam presença no Brasil apostando em veículos produzidos em baixa escala, acabamento artesanal e programas de relacionamento voltados para clientes apaixonados por performance.

“A McLaren tem um nome muito tradicional, já conhecido dos brasileiros que acompanham automobilismo e a Fórmula 1 em particular. Tínhamos a missão de mostrar que os carros de rua da McLaren estavam à altura da trajetória da marca nas pistas. Em poucos anos, ela criou clientes fiéis, apreciadores de carros com acabamento refinado, alto desempenho e tecnologia, que proporcionam muito prazer ao dirigir”, afirma Henry Visconde, presidente da McLaren São Paulo.


"O tempo passou tão rápido quanto um McLaren na pista", compara Visconde, lembrando que durante a inauguração da McLaren São Paulo em seu primeiro endereço contou as presenças do piloto Bruno Senna e do executivo Andreas Bareis, então presidente da McLaren Automotive para América Latina, Oriente Médio e África. Bruno Senna, embaixador da marca, também participou da inauguração da atual concessionária em 2025.
Potencial

Representada oficialmente no país pela UK Motors, a McLaren mantém em São Paulo uma estrutura dedicada ao atendimento premium, com showroom, boutique, pós-vendas e uma sala de configuração onde compradores podem personalizar praticamente todos os elementos do veículo, incluindo cores, materiais e acabamentos sob medida. “O consumidor de um superesportivo deseja exclusividade e a McLaren permite que todos os detalhes do carro sejam configurados”, avalia Visconde.

A procura por automóveis altamente personalizados acompanha uma tendência global do chamado “luxo sob demanda”, conceito que aproxima o setor automotivo de mercados como alta relojoaria, aviação executiva e hotelaria premium. O carro deixa de ser apenas um símbolo de status e passa a funcionar como peça de identidade pessoal e objeto de coleção.

Além da comercialização dos veículos, a McLaren também investe em experiências para clientes brasileiros por meio dos eventos Born On The Track, realizados em autódromos com acompanhamento de pilotos profissionais. A proposta é aproximar os proprietários da herança esportiva da fabricante britânica, uma das marcas mais tradicionais do automobilismo mundial.

Um símbolo

Fundada em 1964 por Bruce McLaren, a companhia construiu sua reputação nas pistas antes de migrar para os supercarros de rua. Hoje, a fabricante inglesa soma títulos na Fórmula 1, vitórias nas 24 Horas de Le Mans e nas 500 Milhas de Indianápolis, além de integrar o seleto grupo de marcas vencedoras da chamada “Tríplice Coroa” do automobilismo.

Para especialistas do setor, o crescimento do segmento premium deve continuar nos próximos anos, sustentado pelo aumento da demanda por SUVs sofisticados, superesportivos de alta performance e automóveis com tecnologias embarcadas cada vez mais avançadas. O fenômeno também reforça o Brasil como um mercado estratégico para fabricantes internacionais de luxo, especialmente em um momento em que exclusividade e personalização se tornaram ativos tão importantes quanto velocidade e potência. Leia entrevista completa:

A McLaren São Paulo completa oito anos em um momento de fortalecimento do mercado de luxo no Brasil. Como o senhor avalia a evolução da operação desde a inauguração da primeira concessionária em 2018?

Foi uma surpresa positiva, porque nossas expectativas foram superadas. Quando iniciamos a operação, estimávamos vender de 20 a 25 carros por ano, e houve períodos em que vendemos quase o dobro disso.

O mercado brasileiro de supercarros amadureceu nos últimos anos? O que mudou no perfil e no comportamento do consumidor de veículos de alto desempenho no País?

Os consumidores de carros esportivos e de luxo são, por natureza, muito exigentes. Eles acompanham as tendências e a renovação de produtos no exterior. E desejam ter acesso a isso o mais rápido possível aqui no Brasil. No caso específico da McLaren, acredito que a maior mudança tenha sido a receptividade a modelos com cores e acabamentos diferenciados. O consumidor de um superesportivo de luxo deseja exclusividade e a McLaren permite que todos os detalhes do carro sejam configurados, além de oferecer uma personalização completa (cores e materiais sob medida) se esse for o desejo do comprador.

Quais modelos hoje concentram maior demanda no mercado brasileiro e quais características mais atraem os clientes da McLaren no Brasil?

