CEO para o Brasil da Aon diz que “vivemos uma era de riscos convergentes” e aposta em integração de capital
Leonardo Coelho assume o comando da operação brasileira em meio à volatilidade econômica, avanço de riscos climáticos e cibernéticos e amplia foco em soluções integradas de Risk Capital e Human Capital.

Leonardo Coelho, CEO para o Brasil da Aon. (Foto: Divulgação)
A Aon inicia um novo ciclo no Brasil com Leonardo Coelho à frente da operação em um momento particularmente desafiador para as organizações. O executivo assume a liderança do negócio brasileiro em um contexto de maior complexidade, transformação setorial acelerada e riscos interconectados cada vez mais intensos, cenário que exige soluções capazes de apoiar a tomada de decisões em um ambiente volátil.
Com carreira inteiramente dedicada ao setor de seguros e mais de sete anos de trajetória na própria Aon, onde anteriormente liderou a área de Health & Talent no Brasil, Coelho passa a conduzir a estratégia de crescimento da companhia no país. Entre suas prioridades estão a ampliação da oferta de soluções em Risk Capital e Human Capital e o fortalecimento da posição da empresa em um dos mercados mais relevantes da América Latina e no contexto global da companhia.
O momento é emblemático. Segundo o executivo, “vivemos uma era de riscos convergentes, impulsionada por megatendências que estão redesenhando profundamente o ambiente de negócios e ampliando a complexidade da tomada de decisão nas organizações”. Comércio, tecnologia, clima e força de trabalho aparecem como vetores centrais dessa transformação.
Um ambiente de riscos interligados
As tensões comerciais e geopolíticas ampliam a volatilidade, enquanto a aceleração tecnológica, especialmente com a inteligência artificial, redefine processos, cadeias produtivas e modelos de negócio. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos pressionam a resiliência operacional e as novas dinâmicas do trabalho exigem abordagens mais ágeis, inclusivas e orientadas à performance.
No contexto brasileiro, esses desafios ganham contornos próprios: cadeias produtivas expostas, ambiente regulatório e tributário complexo, escassez de talentos e necessidade de adaptação rápida às novas tecnologias.
“Ao reconhecer que os riscos atuais não atuam de forma isolada, mas se influenciam mutuamente, apoiamos nossos clientes com uma abordagem integrada de gestão de riscos, baseada em dados e análises avançadas”, afirma Coelho.
Dados da Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025, da Aon, reforçam o diagnóstico. Ataques cibernéticos e vazamentos de dados aparecem como o principal risco global, seguidos por interrupções nos negócios, desaceleração econômica, mudanças regulatórias e aumento da concorrência. A volatilidade geopolítica avançou quase 30 posições no ranking global desde 2019, passando a figurar entre os dez principais riscos.
Integração como diferencial competitivo
Diante desse cenário, a Aon aposta na integração entre Risk Capital e Human Capital como diferencial estratégico. A proposta é conectar proteção financeira, continuidade operacional, gestão de pessoas e inovação, oferecendo às empresas maior clareza para decisões de longo prazo.
Em um ambiente marcado por volatilidade, complexidade e mudanças constantes, a gestão de riscos deixa de ser apenas um instrumento de proteção e passa a ocupar papel central na estratégia corporativa, especialmente em um mercado com o potencial econômico e os desafios estruturais do Brasil.
Ao assumir o comando da Aon no Brasil, quais são as principais prioridades estratégicas neste início de gestão e quais oportunidades o senhor enxerga no atual cenário econômico?
Na Aon temos o compromisso em apoiar nossos clientes a navegar em cenários cada vez mais voláteis e dinâmicos, abrindo oportunidades e fortalecendo sua resiliência. Em um ambiente de negócios marcado por alta complexidade, não é mais possível olhar para desafios de forma isolada. Nosso papel é apoiar melhores decisões, conectando riscos, capital, pessoas e estratégia, sempre com uma visão holística e integral dos negócios e organizações.
Diante disso, o pilar central estratégico da nossa companhia seguirá na ampliação da oferta conectada de nossas capacidades em Risk Capital e Human Capital, trazendo a expertise global da nossa companhia adaptada às necessidades reais das organizações brasileiras. Parte dessa ampliação de oferta passa também por seguir com a expansão de nossa presença física em todo o país, por meio de novas filiais. Desde o início do ano já abrimos novos espaços em Recife e Joinville, regiões de enorme potencial e com economias pujantes que, cada vez mais, demandam estratégias de gestão de risco e de capital humano.
