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Incerteza sobre conflito EUA-Irã ganha novos contornos e joga Ibovespa para baixo

21 de maio de 2026 Maria Regina Silva, Estadão Conteúdo

O tom negativo no exterior influencia o Ibovespa, em meio à instabilidade geopolítica, que reduz as chances de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O clima de cautela desta quinta-feira, 21, ganhou novo impulso com relatos de que Teerã determinou que o urânio do país, enriquecido a um nível próximo ao necessário para armas, permaneça em território local.

"O minério em queda tem impacto em Vale e nas ações ligadas à commodity. Em contrapartida, o petróleo para cima puxa Petrobras. Porém, o Ibovespa cai - além do exterior -, devido a incertezas com relação à manutenção da candidatura do Flávio Bolsonaro para presidente da República", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aguardará "alguns dias" por uma resposta de Teerã à proposta apresentada por Washington. Nos EUA, os índices futuros operam em leve queda, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançam.

O petróleo também sobe: o Brent ganha 2% e é cotado a US$ 107,18 o barril, enquanto o WTI avança 2,63%, a US$ 100,89, respectivamente. Já o minério de ferro fechou em alta de 1,07%, em Dalian.

Além do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio, ficam no radar índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) europeus e norte-americano, bem como o balanço da Nvidia, informado ontem à noite. Há pouco, foram divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego dos EUA. No Brasil, o destaque é a arrecadação federal de abril, às 15 horas.

Dados divulgados hoje mostraram que o PMI composto da zona do euro e do Reino Unido recuaram, indicando contração da atividade em maio.

Na esteira dos balanços corporativos, as ações da Nvidia e do Walmart recuavam entre 1% e 4%, pela ordem, mesmo com ambas apresentando desempenho acima do esperado em seus balanços trimestrais.

De acordo com Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, há mudança de humor em torno da Nvidia, que mesmo após superar estimativas, os papéis recuam, contaminando o setor de semicondutores e esfriando parte da euforia com inteligência artificial.

No Brasil, a agenda de indicadores traz apenas a arrecadação. A expectativa mediana é que o montante arrecadado em abril alcance R$ 275,0 bilhões, após R$ 229,249 bilhões em março. Segundo diz em nota Araújo, da ZERO Markets, o dado é importante para calibrar a leitura fiscal e o comportamento dos juros domésticos. Nesta manhã, os juros futuros sobem, seguindo os rendimentos dos Treasuries.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 177.355,73 pontos. "Surfou na melhora da percepção do conflito entre Estados Unidos e Irã", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. "Mas como toda essa questão é acompanhada de ceticismo devido à comunicação errática da Casa Branca, faz com que uma solução para o conflito pareça distante", completa Spiess.

Para Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, há espaço para que o Índice Bovespa avance, mas isso depende principalmente do retorno dos investidores estrangeiros. "ficaria melhor, mais confortável, quando ultrapassar os 188 mil pontos", diz. Em maio até terça-feira, houve retirada de R$ 11,436 bilhões por parte de estrangeiros.

Às 11h12, o Ibovespa caía 0,43%, aos 176.593,99 pontos, ante declínio de 0,87%, na mínima em 175.805,16 pontos, vindo de abertura estável, na máxima em 177.351,70 pontos. Petrobrás tinha alta entre 1,42% (PN) e 1,89% (ON). Vale perdia 0,11%, enquanto Usiminas subia 2,815, após o Goldman Sachs eleva a recomendação da empresa de neutra para compra.