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Consumo e alimentos

Pinati amplia distribuição e reforça marca para escalar no mercado de snacks proteicos

Com mercado global em alta, empresa brasileira avança em distribuição e reforça posicionamento ligado a lifestyle e conveniência.

27 de abril de 2026 por Revista LIDE

IMG_3656_Waldemiro Pereira III, fundador e CEO da Pinati Snacks. (Foto: Divulgação)

O mercado global de suplementos proteicos vive um ciclo de expansão acelerada. Estimado em US$ 29,78 bilhões em 2025, deve atingir US$ 63,22 bilhões até 2033, com crescimento médio anual de 10,3%, segundo a Grand View Research. O avanço é impulsionado por uma combinação de fatores que incluem maior conscientização sobre saúde e fitness, inovação e personalização de produtos, além da força do e-commerce e do marketing digital.

É nesse ambiente que a Pinati se consolida como uma das marcas brasileiras mais relevantes no segmento de alimentos funcionais e snacks proteicos. Fundada em 2013, em Campo Largo (PR), a empresa nasceu com DNA de startup, distante da lógica tradicional da indústria alimentícia, e rapidamente ganhou tração ao apostar em conveniência, alto teor de proteína e formulações com baixo ou zero açúcar, além de opções sem glúten.

Mais do que oferecer produtos saudáveis, a Pinati construiu um posicionamento que dialoga diretamente com comportamento e estilo de vida. A marca associa seu portfólio a conceitos como disciplina, evolução pessoal e energia urbana, conectando-se sobretudo com millennials e a geração Z. Nesse contexto, o snack deixa de ser apenas uma escolha alimentar e passa a representar uma extensão da rotina e da mentalidade de performance do consumidor contemporâneo.

Tendência

O portfólio inclui barras proteicas, chocolates funcionais, snacks à base de nuts e doces indulgentes com perfil nutricional aprimorado. Entre os destaques estão barras com whey protein, versões recheadas e produtos pensados como alternativas a sobremesas tradicionais, mantendo a experiência de consumo aliada ao equilíbrio nutricional. A operação também reforça diferenciais industriais, como fábrica totalmente livre de glúten, rigorosos controles de qualidade e processos alinhados a padrões internacionais de segurança alimentar, aproximando a empresa do universo das food techs.

No Brasil, a Pinati se insere em um movimento mais amplo de crescimento dos chamados healthy snacks e da “snackificação” das refeições — tendência global que privilegia alimentos práticos, ricos em proteína e adaptados a rotinas cada vez mais dinâmicas. A marca atua no território premium, equilibrando indulgência e funcionalidade para um consumidor que busca conveniência sem abrir mão de bem-estar.

“A nossa estratégia é crescer com base sólida. Até aqui, construímos uma operação eficiente, com produto competitivo e presença bem selecionada. Isso nos deu consistência. Agora entramos em uma nova etapa, com foco em expansão de distribuição e construção de marca. O cuidado é garantir que o crescimento não dilua o posicionamento. A identidade já está bem definida. O desafio agora é escalar sem perder isso”, diz Waldemiro Pereira III, fundador e CEO da Pinati Snacks.

A Pinati nasceu com espírito de startup e rapidamente se posicionou além da categoria de “alimentação saudável”. Em que momento a marca entendeu que estava construindo um movimento de lifestyle, e não apenas um portfólio de produtos?

No início, o foco foi totalmente em produto e execução. Precisávamos validar qualidade, giro e aceitação no mercado. Com o tempo, percebemos que o consumidor não comprava só pelo produto, mas pela identificação com a marca — principalmente pela proposta de praticidade com melhor perfil nutricional. Esse foi o ponto de virada. Entendemos que existia espaço para evoluir de uma marca de produto para uma marca com significado. Agora estamos entrando nessa nova fase de construção mais intencional de branding.

No Brasil, o segmento de alimentos com proteína adicionada já movimenta bilhões e cresce de forma acelerada. O que diferencia a Pinati em um ambiente cada vez mais competitivo e com novos entrantes?

A PINATI se diferenciou pela execução e pela construção inteligente de portfólio ao longo da trajetória.

Com o tempo, estruturamos a marca para atuar em três territórios diferentes: Proteicos, Doces sem açúcar adicionado e Naturais (castanhas e sementes em barra). Isso nos permite atender o consumidor em mais momentos do dia e da semana — sem ficar restritos a uma única ocasião de consumo. Isso aumenta relevância no ponto de venda e impulsiona recorrência.

Além disso, construímos uma base sólida em produto, preço e distribuição, com uma estratégia inicialmente mais seletiva, garantindo giro e validação real antes da expansão.

Hoje temos um portfólio competitivo, com altíssimo giro no ponto de venda e presença consistente. Isso nos coloca em uma posição forte para o próximo passo: escalar distribuição e fortalecer a construção de marca.

A chamada “snackificação” das refeições redefine hábitos alimentares. Como a empresa enxerga essa mudança de comportamento e quais oportunidades ela abre para inovação de produtos?

A snackificação deixou de ser tendência e virou padrão de consumo. A rotina mudou. Hoje o consumo é mais fragmentado, com menos refeições formais e mais momentos de conveniência. A PINATI já estava posicionada nesse movimento, com produtos práticos, sem preparo e com proposta funcional. Agora, com a ampliação da distribuição, conseguimos capturar mais desses momentos.
Isso abre espaço para evolução de portfólio — com snacks que atendem um estilo de vida wellness, mas que também são acessíveis e podem ser consumidos por diferentes perfis no Brasil. Foco: praticidade, recorrência e aderência à rotina real.

A marca dialoga fortemente com consumidores que buscam performance, disciplina e equilíbrio. Como transformar atributos funcionais — como proteína e baixo açúcar — em uma narrativa aspiracional e emocional?

Esse movimento começa depois que o produto está validado. Até aqui, construímos base em atributos funcionais — proteína, conveniência, perfil nutricional — gerando giro e tração. Agora esses atributos viram fundamento, não mais o centro da comunicação. A narrativa passa a conectar com um estilo de vida wellness — possível, equilibrado e sustentável no dia a dia. O papel do produto é viabilizar isso: ser saudável, gostoso e acessível (preço e distribuição). Wellness, para nós, não é extremo. É consistência.

A empresa também se aproxima do universo das food techs, com processos industriais avançados e foco em qualidade. Quais são os próximos passos em inovação e expansão — seja em novos produtos, canais ou mercados?

A PINATI entra em uma nova fase de crescimento. Saímos de uma base sólida (produto + distribuição seletiva) para escala com foco em Expansão de distribuição; Evolução de portfólio; mais momentos de consumo (café da manhã, lanche, pós-refeição, etc.)

Do ponto de vista de inovação, é entender profundamente o comportamento de consumo — ocasiões, necessidades emergentes (ex: GLP-1) e formatos adequados para cada canal. Tudo para aumentar relevância, frequência e aderência real. E, junto disso, fortalecer a marca — conectando o produto a um estilo de vida wellness acessível. O objetivo não é só volume. É relevância.