Acordo UE–Mercosul avança com foco industrial e destravamento de investimentos
Debate na Hannover Messe destaca redução de tarifas, integração produtiva e papel da infraestrutura para viabilizar ganhos do pacto.
Flavia Spadafora, sócia de Industrial Markets da KPMG no Brasil. (Foto: Divulgação)
Autoridades e líderes empresariais da União Europeia (UE) e do Mercosul debateram, durante a Hannover Messe 2026, os avanços do acordo entre os blocos, apresentado como um pacto comercial preferencial baseado em regras e centrado em parcerias industriais. A proposta prevê redução de tarifas, simplificação regulatória e maior previsibilidade para empresas, com possibilidade de aplicação provisória e geração de ganhos imediatos.
Segundo a sócia de Industrial Markets da KPMG no Brasil, Flavia Spadafora, o ambiente tende a se tornar mais favorável a investimentos de longo prazo, sobretudo em setores intensivos em infraestrutura. “A combinação entre redução de tarifas, simplificação regulatória e previsibilidade cria um ambiente mais propício para investimentos de longo prazo”, afirma.
Para Denis Redonnet, vice-diretor-geral de Comércio e Segurança Econômica da Comissão Europeia, o acordo tem caráter “transformador”, tanto pelo tamanho do mercado quanto pelo nível de integração proposto. De acordo com ele, a eliminação de tarifas para a maior parte das exportações europeias, aliada à facilitação de investimentos e à simplificação regulatória, tende a impulsionar cadeias produtivas mais integradas.
A infraestrutura aparece como um dos eixos centrais para viabilizar os efeitos do acordo. “A ampliação do comércio e a integração das cadeias produtivas vão demandar investimentos relevantes em logística, energia e conectividade”, afirma Tatiana Gruenbaum, sócia líder de infraestrutura da KPMG.
Entre os principais pontos discutidos, o acordo busca diversificar cadeias de suprimentos, com ênfase em matérias-primas críticas e compromissos socioambientais. Há também prioridade para o desenvolvimento industrial com maior valor agregado, com o Brasil focado na industrialização local e a UE na criação compartilhada de valor.
A abertura de compras públicas no Mercosul amplia oportunidades para empresas europeias, enquanto pequenas e médias empresas e investidores tendem a se beneficiar de regras mais claras e menor número de barreiras. O acordo também prevê ganhos imediatos, condicionados à implementação ágil e à comunicação eficaz.
Setores como automotivo, energia, manufatura, biocombustíveis, tecnologias verdes, descarbonização e economia circular aparecem entre os mais beneficiados. Ainda assim, desafios como a complexidade tributária no Brasil e o nível elevado de juros permanecem no radar.
Entre os instrumentos de apoio estão mecanismos de financiamento à exportação e a plataforma Access2Markets, voltada a facilitar o acesso de empresas ao comércio internacional.