Investimentos italianos avançam no Brasil com energia, indústria e gastronomia premium
De infraestrutura elétrica a seguros e produção automotiva, empresas italianas ampliam presença e movimentam bilhões em projetos no país.
Antonio Scala, diretor-presidente da Enel Brasil. (Foto: Divulgação)
O relacionamento econômico entre Brasil e Itália atravessa séculos e mantém ritmo de expansão. Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países superou US$ 9 bilhões, impulsionado pelas exportações brasileiras de commodities e pelas importações de máquinas, veículos e produtos industriais italianos. Mais que um fluxo de comércio, a relação envolve laços históricos e culturais. Marcas como Ferrero, TIM, Iveco, Pirelli e Luxottica consolidaram a presença italiana no Brasil em diferentes setores, associando o país à engenharia, tecnologia e design.
Energia e inovação: a atuação da Enel
No setor de energia, a Enel é hoje um dos principais grupos privados de infraestrutura do Brasil. A empresa atua em 24 estados e tem ampliado os investimentos em modernização da rede elétrica. No Ceará, anunciou um plano de R$ 7,4 bilhões entre 2025 e 2027, que inclui 13 novas subestações, mais de 600 quilômetros de linhas de alta tensão e a contratação de 1.340 profissionais. Em São Paulo, a Enel Distribuição atende mais de 8 milhões de clientes e aplicou R$ 1,1 bilhão no primeiro semestre de 2025, com foco na digitalização da rede, na redução de perdas e na melhoria da resposta a eventos climáticos. O país é considerado pela empresa um dos principais mercados fora da Europa e um espaço para testes de novos modelos de atendimento e eficiência energética.
Generali: 100 anos no Brasil
A Generali Brasil completou 100 anos de operação no país. O grupo mantém investimentos em digitalização e atendimento remoto. Em 2024, registrou lucro líquido de R$ 104,8 milhões, alta de 38% em relação a 2023. Entre os novos produtos lançados está a Cobertura PIX e a ampliação de canais de suporte via WhatsApp. Segundo Alexandre Muniz, diretor de TI e Operações, a prioridade é oferecer soluções adequadas ao perfil dos segurados e seguir com o processo de transformação digital.
Indústria e Produção
Marcio Querichelli, presidente IVECO Latam. (Foto: Divulgação)
A Iveco mantém sua principal unidade na América Latina em Sete Lagoas (MG), responsável pela produção de caminhões e ônibus para toda a região. A companhia prevê movimentar R$ 7,5 bilhões em compras de peças e componentes na América do Sul, com destaque para Brasil e Argentina. De acordo com Marcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina, o cenário político e econômico da região impõe desafios à competitividade do setor. A empresa aposta na integração com fornecedores locais como estratégia de manutenção e expansão de mercado.
Intercâmbio gastronômico
Juliana La Pastina, presidente do grupo. (Foto: Divulgação)
A La Pastina, com 77 anos de atuação no Brasil, lançou a linha Maestra, voltada ao segmento de gastronomia premium. O portfólio inclui produtos de origem controlada e métodos de produção artesanal. A presidente do grupo, Juliana La Pastina, afirma que a nova marca representa a entrada da empresa na categoria de massas com denominação de origem protegida.
Já a Folonari, vinícola da região do Chianti Clássico, na Toscana, passou a integrar o portfólio da importadora Decanter. A empresa traz ao Brasil rótulos das propriedades Tenuta del Cabreo, Tenuta di Nozzole, Bolgheri e Montalcino. De acordo com Adolar Hermann, presidente do Grupo Decanter, os vinhos da Folonari representam a ampliação da oferta de rótulos toscanos disponíveis no país.