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Indústria de bebidas

Ambev amplia margem e ganha share em premium e zero álcool mesmo em ano de retração

Companhia cresce em receita e Ebitda, lidera segmentos de maior expansão e vê 2026 com mais ocasiões de consumo e impulso operacional.

24 de fevereiro de 2026 por LIDE

CFO Guilherme Fleury (1)Guilherme Fleury, CFO da Ambev. (Foto: Divulgação)

A Ambev atravessou um dos anos mais desafiadores para a indústria de cervejas com avanço em eficiência operacional, ganho de participação nos segmentos de maior crescimento e expansão de receita e margem, mesmo diante da retração de volume no mercado brasileiro.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Guilherme Fleury afirmou que 2025 foi internamente classificado como um “teste de estresse”, marcado por retração relevante na indústria sob forte influência do clima.

“O ano de 2025 foi chamado internamente na Ambev de um teste de estresse, com um impacto sobre a indústria e uma retração em volume não vista em uma série longa de dez a doze anos, sob efeito muito forte do clima”, disse.

No Brasil, o volume de cervejas recuou 4,5%, com queda de um dígito alto no segmento core, como Skol e Brahma. O movimento foi parcialmente compensado pela expansão de 17% nas marcas premium, como Corona, Original, Spaten e Stella Artois, e de 30% no zero álcool, com Corona Cero e Budweizer Zero.

Segundo o executivo, 70% do delta da indústria foi explicado pelo clima, com temperaturas mais baixas nas regiões Sudeste e Sul a partir de maio e junho. “Voltamos a exercitar o que é historicamente uma força da Ambev, que é o foco no que a gente controla, protegendo o que é relevante para a geração de valor de longo prazo”, afirmou.

Apesar da retração de 3,3% no volume orgânico consolidado, a receita líquida cresceu 4,0%, apoiada em mix favorável, premiumização e gestão de receitas. O Ebitda avançou 5,6%, com ganho de 50 pontos-base na margem Ebitda ajustada, para 33,4%.

Ainda segundo Fleury, houve impacto maior na frequência e nas ocasiões de consumo do que uma mudança estrutural de comportamento. Diante desse diagnóstico, a companhia decidiu preservar investimentos em marcas, marketing e ações de conexão com consumidores. “Reavaliamos a alocação de recursos olhando para todas as linhas do P&L [o demonstrativo financeiro], como produção industrial e toda a frente logística, de tempo de entrega à distância entre a cervejaria e os mercados consumidores.”

Mesmo com impacto no pagamento de bônus em razão do volume abaixo do esperado, os indicadores de engajamento atingiram nível recorde histórico, de acordo com o CFO.

No quarto trimestre, a expansão dos segmentos premium e zero álcool esteve associada ao desempenho das marcas da empresa, com ganho de market share. A companhia também avançou em inovação, com o lançamento da Skol Zero Zero, sem álcool, zero açúcar, sem glúten e de baixa caloria, reforçando o investimento no segmento core.

“Para nós, é muito claro que ainda existem muitas oportunidades para desenvolver o mercado brasileiro [de cervejas]”, disse o executivo.

Outro exemplo citado foi a Stella Pure Gold, lançada em 2023 e considerada a primeira cerveja sem glúten do país entre as grandes cervejarias, com expansão de 153% em volume em 2025.

“Há oportunidades tanto em aumento da frequência de consumo [de cerveja] como em novas subcategorias, em linha com três tendências”, afirmou Fleury. Entre elas estão a valorização de bebidas fáceis de tomar, a busca por sabores diferenciados e a preferência por produtos sem álcool e de baixa caloria.

Para 2026, a companhia considera o cenário mais favorável, apoiado em impulso demográfico, crescimento de renda em mercados emergentes e eventos que ampliam ocasiões de consumo, como a Copa do Mundo FIFA de 2026. “Haverá mais ocasiões que reúnem as pessoas, em momentos de celebração”, disse.

O CFO ressaltou que o fortalecimento operacional e a estratégia de investimento em marcas seguem como pilares para sustentar crescimento e rentabilidade.