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Ouro fecha em alta acima de 1% mesmo com payroll forte, com sinais de demanda contínua

11 de fevereiro de 2026 Matheus Andrade, especial para o Broadcast, Estadão Conteúdo

O ouro fechou em alta acima de 1% nesta quarta-feira, 11, mesmo após a leitura forte do principal relatório de empregos dos EUA, conhecido como payroll, afastar expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o que tende a pesar sobre o metal precioso. Analistas apontam que os preços seguem apoiados pela demanda, em especial na compra por BCs.

Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 1,34%, a US$ 5.098,5 por onça-troy. Já a prata para março avançou 4,40%, a US$ 93,920 por onça-troy.

O metal dourado manteve valorização apesar da alta nos rendimentos mais curtos dos Treasuries e da força do dólar pela manhã. A Avenue avalia que a leitura do payroll adia a perspectiva de cortes de juros pelo Fed, o que beneficiou ativos americanos em geral. Segundo a visão, ainda há possibilidade de uma flexibilização monetária em junho, mas aumentou a chance de que a redução aconteça somente no segundo semestre de 2026.

Entre as tensões geopolíticas, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país está pronto para se submeter a inspeções que demonstrem a natureza pacífica de seu programa nuclear e reafirmou que "não cederá a exigências excessivas" durante as negociações com os EUA.

Embora as compras dos BCs tenham continuado, a composição dos participantes desse grupo migrou cada vez mais para as nações do Leste Europeu, que dependem fortemente do acordo de segurança com os EUA, sugerindo menor desdolarização e mais diversificação das reservas, aponta o TD Securities.

"As narrativas que impulsionam a compra são convincentes, mas o fluxo de investidores com capital que participam dos mercados de ouro só pode persistir sob certas condições. Talvez, no fim das contas, tudo se resuma às compras dos Bcs, que podem não estar mais impulsionando a alta, e sim permitindo a acumulação de capital nos mercados de ouro", conclui.