Bairros planejados viram motor de crescimento de R$ 3,1 bilhões para a Idealiza Cidades
Incorporadora desenvolve projetos de uso misto com acesso público e já soma R$ 3,1 bilhões em Valor Geral de Vendas com empreendimentos no Sul, Sudeste e Nordeste.
Fabiano de Marco, cofundador da Idealiza Cidades. (Foto: Divulgação)
Em um cenário marcado pelo crescimento desordenado das grandes cidades brasileiras, a Idealiza Cidades encontrou espaço para se diferenciar ao apostar no desenvolvimento de bairros planejados. A empresa concentra sua atuação em projetos que integram moradia, comércio, serviços, lazer e cultura, com foco na valorização do espaço público mesmo dentro de áreas privadas.
Com esse modelo, a companhia alcançou R$ 3,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em empreendimentos lançados e comercializados ao longo de pouco mais de dez anos, segundo o cofundador Fabiano de Marco, em entrevista à Bloomberg Línea.
Na avaliação do executivo, fatores como a piora da percepção de segurança, limitações de mobilidade urbana e déficits históricos de infraestrutura têm impulsionado iniciativas privadas voltadas a soluções urbanísticas mais integradas. “O Brasil está vivendo um momento de expansão dos bairros planejados”, afirmou.
Advogado de formação, De Marco iniciou a carreira no direito imobiliário antes de migrar para o desenvolvimento de projetos residenciais. A virada veio em 2011, quando passou a atuar como sócio em empreendimentos e, posteriormente, estruturou o primeiro bairro planejado da Idealiza Cidades, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.
Inspirada em conceitos de urbanismo defendidos por nomes como Jane Jacobs e Jan Gehl, a empresa desenvolve empreendimentos de uso misto que estimulam a convivência, a caminhada e a ocupação ativa dos espaços urbanos, em oposição a modelos monofuncionais e dependentes do automóvel.
A proposta inclui o desenho de áreas públicas e privadas que favoreçam a chamada “supervisão natural”, com intensa circulação de pessoas, o que contribui para a segurança e a vitalidade urbana. O acesso facilitado a comércio, serviços e trabalho também é tratado como parte de uma visão ampla de sustentabilidade.
Os próximos lançamentos da Idealiza Cidades estão previstos para Pelotas, Uberlândia (MG), João Pessoa (PB) e São José dos Campos (SP). O projeto paulista, batizado de Parque Una São José dos Campos, é considerado estratégico pela empresa. Ele prevê um parque central aberto à população, áreas culturais e um complexo multiuso de cerca de 20 mil metros quadrados.
Segundo De Marco, os cerca de 130 lotes residenciais do empreendimento foram totalmente vendidos até o fim de 2024. Para 2026, a companhia planeja lançar os primeiros quatro edifícios, com VGV estimado em R$ 800 milhões. O potencial total do projeto pode chegar a R$ 15 bilhões.
Experiências anteriores sustentam a aposta. Em Pelotas, o Parque Una acumulou R$ 1 bilhão em vendas ao longo de dez anos. Em Uberlândia, onde a renda per capita é mais elevada, o mesmo volume foi alcançado em apenas 24 meses.
Em 2025, a Idealiza Cidades registrou faturamento de R$ 436,1 milhões e lucro líquido de R$ 220 milhões. O executivo ressalta que o modelo exige resiliência financeira e visão de longo prazo, já que alguns projetos têm horizonte de maturação de até três décadas.
No curto prazo, a prioridade da empresa é consolidar os empreendimentos em andamento. Ainda assim, a Idealiza avalia novas oportunidades em capitais do Nordeste, no interior de São Paulo e em polos ligados ao agronegócio. “Buscamos projetos grandes, com bons parceiros e alinhados a essa visão de cidade”, afirmou.