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Análise

Indústria química aposta em inovação, baixo carbono e digitalização para crescer em 2026

Setor químico brasileiro deve priorizar rentabilidade, logística eficiente e sustentabilidade, com a inteligência artificial e a economia circular ganhando papel estratégico na competitividade das empresas.

26 de fevereiro de 2026

technologist-white-uniform-checking-quality-industrial-production-factorySetor químico brasileiro deve priorizar rentabilidade, logística eficiente e sustentabilidade. (Foto: Freepik)

O setor químico e petroquímico no Brasil passará por uma fase de transição com o objetivo de impulsionar o crescimento dos negócios, inovação, sustentabilidade e inteligência artificial (IA). Essa é a análise do sócio da KPMG no Brasil e líder do setor, Valter Shimidu. Segundo ele, a capacidade de adaptação e o planejamento voltados para resultados de longo prazo podem fazer a diferença para as empresas.

“O recomendado é que as organizações deste setor definam novas estratégias com base nos impactos geopolíticos, compra de insumos e materiais importados, além da demanda do mercado interno e externo. Já para as lideranças, a orientação é investir em transformação tendo em vista os desafios globais. Quanto à adoção da IA, é importante reconhecer o diferencial da inclusão da ferramenta ao negócio para agregar valor e solucionar questões urgentes”, explica.

De acordo com o sócio, a rentabilidade e a logística estão entre os principais desafios do setor neste ano.

“O transporte de produtos químicos exige altos padrões de segurança e os custos logísticos permanecem elevados devido à escassez de contêineres e gargalos nos portos. Para lidar com essas dificuldades, as empresas estão adotando tecnologias como blockchain e digitalização da cadeia de suprimentos, buscando maior eficiência e rastreabilidade. Há oportunidades significativas para fortalecer a indústria nacional, principalmente, por meio de investimentos em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento e políticas públicas que incentivem a competitividade e a sustentabilidade”, explica.

De acordo com Shimidu, a sustentabilidade também se tornou uma prioridade estratégica, devido às regulamentações ambientais, principalmente, da União Europeia, certificações, padrões de segurança, descarbonização da produção e o desenvolvimento de soluções químicas mais limpas.

"Existe um custo para as empresas implementarem efetivamente os fatores ESG, especialmente, para zerar as emissões líquidas e realizar a descarbonização da cadeia de suprimentos. No entanto, esses processos terão que ser feitos e aquelas que avançarem rapidamente rumo a uma transformação liderada pela sustentabilidade poderão obter uma vantagem significativa no mercado”, finaliza.

Principais tendências do setor para este ano:

Química sustentável e baixo carbono: matérias-primas renováveis: adoção de biomassa, bioetanol e fontes vegetais como alternativas ao petróleo; Pegada de carbono como critério competitivo: cadeias de produção mais limpas.

• Desenvolvimento de químicos verdes: maior produção de biopolímeros, solventes ecológicos e produtos de baixa toxicidade.

Economia circular e reaproveitamento de resíduos

• Reciclagem química e química reversa: ênfase na reutilização de plásticos, solventes e subprodutos industriais.
• Integração com cadeias de reciclagem: foco na ecoeficiência na produção.

Digitalização e Indústria 4.0

• Sensores, automação e análise de dados para uma produção mais eficiente e segura.
• Avanços em manutenção preditiva, gêmeos digitais e monitoramento em tempo real.
• Adoção da IA: empresas químicas estão utilizando inteligência artificial para formulações e gestão logística.

Cadeias locais mais fortes e substituição de importações

• Estratégia de reindustrialização: maior nacionalização da produção química e petroquímica.
• Incentivos para pólos industriais integrados: como o Complexo Camaçari (BA) e o Comperj (RJ), com foco em competitividade e infraestrutura.

ESG e pressão regulatória

• Requisitos ambientais rigorosos tanto nacionais quanto para os mercados de exportação.
• Maior transparência nos processos, na rastreabilidade das matérias-primas e no cumprimento das normas ambientais.
• Inclusão da química na taxonomia verde do Brasil e dos principais blocos econômicos.

Pesquisa e Desenvolvimento em Biotecnologia e Novos Materiais

• Avanços em bioquímica industrial: enzimas, biossurfactantes, biopolímeros.
• Pesquisa sobre materiais avançados como polímeros de alta resistência e produtos funcionais para os setores de saúde, cosméticos e alimentos.