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Estudo

Investimentos em infraestrutura devem bater recorde em 2025

As projeções indicam para R$ 280 bilhões, crescimento real de 2,83%, com a iniciativa privada liderando novamente com folga em relação ao setor público.

25 de fevereiro de 2026 por AGÊNCIA EY

gustavo-gusmaoGustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. (Foto: Divulgação)

Os investimentos em infraestrutura devem registrar novo recorde em 2025, totalizando R$ 280 bilhões, de acordo com projeções da nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela EY-Parthenon em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Caso elas se confirmem, o crescimento real será de 2,83% no total de investimentos em infraestrutura. O lado negativo está na queda do investimento público em 11,05%. Desse montante de R$ 280 bilhões, R$ 234,9 bilhões são da iniciativa privada e R$ 45,1 bilhões do setor público.

O estudo realizado semestralmente identifica o ânimo dos empresários do setor de infraestrutura sobre os temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos. O objetivo é oferecer uma contribuição às autoridades públicas e aos agentes institucionais sobre os caminhos para a promoção do desenvolvimento da infraestrutura. As respostas desta edição foram capturadas entre 20 de novembro e 13 de dezembro do ano passado.

“A iniciativa privada ampliou seu protagonismo, respondendo por 84% do total investido. Esse percentual representa a maior participação proporcional de toda a série histórica iniciada em 2010, superando os picos observados em 2022 e 2024”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. “Isso ocorre em um contexto de aperto no orçamento público, que tem fechado no negativo, quase sem espaço para as chamadas despesas discricionárias ou não obrigatórias, como é o caso do investimento em infraestrutura”, completa. Também por esse motivo, o encerramento de 2025 trouxe dúvidas para os investidores. Se por um lado os investimentos em infraestrutura bateram recordes, impulsionados pelo capital privado, por outro, a percepção dos agentes econômicos continuou pressionada por incertezas globais e, principalmente, fiscais, já que o governo federal continua com esse desafio de reverter o déficit público.

No entanto, apesar desse cenário, houve, ainda segundo o estudo, uma melhora no otimismo dos agentes para este primeiro semestre. Isso porque 50,8% das respostas indicaram estabilidade como sentimento predominante – o maior índice da série histórica. Ao mesmo tempo, a percepção otimista retomou a trajetória de crescimento, subindo de 19,3% para 27,1%. A menor porcentagem ficou com pessimistas: 22,1%.

Expectativa alta

O Barômetro mostra que as expectativas para a infraestrutura são positivas para o ano inteiro, com diversos leilões já programados que gerarão bilhões de novos investimentos. “Por outro lado, será necessário criar espaço nos orçamentos públicos, especialmente da União, para que o Estado possa voltar a investir, complementando os investimentos privados via PPPs (Parcerias Público-Privadas)”, observa Gusmão.

Para os próximos seis meses, o levantamento evidencia uma melhora no ânimo dos agentes econômicos. A percepção favorável para a recepção de investimentos não apenas recuperou sua trajetória de alta, como atingiu o pico da série histórica, alcançando 54,2% de representatividade nesta edição. Esse resultado reflete um crescimento de 13,6 pontos percentuais em relação ao semestre anterior, consolidando a visão otimista como a predominante no período. “Paralelamente, houve recuo nas avaliações negativas. A visão de condições futuras desfavoráveis caiu 10,3 pontos percentuais, saindo de 30,7% no primeiro semestre de 2025 para 20,4% na medição atual”, finaliza Gusmão.