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Entrevista

Grupo Piracanjuba avança em queijos finos com aquisição da Básel Lácteos

Companhia amplia portfólio premium, chega à décima unidade industrial e reforça estratégia de crescimento estruturado no mercado de lácteos.

03 de março de 2026 por LIDE

Aprovada 1 - 051224VS_Luiz Claudio Lorenzo_006 Luiz Claudio Lorenzo, presidente do Grupo Piracanjuba. (Foto: Divulgação)

O Grupo Piracanjuba vive um ciclo de expansão e consolidação no mercado nacional de alimentos e lácteos. Com mais de 4,5 mil colaboradores, dez unidades fabris e capacidade de processamento superior a 7 milhões de litros de leite por dia, a companhia fortalece seu posicionamento em qualidade, inovação e proximidade com o consumidor.

Neste contexto, a empresa anuncia a aquisição da Básel Lácteos, indústria especializada em queijos finos localizada em Antônio Carlos, em Minas Gerais, na região da Serra da Mantiqueira. Com a operação, a companhia goiana passa a contar com dez plantas industriais em funcionamento no Brasil e ingressa de forma mais estruturada no segmento de queijos especiais.

Reconhecida por sua linha premium, a Básel agrega valor ao portfólio e amplia a atuação da Piracanjuba em categorias de maior valor agregado. A estratégia está alinhada ao plano de expansão nacional e ao fortalecimento da presença da marca em nichos sofisticados do mercado. “Nossa prioridade é preservar o que a Básel construiu até aqui. Para o futuro, a expectativa é ampliar gradualmente o portfólio e a capacidade produtiva da planta”, afirma o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo.

Operação

Instalada em uma região de forte tradição leiteira, a unidade está situada em um município de pouco mais de 11 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE. A cidade de Antônio Carlos é reconhecida pela produção de queijos nobres, resultado das características naturais do leite local, influenciado pelo clima ameno, altitude e pastagens propícias à atividade agropecuária.

Inicialmente, a produção será mantida nos moldes atuais. A distribuição, hoje concentrada no Rio de Janeiro, deverá ser ampliada para todo o território nacional, já sob a marca Piracanjuba. A conclusão da transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e até a decisão final, as empresas seguem operando de forma independente.

A companhia também informou que pretende manter todos os cerca de 100 postos de trabalho diretos da unidade, além de realizar visitas individuais aos produtores de leite que abastecem a fábrica. “Nosso objetivo é que essa transição ocorra da forma mais harmoniosa possível para colaboradores, fornecedores e para a comunidade local. Queremos reforçar o propósito do Grupo Piracanjuba, que é o cuidado que alimenta a vida. Para nós, nutrir relações é tão importante quanto nutrir pessoas, e isso começa pelo respeito ao nosso time e aos produtores de leite”, destaca Luiz Claudio.

O movimento ocorre em um momento que o presidente define como estratégico para a companhia. “Vivemos um momento de crescimento estruturado e consolidação. Hoje contamos com um portfólio de mais de 200 produtos, reunindo marcas como Piracanjuba, LeitBom e Emana, além das licenciadas Almond Breeze, Ninho e Molico. Embora 98% dos nossos negócios ainda estejam concentrados na categoria de lácteos, já iniciamos a expansão na categoria de alimentos, que atualmente representa 2% do faturamento e apresenta forte potencial de evolução nos próximos anos.”

Ele ressalta ainda a robustez da estrutura industrial e a capacidade de atuar tanto em categorias tradicionais quanto em segmentos premium. “Temos uma estrutura industrial robusta que nos permite atender diferentes perfis de consumo, atuar em categorias tradicionais e, ao mesmo tempo, avançar em segmentos de maior valor agregado, como queijos especiais e suplementação.”

Com a entrada no mercado de queijos finos, o Grupo Piracanjuba reforça sua estratégia de diversificação e agrega novas frentes de crescimento a um portfólio já consolidado no mercado nacional, ampliando sua presença em um segmento que combina tradição, sofisticação e valor agregado.

Confira a entrevista completa.

O Grupo Piracanjuba nasceu no interior de Goiás e hoje está presente no dia a dia de milhões de brasileiros. Quais foram os principais marcos dessa trajetória de crescimento e consolidação?

