Mercado de IA para processar documentos deve movimentar US$ 26 bilhões até 2032
Empresas aceleram investimentos em automação de cotações comerciais para reduzir tarefas que ainda levam horas ou dias a poucos segundos.

Willian Valadão, CEO da Dynadok e especialista em IA. (Foto: Divulgação)
Em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência operacional e velocidade de resposta, a automação inteligente de documentos tornou-se uma das principais apostas das empresas globais de tecnologia. Com previsão de atingir US$ 26,53 bilhões até 2032 e crescimento anual de 37,5% entre 2024 e 2027, segundo dados da DataIntelo, o segmento de Intelligent Document Processing (IDP) vive uma corrida bilionária por soluções capazes de reduzir custos, eliminar gargalos e acelerar negócios. É nesse cenário que a Dynadok anuncia a criação da Dynaquote, spin off especializada na automatização de cotações comerciais com inteligência artificial.
A nova empresa nasce com foco em um dos principais desafios das áreas comerciais: transformar pedidos enviados em formatos variados — PDFs, planilhas, documentos Word ou até textos em e-mails — em propostas organizadas, rápidas e precisas. Segundo a companhia, a tecnologia reduz para segundos um processo que normalmente levaria horas ou dias, alcançando mais de 95% de assertividade na identificação de produtos e montagem automática das cotações.
De acordo com Willian Valadão, CEO da Dynadok e especialista em IA, o diferencial competitivo está justamente na velocidade de resposta. “As empresas costumam solicitar orçamento para vários fornecedores ao mesmo tempo. Quem responde primeiro aumenta consideravelmente suas chances de fechar o negócio”, afirma.
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A estratégia também reflete o movimento de empresas de tecnologia que têm criado estruturas independentes para acelerar inovação e explorar novos mercados. A expectativa da Dynadok é que a Dynaquote represente 25% da receita total do grupo já em 2026.
Na prática, a solução utiliza modelos de inteligência artificial para interpretar pedidos de orçamento, identificar automaticamente itens equivalentes dentro do sistema corporativo do fornecedor e gerar propostas comerciais de maneira automatizada. O sistema também opera 24 horas por dia e já nasce integrado ao TOTVS Winthor, além de preparado para conexão com outros ERPs corporativos.
O movimento reforça uma tendência crescente no ambiente corporativo: o uso da IA não apenas como ferramenta de produtividade, mas como mecanismo direto de aumento de receita, ganho de competitividade e conversão comercial. Em um cenário de digitalização acelerada, velocidade e precisão passaram a ser ativos estratégicos — especialmente em mercados de alto volume transacional e forte concorrência. Leia entrevista completa com Willian Valadão, CEO da Dynadok e da Dynaquote.
O mercado global de IDP deve ultrapassar US$ 26 bilhões até 2032. Quais fatores estão acelerando esse crescimento e qual o estágio de maturidade desse segmento no Brasil?
O crescimento do IDP, que é o processamento inteligente de documentos, vem de uma necessidade muito concreta: empresas têm volumes cada vez maiores de documentos, e-mails, planilhas, PDFs e informações não estruturadas circulando diariamente. O modelo manual não acompanha mais essa escala.
No Brasil, o mercado ainda está em fase de amadurecimento, mas avançando rápido. Muitas empresas já entenderam o valor da automação, principalmente em áreas como educação, construção, seguros, saúde, indústria e agora processos comerciais. O que muda com o IDP é que não estamos falando apenas de ler documentos, mas de interpretar contexto, cruzar informações e tomar decisões com apoio de IA.
Muitas empresas ainda dependem de processos manuais nas áreas de orçamento e cotação. Qual o impacto financeiro e operacional dessa ineficiência?
O impacto é direto na receita. Quando uma empresa demora horas ou dias para responder a uma cotação, ela perde competitividade. Em muitos mercados, o cliente pede orçamento para vários fornecedores ao mesmo tempo, e quem responde primeiro sai na frente.
Além disso, há custo operacional. Equipes comerciais gastam tempo lendo e-mails, interpretando descrições diferentes, buscando produtos no sistema da empresa e montando propostas manualmente. Isso gera erro, retrabalho e dependência de pessoas específicas que conhecem o cadastro interno.
A velocidade de resposta passou a ser um diferencial competitivo. Existem estudos ou métricas que indiquem quanto o tempo de resposta influencia conversão?
Sim. Existem benchmarks internacionais mostrando que responder rapidamente aumenta muito a chance de conversão. Um estudo recente com mais de 250 mil leads B2B apontou que empresas que respondem em até 5 minutos têm 21 vezes mais chances de qualificar leads.
Na prática, vemos isso todos os dias. Cotação é uma corrida contra o tempo. A Dynaquote, empresa que nasceu a partir da Dynadok, permite que uma solicitação recebida por e-mail seja interpretada e transformada em proposta em segundos, inclusive fora do horário comercial. Isso muda completamente a dinâmica comercial.
Como a inteligência artificial vem transformando a relação entre áreas comerciais, backoffice e atendimento ao cliente?
A inteligência artificial está eliminando fronteiras entre áreas que antes trabalhavam de forma muito separada. O comercial recebia o pedido, o backoffice validava dados, alguém conferia cadastro, outro colaborador montava proposta, e o cliente ficava esperando.
Com automação inteligente, esse fluxo passa a ser integrado. A IA lê o pedido, que geralmente chega por e-mail, como anexo, ou seja, de forma não estruturada. A partir daí, entende os itens, cruza com o sistema da empresa, sugere a melhor correspondência e monta a proposta. O time humano deixa de fazer tarefas repetitivas e passa a atuar em negociações, relacionamento e decisões estratégicas.
Quais setores apresentam maior demanda por automação de orçamentos e processamento documental?
A demanda é forte em setores com alto volume de documentos, muitos fornecedores, listas extensas de itens ou processos regulados. Isso inclui diversos segmentos como indústria, distribuição, atacado, varejo, saúde, seguros, construção civil, educação, mineração e serviços.
No caso da Dynaquote, vemos grande potencial em empresas que recebem pedidos de cotação com dezenas ou centenas de itens, principalmente quando há diferença entre a nomenclatura usada pelo cliente e o cadastro interno do fornecedor. Esse é um problema comum e muito custoso.
A Dynaquote nasceu como spin off da Dynadok. Quais aprendizados da validação documental ajudaram no desenvolvimento da nova plataforma?
A Dynadok nos ensinou a lidar com documentos complexos, formatos variados e informações não estruturadas. Aprendemos que o desafio não é apenas extrair dados, mas interpretar o contexto e entregar uma resposta confiável.
A Dynaquote nasceu a partir da demanda de nossos clientes, que pediam por uma solução específica para orçamento. A Dynaquote aplica o mesmo conhecimento da Dynadok ao processo comercial. Ela lê e-mails, PDFs, planilhas e textos livres, identifica os itens solicitados, faz a busca dos itens de forma automática no sistema da empresa e monta a cotação instantaneamente. A tecnologia foi desenvolvida durante um ano e passou por seis meses de testes em cliente piloto antes do lançamento comercial.
A empresa projeta que a Dynaquote represente 25% da receita da Dynadok em 2026. Quais são as metas de expansão?
A Dynaquote nasce com uma ambição clara: ser uma solução de referência para automação de cotações comerciais no Brasil. Nossa meta é expandir em setores que dependem de velocidade para vender mais e reduzir perdas operacionais. Até o final do ano a empresa almeja evoluir de maneira significativa, ampliando a carteira de clientes do grupo e responder por 25% do faturamento da Dynadok.