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PARCERIA ESTRATÉGICA

Acordos com UE e EFTA reposicionam Brasil nas cadeias globais

Negociações ampliam acesso a mercados europeus, reforçam cooperação estratégica e abrem novas frentes em energia, tecnologia e baixo carbono.

28 de novembro de 2025 por Revista LIDE

Macron
Emmanuel Macron, presidente da França. (Foto: Divulgação)

O comércio entre o Brasil e a União Europeia (UE) deve ganhar novo impulso com a conclusão do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu. Em 2024, as trocas entre as duas regiões somaram € 111 bilhões, divididos em € 55,2 bilhões de exportações europeias para o Mercosul e € 56 bilhões de importações vindas da América do Sul. Para o Brasil, o tratado representa uma janela de oportunidade. O embaixador em Roma, Renato Mosca, afirmou que “este é um momento geopolítico único, em que todos os fatores convergem para essa aprovação. O acordo Mercosul--UE é uma oportunidade que pode não se repetir.” A avaliação reflete o potencial de o país diversificar exportações, reduzir a dependência de commodities e ampliar participação em cadeias globais de valor.

O acordo prevê a eliminação ou redução de tarifas sobre mais de 90% das exportações entre os blocos, em prazos de até 15 anos. Também trata de indicações geográficas, padrões ambientais e sociais, e de regras para investimentos, reforçando o caráter amplo do pacto. Do lado europeu, o benefício é o acesso a um mercado de cerca de 700 milhões de pessoas, rico em matérias-primas e alimentos. O pesquisador da FGV Europe, Pietro Ragazzoni, observou que “mais de 98% das matérias-primas críticas da Europa vêm da China. O Mercosul é uma alternativa estratégica.” Para os países sul-americanos, o desafio será adequar normas, certificar rastreabilidade e adaptar padrões produtivos para aproveitar as novas condições de comércio.

Brasil: Parceria em evolução

As relações entre França e Brasil seguem em um momento de estreita colaboração, impulsionadas pela sintonia política e diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente francês Emmanuel Macron. A França mantém uma posição de destaque como um dos principais investidores europeus no Brasil, com forte presença em setores como energia, mobilidade, saúde, defesa, saneamento e varejo. No campo diplomático, a aliança se estende a temas multilaterais como o combate às mudanças climáticas, proteção da Amazônia, paz internacional e reforma das instituições globais. Macron vê o Brasil como um parceiro-chave na construção de um mundo multipolar mais equilibrado, alinhado à transição energética, biodiversidade e justiça social.

O acordo entre Mercosul e União Europeia encontra em Macron um dos seus principais negociadores. O presidente francês defende que o tratado avance sob bases sólidas de sustentabilidade e reciprocidade, com garantias ambientais rigorosas e proteção à agricultura europeia. Para Macron, é essencial que o acordo garanta rastreabilidade no agronegócio, redução do desmatamento e respeito aos compromissos climáticos.

Oportunidades

O movimento de integração já tem reflexos práticos. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, a relação com a Alemanha é exemplo de cooperação focada em inovação e transição para uma economia de baixo carbono. “Há oportunidades em energia, saúde, insumos farmacêuticos, digitalização e biocombustíveis, além do hidrogênio verde”, afirmou.

Em setembro, o Mercosul assinou também um acordo de livre comércio com a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio, formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), ampliando o acesso brasileiro a mercados de alto poder aquisitivo. Cerca de 99% das exportações brasileiras terão acesso em livre comércio imediato, abrangendo produtos agrícolas e industriais. A EFTA, com PIB de US$ 1,4 trilhão, é o segundo maior destino das exportações brasileiras na Europa, responsável por cerca de 20 mil empregos a cada R$ 1 bilhão exportado.

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, classificou o acordo como um passo relevante em defesa do multilateralismo e do livre comércio. “O comércio aproxima os povos, e o desenvolvimento promove a paz”, afirmou. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que, mesmo em um cenário de tensões e protecionismo, o Brasil segue comprometido com o comércio internacional baseado em regras e cooperação.

Laços fortes

ignazio-la-russaIgnazio La Russa, presidente do Senado da Itália. (Foto: Divulgação)

O presidente do Senado da Itália, Ignazio La Russa, desembarcou em São Paulo em outubro para uma missão institucional no Brasil. Recepcionado pelo Cônsul Geral da Itália na capital paulista, Domenico Fornara, o político participou de encontros com líderes empresariais e representantes da comunidade italiana. Em seu discurso no histórico Edifício Itália, La Russa lembrou “a extraordinária vitalidade da cidade, que impulsiona a economia brasileira e abriga a maior comunidade italiana fora da Itália”. Ele agradeceu aos empresários e profissionais ítalo--brasileiros por sua contribuição para o crescimento do país e a difusão dos produtos “Made in Italy”: “Vocês são embaixadores da Itália; com o seu trabalho, vocês tornam tangível o valor do nosso país”, disse.