Sobre o atual cenário econômico brasileiro, apesar da elevada volatilidade, o país segue se consolidando como um dos mercados mais estratégicos da América Latina, com forte potencial em setores-chave como agronegócio, energia, infraestrutura, tecnologia, saúde, indústria, serviços financeiros, logística e real estate, indústrias nas quais a Aon possui atuação especializada. Esse dinamismo ficou evidente no recente levantamento de fusões e aquisições da Aon em colaboração com a TTR Data e Datasite, que apontou o Brasil como líder absoluto em M&A na região em 2025, com 1.877 transações e US$ 56,4 bilhões em capital mobilizado, reforçando a atratividade do mercado e o apetite por crescimento, consolidação e transformação empresarial. Ao mesmo tempo, a economia brasileira já sente de forma concreta os impactos dos riscos climáticos: somente em 2025, de acordo com a última pesquisa da Aon sobre catástrofes climáticas, os desastres naturais causaram perdas superiores a US$ 5,4 bilhões, pressionando cadeias produtivas, operações, infraestrutura e impactando a força de trabalho.
Esse cenário cria uma demanda crescente por soluções integradas, baseadas em dados, análises avançadas e expertise global, exatamente onde a Aon se diferencia ao apoiar organizações brasileiras na construção de estratégias mais resilientes, sustentáveis e competitivas.
A Aon se posiciona como parceira na tomada de melhores decisões. Como os insights analíticos e a integração entre Risk Capital e Human Capital ganham relevância para as empresas brasileiras hoje?
Na Aon, identificamos que quatro megatendências — comércio, tecnologia, clima e força de trabalho — estão redefinindo modelos de negócio e elevando a complexidade das decisões corporativas. Tensões comerciais e geopolíticas ampliam a volatilidade, a aceleração tecnológica impulsionada pela inteligência artificial transforma processos e estratégias, as mudanças climáticas impõem desafios crescentes à resiliência das empresas, e as novas dinâmicas do trabalho exigem abordagens mais ágeis, inclusivas e orientadas à performance.
No contexto brasileiro, alguns fatores se manifestam de forma intensa: cadeias produtivas expostas, desafios regulatórios e tributários, escassez de talentos e necessidade de adaptação rápida às novas tecnologia. Nesse ambiente, a integração entre dados, análises avançadas e expertise em mitigação e transferência de riscos e gestão de pessoas permite que as empresas tomem decisões mais informadas e sustentáveis no longo prazo.
Os insights analíticos da Aon ajudam as organizações a antecipar riscos, identificar vulnerabilidades operacionais, proteger seus ativos e sua força de trabalho, além de otimizar investimentos, ao mesmo tempo em que alinham estratégias de negócios às estratégias de gestão de pessoas. Ao conectar capacidades em Risk Capital e Human Capital, a Aon permite que líderes brasileiros equilibrem proteção financeira, continuidade operacional, inovação e bem-estar dos colaboradores, fortalecendo sua competitividade em um ambiente cada vez mais incerto e interconectado.
O ambiente de riscos se tornou mais complexo, envolvendo fatores climáticos, geopolíticos, regulatórios e tecnológicos. Como a Aon apoia as organizações na gestão dessa nova matriz de riscos?
Vivemos uma era de riscos convergentes, impulsionada por megatendências que, como comentei, estão redesenhando profundamente o ambiente de negócios e atuam de forma interconectada. Isto faz com que se acelere a disrupção e amplie a complexidade da tomada de decisão nas organizações. Esse cenário fica evidente nos resultados na Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025, da Aon. Os ataques cibernéticos e vazamentos de dados surgem o principal risco global, seguidos por interrupções nos negócios, desaceleração econômica, mudanças regulatórias e aumento da concorrência.