Nossa história é marcada por consistência, expansão responsável e capacidade de adaptação. Ao longo de 70 anos de atuação no setor lácteo, fortalecemos nossas marcas, ampliamos nossa presença industrial e consolidamos uma rede que hoje conta com dez unidades fabris e 16 postos de resfriamento em oito estados do Brasil, com capacidade de processamento superior a 7 milhões de litros de leite por dia.

Um marco relevante dessa trajetória foi a profissionalização da gestão em 2024, quando passamos de sociedade limitada para Sociedade Anônima de capital fechado, estruturando um modelo de governança ainda mais sólido e preparado para os próximos ciclos de crescimento. Também realizamos a primeira aquisição da história do grupo, com a incorporação da Emana, movimento que marcou nossa entrada na categoria de alimentos e suplementação, ampliando nossa atuação além dos lácteos.

Já neste ano avançamos em nossa estratégia de expansão na categoria de queijos com a aquisição da Básel Lácteos, indústria especializada em queijos finos localizada em Antônio Carlos, na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Reconhecida pela tradição e qualidade de seus produtos, a empresa agrega ao nosso portfólio uma linha premium que inclui variedades como Emmental, Gruyère, Maasdam e Gouda. A operação está alinhada ao nosso plano de ampliar presença no segmento de queijos especiais e reforça nossa atuação em categorias de maior valor agregado.

A companhia tem investido fortemente em inovação e diversificação, incluindo bebidas vegetais e marcas licenciadas. Como essas frentes ampliam o alcance do grupo e dialogam com novas demandas do consumidor?

A diversificação é uma estratégia clara de ampliação de alcance. Com a marca licenciada Almond Breeze, passamos a atuar também no segmento de bebidas vegetais, acompanhando novas preferências de consumo. Já com a aquisição da Emana, ingressamos na suplementação, uma categoria nova para nós, mas com grande potencial.

Nosso objetivo é construir bases sólidas nesse segmento e conquistar, nos próximos anos, cerca de 10% de participação nesse mercado. É um setor pulverizado e desafiador, por isso nossa prioridade inicial é consolidar operações, ampliar distribuição e fortalecer a marca.

Também seguimos inovando dentro dos lácteos, especialmente na categoria zero lactose, na qual fomos pioneiros em 2012 e seguimos como referência, com novidades recorrentes e maior acessibilidade ao consumidor.

Qual é o papel da gestão de pessoas e do bem-estar emocional na estratégia de longo prazo da empresa?

Resultados sustentáveis dependem de pessoas engajadas. Contamos hoje com mais de 4,5 mil colaboradores e temos orgulho de sermos reconhecidos como um excelente lugar para trabalhar, com certificação GPTW 2025 e selo de Saúde Mental com duas estrelas.

A gestão humanizada e a atenção ao bem-estar emocional não são iniciativas isoladas, mas parte da cultura da companhia. Acreditamos que crescimento estruturado e ambiente saudável caminham juntos.

Sustentabilidade é um tema central para o setor. Como iniciativas como as fazendas de eucalipto e a gestão responsável da cadeia produtiva se conectam à visão de futuro do grupo?

A sustentabilidade está integrada à nossa estratégia. Investimos em fazendas de eucalipto e em práticas responsáveis ao longo da cadeia produtiva. Além disso, a nova fábrica no Paraná foi projetada para integrar produção de queijos e aproveitamento do soro no mesmo parque industrial, eliminando transporte de matéria-prima entre unidades, o que aumenta eficiência e reduz custos. Entendemos que crescimento precisa estar associado a responsabilidade ambiental, eficiência e visão de longo prazo.

Olhando para os próximos anos, quais são as prioridades estratégicas do Grupo Piracanjuba em termos de expansão, eficiência operacional e fortalecimento das marcas?

Nossas prioridades são claras: ampliar capacidade produtiva, fortalecer nossas marcas e crescer com eficiência. Também seguimos atentos a oportunidades de mercado, mas com foco no Brasil, onde ainda enxergamos amplo espaço para expansão, especialmente nos eixos Rio-São Paulo, Sul e Nordeste.

Queremos consolidar nossa posição como um dos principais grupos do setor no país, expandindo relevância na categoria de queijos, fortalecendo o segmento de alimentos e mantendo crescimento sustentável e estruturado.