Um reality show a 3 mil metros de profundidade revela a vida no fundo do mar
Imagens submarinas revelam espécies raras e orientam operações em profundidades de até 3 mil metros.

Imagem do coral bambu captada pelo nosso Núcleo de Avaliação Ambiental de Imagens Marinhas. (Foto: Reprodução/Petrobras)
Registros de espécies raras, como a enguia pelicano, o coral bambu identificado vivo em seu habitat natural e o coral negro com idade estimada em até 4 mil anos, estão entre as principais descobertas associadas ao Núcleo de Avaliação Ambiental de Imagens Marinhas. As imagens ampliam o conhecimento sobre a biodiversidade marinha brasileira e são utilizadas como base para decisões operacionais no fundo do mar.
Criado em 2015, o núcleo reúne informações ambientais para orientar atividades em áreas com menor presença de vida marinha. O trabalho é realizado com embarcações do tipo RSV, equipadas com veículos operados remotamente, que filmam a fauna e a flora submarinas e geram dados usados em processos de licenciamento ambiental, atendimento a condicionantes do Ibama e projetos de exploração, produção, Margem Equatorial e descomissionamento.
O mapeamento já cobre cerca de 223 km² do fundo oceânico — área equivalente ao município de João Pessoa (PB). Além do uso operacional, os registros contribuíram para documentar espécies pouco observadas no país. Entre elas está o coral negro (Leiopathes), conhecido pela longevidade e pela formação de extensas estruturas ao longo de milhares de anos, e o tubarão dorminhoco (Somniosus antarcticus), normalmente associado a regiões frias, mas registrado na Bacia de Campos.
O projeto conta com cerca de 50 profissionais, divididos entre equipes embarcadas, responsáveis pela coleta de imagens em alto-mar, e equipes em terra, que realizam planejamento, interpretação dos dados e elaboração de relatórios. O monitoramento permite reduzir impactos ambientais em operações de instalação e remoção de estruturas submarinas e contribui para o avanço do conhecimento científico sobre os ecossistemas marinhos no Brasil.