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Transformação financeira

Mais de um terço dos CFOs no Brasil investe em times de dados e IA para ganhar eficiência em custos

Estudo global da Deloitte aponta avanço da digitalização nas finanças, mas revela desafios para capturar valor econômico da inteligência artificial.

26 de fevereiro de 2026 por LIDE

Caroline Yokomizo, sócia-líder de soluções de Finance Transformation.Caroline Yokomizo, sócia-líder de soluções de Finance Transformation. (Foto: Divulgação)

As áreas financeiras vêm assumindo protagonismo na transformação das empresas diante de um ambiente mais complexo e volátil. É o que mostra o estudo “Finance Trends 2026”, da Deloitte, baseado em entrevistas com 1.326 executivos financeiros globais, sendo 42 brasileiros.

No Brasil, mais de um terço dos CFOs aposta em equipes especializadas de dados e insights de IA para tornar a gestão de custos mais eficiente. Entre os líderes responsáveis por custos e despesas, 40% priorizam equipes especializadas de dados, enquanto 36% recorrem a insights de IA. Globalmente, as abordagens mais adotadas incluem insights de IA (43%), soluções em nuvem (41%) e equipes especializadas de dados (40%).

O levantamento identifica cinco tendências principais para a área financeira, com destaque para a necessidade de agilidade e fortalecimento da governança em um cenário de incertezas. Para 58% dos entrevistados no mundo, aprimorar mecanismos de resiliência com planejamento avançado de cenários é essencial. Entre as iniciativas mais citadas estão o aprimoramento do planejamento para antecipar necessidades (30%) e o desenvolvimento de modelos mais ágeis de governança (28%). No Brasil, investir em times de gestão de risco (29%) e criar modelos de governança mais ágeis (29%) aparecem como prioridades.

“O desafio é desenvolver um ambiente de dados seguro, blindado contra fraudes e ataques cibernéticos e com informações integradas. Esse deve ser um objetivo a ser perseguido pelas organizações, inclusive no Brasil. É um passo indispensável para que as empresas avancem em maturidade analítica e capacidade preditiva”, avalia Caroline Yokomizo, sócia-líder de soluções de Finance Transformation.

O estudo também aponta para a consolidação do CFO como líder estratégico, especialmente quando há adoção de soluções em nuvem e inteligência artificial. Mais da metade dos executivos consultados já exerce influência direta nas decisões estratégicas, impulsionada pelo avanço das iniciativas digitais.

“CFOs que desempenham esse papel duplo, o estratégico e o operacional, conseguem ampliar o retorno das iniciativas tecnológicas, fortalecer a governança e criar uma visão integrada capaz de orientar a empresa em cenários complexos”, explica Caroline Yokomizo.

No uso de IA, 63% dos entrevistados afirmam já ter implementado integralmente a tecnologia e utilizá-la ativamente. Apesar disso, apenas 21% relatam geração de valor claro e mensurável a partir desses investimentos. Entre os que já percebem resultados, 14% integraram agentes de IA em áreas específicas da função financeira.

“Os principais casos de uso de IA nas empresas surgiram inicialmente em interações com clientes, especialmente em atendimento e experiência do consumidor. Atualmente, observa-se que áreas corporativas - como finanças, RH e contabilidade - estão também sendo priorizadas, e desenvolvendo maior maturidade digital, ampliando progressivamente o uso de soluções de IA e agentes inteligentes em seus processos”, avalia Caroline Yokomizo.

Os custos associados ao consumo de dados, ao uso de modelos de IA e à operação em nuvem ainda representam desafios relevantes, sobretudo no Brasil, onde sistemas legados elevam despesas e dificultam integrações. Segundo o relatório, a fragmentação das iniciativas digitais limita o potencial de redução de despesas e ganho de produtividade.

A transformação também alcança o perfil das equipes. Para 64% dos respondentes, ao menos uma habilidade técnica é prioridade de desenvolvimento, com destaque para competências em IA, automação, análise de dados e integração de tecnologias.

“O papel do controller e do CFO já está evoluindo para funções ainda mais analíticas e integradas, ampliando sua capacidade de liderar transformações. O Brasil já está na fase inicial nessa jornada e, nos próximos anos, a maturidade digital, a medição de ganhos e a escalabilidade das soluções devem avançar, posicionando o setor financeiro como protagonista de uma nova era de valor, eficiência e estratégia”, afirma Paulo de Tarso, sócio-líder do CFO Program da Deloitte.