Atualmente, os modelos mais procurados são o Artura, híbrido com motores V6 e elétrico, e o 750S, com motor V8 biturbo de 750 cavalos, ambos disponíveis com carrocerias cupê e conversível. Eles são os preferidos de quem busca um carro potente e confortável para dirigir em vias públicas, mas que proporcione emoções e alto desempenho em circuitos fechados. O McLaren GTS tem uma proposta diferente, de ser um carro mais voltado para longas viagens, embora também tenha todos os atributos para uso em pista.

O segmento premium vive uma transformação global impulsionada por tecnologia, eletrificação e experiências exclusivas. Como a McLaren vem equilibrando tradição em performance com inovação automotiva?

A McLaren Automotive tem origem na equipe McLaren de Fórmula 1, e isso cria uma conexão direta com vários dos conceitos mencionados na pergunta. Para dar apenas um exemplo: todo e qualquer McLaren de rua tem chassi feito de fibra de carbono, o mesmo material usado nos carros de Fórmula 1. A McLaren foi a primeira equipe de F1 a fazer um chassi de fibra de carbono (o MP4/1, em 1981), e rapidamente todas as equipes adotaram esse material, que se tornou padrão na categoria. Depois do MP4/1, rigorosamente todos os McLaren de F1, de rua ou de outras categorias de competição que saíram da fábrica têm chassi de fibra de carbono. É um material leve, resistente e que contribui muito para a dirigibilidade dos carros. A McLaren é pioneira em desenvolver sistemas híbridos, inclusive na Fórmula 1. Hoje, o Artura, um esportivo híbrido, tem uma posição bem sólida no mercado.

Eventos como o Born On The Track reforçam a experiência da marca além da compra do automóvel. Qual a importância desse relacionamento mais próximo com os clientes dentro do mercado de luxo?

Eventos desse tipo são fundamentais. Eles adicionam a marca e os produtos à história do cliente. Esses eventos são abertos à família e aos amigos dos clientes, e vários deles comparecem com suas esposas, filhos e pais. Nesses encontros, programamos mais que uma experiência de pista: criamos todo um ambiente de bem-estar para a família. E, por consequência, uma conexão profunda com a marca, que muitas vezes passa de geração para geração.

A McLaren carrega uma herança fortemente ligada à Fórmula 1 e às pistas. Quanto essa tradição no automobilismo influencia a percepção da marca e a decisão de compra dos clientes brasileiros?

Influencia muito e é extremamente positiva. O histórico da McLaren em competição, especialmente na F1, fez com que ela chegasse ao Brasil já envolta não apenas em tradição, mas em uma mística criada pelas vitórias de pilotos brasileiros na equipe. Todos lembram de Ayrton Senna ganhando corridas e títulos pela McLaren. Antes disso, o primeiro título da McLaren na F1 foi obtido por Emerson Fittipaldi em 1974, e ele era um autêntico ídolo popular nessa época. Quando a McLaren São Paulo iniciou as operações, em 2018, muitas pessoas já conheciam a marca e tinham simpatia por ela. O que fizemos foi "apresentá-la" também como fabricante de carros esporte para uso em vias públicas.

Bruno Senna participou da inauguração da primeira operação da McLaren São Paulo e também da nova concessionária em 2025. Qual a importância da presença dele como embaixador da marca no Brasil e como essa conexão com o legado da família Senna fortalece a McLaren junto ao público brasileiro?

Além de ser um ótimo piloto, o Bruno é muito interessado em novas tecnologias e se mantém sempre atualizado com a evolução de todos os aspectos dos automóveis. Não por acaso, ele participa do desenvolvimento dos carros de rua da McLaren. Sempre que possível, ele comparece aos eventos da McLaren São Paulo e interage muito bem com os clientes. A conexão da McLaren com o sobrenome Senna tornou-se praticamente natural, porque o Ayrton conquistou seus três títulos na Fórmula 1 defendendo a equipe.

Quais são as perspectivas para a McLaren São Paulo e para o mercado brasileiro de superesportivos nos próximos anos? Existe expectativa de expansão da operação, aumento de demanda ou chegada de novos perfis de clientes?

Nossa estratégia é sempre a de contar com um crescimento no número de clientes e estarmos preparados para atendê-los. A McLaren terá lançamentos importantes nos próximos anos e isso trará novos compradores de carros da marca. Por isso, fizemos uma expansão de operações concluída no ano passado com a inauguração da atual concessionária, na rua Clodomiro Amazonas, 1000.