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Varejo

Americanas vende lojas do Natural da Terra para dona do Oba e avança em desinvestimentos

Operação de R$ 69,3 milhões envolve dez unidades deficitárias em São Paulo e reforça estratégia da varejista de reorganizar o portfólio enquanto se prepara para sair da recuperação judicial.

14 de maio de 2026 por LIDE

Fernando Soares
Fernando Soares, CEO da Americanas. (Foto: Divulgação)

A Americanas acertou a venda de dez lojas deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra (HNT), localizadas no estado de São Paulo, ao Grupo Fartura de Hortifrut, controlador da bandeira Oba Hortifruti, por R$ 69,3 milhões. Segundo a Bloomberg, a transação ainda depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para ser concluída.

O valor representa cerca de 3,3% dos R$ 2,1 bilhões desembolsados pela Americanas em 2021 na aquisição integral da rede, então com 73 lojas no Sudeste. O ativo passou a ser considerado estratégico para desinvestimento após a revelação das inconsistências contábeis de R$ 25,3 bilhões, em janeiro de 2023, episódio que levou a companhia ao processo de recuperação judicial.

De acordo com comunicado ao mercado, o Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista no fechamento da operação, enquanto o saldo restante será quitado em 24 parcelas mensais corrigidas pelo CDI. A transferência dos ativos ocorrerá gradualmente, conforme o cumprimento das condições previstas em contrato.

A venda integral do HNT vinha sendo avaliada em paralelo pela companhia, em um processo que contou com interessados como Cencosud, Zona Sul, Advent, Plurix e o próprio Oba. Em abril, o CEO da Americanas, Fernando Soares, afirmou à Bloomberg Línea que a empresa não tinha pressa para concluir a negociação. “Não temos preço absoluto para vender. Temos tempo. Se vier uma proposta boa, vamos considerar, mas se vier abaixo do esperado, vamos preferir continuar a conversa”, disse o executivo.

O movimento sinaliza que a reestruturação do portfólio pode avançar de forma fatiada, e não necessariamente por meio de uma venda integral do ativo. A companhia informou que segue avaliando “oportunidades estratégicas” para o restante da operação do Natural da Terra.

A transação foi anunciada no mesmo dia em que a Americanas divulgou prejuízo líquido de R$ 329 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 34% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu o desempenho à melhora operacional, ao corte de despesas administrativas e à redução da exposição a ativos considerados não estratégicos.