Indústria brasileira ainda explora pouco serviços agregados na venda de produtos, aponta CNI
Levantamento mostra que 41% das empresas não oferecem serviços aos clientes e que exportadoras demandam mais soluções especializadas para agregar valor aos produtos.
CNI afirma que Indústria brasileira ainda explora pouco o serviço agregado. (Foto: Unsplash)
A indústria brasileira ainda está em um estágio intermediário na oferta de serviços agregados aos produtos industriais, prática conhecida como “servitização” e já consolidada em economias mais avançadas. É o que aponta a Sondagem Especial nº 100: Serviços na Indústria, divulgada nesta quinta-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o levantamento, 41% das empresas industriais afirmaram não oferecer serviços aos clientes. Outros 40% disseram ofertar serviços, mas apenas 16% cobram por eles. Entre as atividades mais comuns estão pós-venda, personalização, instalação e manutenção.
“Alguns setores já agregam muitos serviços de valor à produção, enquanto outros ainda não estão nesse mesmo nível. A tendência é que toda a indústria passe por esse processo de servitização, assim como nas economias mais desenvolvidas”, afirmou Rafael Sales Rios, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
Segundo o economista, o avanço desse modelo depende de políticas industriais multissetoriais. “A indústria é uma grande demandante de serviços de alta qualificação e isso pode transformar o setor de serviços, criando mais emprego e renda”, completou.
O estudo mostra ainda que, a cada R$ 100 de faturamento, a indústria destina R$ 19 para contratação de serviços, sendo 25% desse total direcionado a serviços industriais especializados.
Entre os serviços mais contratados pelas indústrias estão manutenção e reparo de máquinas e equipamentos (58%), transporte e logística (57%) e consultoria administrativa, contábil, jurídica ou econômica (52%).
Já os serviços ligados à agregação de valor ao produto, como softwares especializados, programação, computação em nuvem e inteligência artificial, aparecem na quarta posição do ranking, sendo contratados por 48% das empresas.
A pesquisa também identificou sete setores acima da média na adoção de serviços industriais especializados: vestuário; celulose e papel; higiene pessoal, perfumaria e cosméticos; farmoquímicos e farmacêuticos; equipamentos de informática e eletrônicos; máquinas e equipamentos; e móveis.
O levantamento aponta ainda que empresas exportadoras demandam mais serviços especializados do que aquelas voltadas apenas ao mercado interno. Entre as indústrias que atuam no comércio exterior, 63% contratam serviços voltados à qualificação dos produtos, contra 49% das não exportadoras.
Além disso, as exportadoras destinam uma parcela maior de seus gastos a serviços especializados: 29% do total, ante 23% das empresas que atuam exclusivamente no mercado doméstico.
Apesar do avanço, sete em cada dez empresas industriais afirmaram enfrentar dificuldades para contratar serviços especializados. Os principais obstáculos apontados foram o preço elevado (40%), a dificuldade em encontrar o serviço desejado (26%) e problemas de qualidade na entrega (11%).