Ao reconhecer que os riscos atuais não atuam de forma isolada, mas se influenciam mutuamente, a Aon apoia seus clientes com uma abordagem integrada de gestão de riscos, baseada em dados e análises avançadas. Na prática, isso significa apoiar as organizações na adaptação às mudanças regulatórias, às novas dinâmicas do comércio global e à intensificação dos eventos climáticos extremos, além de fortalecer cadeias de suprimentos, ampliar a resiliência operacional e reduzir impactos financeiros. Segundo a Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025, a volatilidade geopolítica avançou quase 30 posições no ranking global desde 2019, passando a figurar entre os dez principais riscos, evidenciando o quanto as tensões internacionais afetam diretamente operações, fluxos comerciais, custos e investimentos.
A proteção contra ameaças cibernéticas também ganha protagonismo nesse contexto, especialmente diante da rápida adoção da inteligência artificial. O risco cibernético permanece como a principal preocupação global, refletindo o aumento da exposição digital das empresas e a necessidade de estratégias robustas de prevenção, resposta e transferência de riscos.
Com esse conjunto de soluções, dados proprietários e expertise global integrada, ajudamos as organizações a transformar incertezas em decisões mais informadas, fortalecendo sua capacidade de adaptação e construção de resiliência em um cenário marcado por volatilidade, complexidade e mudanças constantes.
No campo de pessoas e capital humano, quais tendências devem ganhar protagonismo nos próximos anos e como elas impactam a competitividade das empresas?
Uma das principais tendências é a evolução das estratégias de remuneração e compensações totais, com foco no desenvolvimento da força de trabalho. Modelos mais flexíveis, personalizados e alinhados às diferentes necessidades dos colaboradores contribuem para maior engajamento, atração e retenção de pessoas, fatores críticos em um mercado cada vez mais competitivo e com escassez de talentos. De acordo com a Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2025 da Aon, a crescente concorrência está entre os 5 principais riscos para as empresas no mundo. A transparência também ganha destaque, fortalecendo a confiança, a cultura organizacional e a reputação das empresas como marcas empregadoras.
Outra ação relevante é a ampliação do foco em bem-estar, que deixa de ser apenas uma iniciativa pontual e passa a integrar uma visão mais ampla de sustentabilidade da força de trabalho. O cuidado com a saúde física, emocional, social e financeira dos colaboradores impacta diretamente a produtividade, a redução do absenteísmo, o clima organizacional e os resultados do negócio
A governança e a eficiência operacional também são estratégicas, assim como processos estruturados, uso inteligente de dados e análises permitem decisões mais eficazes, maior controle de custos e melhor direcionamento dos recursos, ampliando a competitividade organizacional.
Por fim, a administração do impacto da inteligência artificial na força de trabalho desponta como um dos principais desafios e oportunidades. A adoção responsável da tecnologia, aliada ao desenvolvimento contínuo de novas competências, permite aumentar a eficiência, impulsionar a inovação e preparar os profissionais para novas funções, garantindo que as empresas se mantenham relevantes em um cenário de rápidas transformações.
Em conjunto, essas tendências fortalecem a capacidade das organizações de atrair, desenvolver, engajar e reter talentos, criando uma base sólida para crescimento sustentável, inovação e vantagem competitiva no longo prazo.
O Brasil é um mercado estratégico dentro da operação global da Aon. Como a experiência internacional da companhia pode contribuir para soluções mais sofisticadas e adaptadas à realidade local?
O Brasil é um mercado estratégico com forte potencial em setores-chave como agronegócio, energia, infraestrutura, tecnologia, saúde, indústria, serviços financeiros e logística. É um ambiente de negócios dinâmico, que exige soluções sofisticadas e altamente adaptadas à realidade local. Nesse contexto, a experiência internacional da Aon se torna um diferencial fundamental.
Como companhia mobilizamos capital de proteção em múltiplos mercados, conectando o Brasil às principais capacidades globais de gestão de riscos, seguros, resseguros, serviços financeiros e estratégias de pessoas. Isso garante que as empresas brasileiras tenham acesso a soluções mais robustas, inovadoras e alinhadas aos mais altos padrões internacionais, sem perder a sensibilidade às demandas regulatórias, econômicas, culturais e operacionais locais.
Ao combinar alcance global com presença local, a Aon oferece aos clientes brasileiros clareza, confiança e suporte estratégico para tomar decisões mais bem fundamentadas, proteger seus negócios e impulsionar o crescimento sustentável, reforçando sua competitividade em um ambiente cada vez mais complexo e interconectado.