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Entrevista

'Nosso plano é dobrar de tamanho em três anos', diz Ralf Sebold, da Bold

O empresário diz que a Bold tem usado inteligência artificial para resolver suas maiores dores do negócio.

05 de dezembro de 2025 por AGÊNCIA EY

Ralf_seboldRalf Bold diz que a companhia tem usado IA para resolver suas maiores dores do negócio. (Foto: Divulgação)

O plano da Bold é chegar a 44 unidades nos próximos três anos, de acordo com seu cofundador e CEO, Ralf Sebold, que foi homenageado na categoria Emerging da 28ª edição do Programa EY Empreendedor do Ano (EOY). A empresa familiar, fundada há 24 anos em Jaraguá do Sul, cidade do interior de Santa Catarina, é líder de mercado na produção de chapas de acrílico, policarbonato e ACM (alumínio composto).

“Já começamos a adotar inteligência artificial, que será ainda mais relevante quando dobrarmos de tamanho. Essa tecnologia está ajudando a resolver nossas quatro maiores dores de negócio: precificação, planejamento de compra, distribuição de estoques e roteirização, que se trata da otimização do uso dos caminhões no transporte dos nossos produtos”, diz o executivo.

1) Como a Bold se posiciona no mercado e quais são as projeções de crescimento para os próximos anos?

A Bold é uma empresa familiar com 24 anos, que começou em Jaraguá do Sul, com quatro sócios fundadores. Temos agora 22 unidades, sendo 14 no Brasil, cinco na Colômbia, duas no Chile e um escritório na China. O plano para os próximos três anos é dobrar o número de unidades. Já em janeiro do próximo ano, vamos iniciar nossas operações no México e expandi-las para o Nordeste do Brasil, onde hoje atuamos apenas com rotas logísticas.

Somos líderes de mercado nos três principais produtos em que atuamos: acrílico, policarbonato e ACM (alumínio composto). Mas, ainda assim, vemos muito espaço para crescer. No acrílico, temos 22% do market share, ou seja, há muito mais para buscar. No policarbonato, temos 20% e, no ACM, 11%. Enxergamos o futuro com otimismo.

Para continuar crescendo, precisamos da expansão geográfica. O posicionamento em determinados mercados exige uma unidade local, estoque de pronta entrega, bem como um time próximo ao cliente. Isso é crucial para facilitar essa questão logística, que, no Brasil, é complexa e cara. Além disso, na indústria, mantemos investimentos constantes em P&D e inovação, sempre buscando agregar valor real ao cliente.

2) A logística é então o principal desafio?

Sim, ela é realmente desafiadora por dois motivos: o Brasil é um país com dimensões continentais e nosso produto vem do outro lado do planeta, da Ásia. A cadeia global de fornecimento se alterou muito no pós-pandemia, ficou mais complexa e mostrou a fragilidade de uma matriz global centralizada na China. Esse tem sido um fator de atenção da indústria de forma geral.

Além disso, quando o material chega ao Brasil, enfrentamos os seguintes desafios: baixa qualidade das nossas estradas e portos sobrecarregados. Consideramos, no entanto, que a logística pode ser também um diferencial competitivo, conforme prevê nosso planejamento estratégico. O cliente quer ser atendido cada vez mais rápido e ter a garantia de que o material adquirido chegará intacto. Temos exemplos fantásticos do que os marketplaces estão fazendo nesse sentido: eles conquistaram espaço enorme justamente superando essa grande dificuldade logística.

3) Outro tema complexo é a reforma tributária. Como a Bold está se planejando para a entrada em vigor do novo sistema a partir do próximo ano?

Temos um comitê voltado para isso. É lógico que a reforma vai simplificar a tributação, embora não tanto quanto gostaríamos. No nosso caso, como indústria, podemos ter uma pequena desoneração, mas há muita incerteza ainda de como será na prática. O comitê desenhou cenários: se for desta forma, vamos para tal cenário, por exemplo. Uma coisa é certa: o time fiscal trabalhará dobrado, pois precisará fazer duas apurações – de acordo com a atual, que será aos poucos substituída, e a nova, que começará a valer a partir do próximo ano.

4) A Bold já está utilizando IA para enfrentar os desafios de negócio?

Sim, estamos implementando quatro IAs estruturantes focadas nas maiores dores da companhia. Estamos adotando a inteligência artificial de precificação; o planejamento de compra por IA; a distribuição de estoques por IA, o que será ainda mais relevante quando dobrarmos de tamanho daqui a três anos; e também a roteirização com auxílio da IA. A roteirização otimiza o uso dos caminhões, define o melhor posto de combustível para abastecer e melhora o acompanhamento da entrega pelo cliente.

5) Como é Jaraguá do Sul, cidade onde nasceu a Bold, e seu ambiente de negócios?

Jaraguá do Sul é uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, com a projeção de dobrar de tamanho até 2050. Temos um índice de desemprego ao redor de 2%. É uma cidade que respira empreendedorismo. Temos grandes escolas, como a WEG [multinacional brasileira de equipamentos eletrônicos], que é jaraguaense e tem uma governança incrível, com quem fazemos benchmarking constante.

Além de ter títulos como o de cidade mais segura do país e um IDH altíssimo, o que mais chama a atenção são as parcerias público-privadas. Os executivos e comerciantes se envolvem ativamente na gestão da cidade. São pessoas que compõem conselhos de hospital, corpo de bombeiro voluntário, entre outros grupos voltados para a cidade. Não é só ajuda financeira, mas tempo que essas pessoas doam para a cidade, a fim de participar da gestão. Isso impulsiona, dá credibilidade e serve de exemplo.