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Entrevista

Fabio Leite diz que DuPont vê transição energética e saneamento como motores de crescimento na América Latina

Novo presidente da DuPont na América Latina afirma que a companhia quer ampliar presença na região com tecnologias voltadas à economia verde, água e saúde.

11 de março de 2026 por Revista LIDE

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Fabio Leite, presidente da DuPont na América Latina. (Foto: Divulgação)

A chegada de Fabio Leite à presidência da DuPont na América Latina marca o início de um novo capítulo para a companhia na região. Após mais de duas décadas de trajetória interna, iniciada como estagiário em 2003, o executivo passa a liderar as operações latino-americanas em um contexto de reposicionamento estratégico global, fortalecimento da agenda de sustentabilidade e busca por crescimento com foco tecnológico.

Brasileiro, engenheiro eletricista de formação, Leite ocupava anteriormente a presidência da DuPont Brasil e a diretoria de Facilities nas Américas. Ao longo de sua carreira, esteve à frente de projetos de expansão industrial, transformação operacional e integração de portfólio, além de liderar iniciativas voltadas à eficiência, segurança e excelência operacional em diferentes unidades da companhia.

Liderança construída de dentro para fora

A nomeação simboliza mais do que uma promoção executiva: representa uma trajetória construída integralmente dentro da organização. Aos 44 anos, Leite acumula experiências no Brasil e nos Estados Unidos, transitando por áreas técnicas, gestão de projetos, consultoria interna e liderança estratégica. Sua formação inclui mestrado em Engenharia Elétrica pela USP, MBA pela Universidade de Pittsburgh Katz e especialização em Gerenciamento de Operações pelo MIT — combinação que reforça um perfil técnico com visão de negócios e gestão global.

Ao refletir sobre sua jornada, o executivo destaca o propósito que o acompanhou desde o início da carreira. “Minha trajetória na DuPont começou com um objetivo simples: ser um engenheiro no sentido mais literal da palavra: alguém que constrói, que transforma ideias em soluções concretas e consegue ver sua contribuição no resultado final. Esse senso de realização, de ver impacto tangível no que se faz, segue sendo um norte importante do meu estilo de liderança.”

Segundo o executivo, liderar vai além da entrega de resultados operacionais. “As pessoas precisam se inspirar em algo maior para sair de casa todos os dias com motivação. Liderar, nesse sentido, é um privilégio, mas também uma grande responsabilidade: criar contexto, direção e significado.”

O executivo também ressalta que o crescimento dentro da companhia esteve associado à curiosidade, à mobilidade entre áreas e à construção de relações de longo prazo — elementos que moldaram sua visão de liderança baseada em valores, consistência e impacto.

América Latina no centro da transformação

A nova gestão começa em um momento estratégico para a DuPont. Globalmente, a companhia vem acelerando a transformação de seu portfólio, com foco em tecnologias voltadas à sustentabilidade, produtividade industrial e soluções de alto valor agregado.
Para Leite, a América Latina ocupa posição relevante nesse movimento. “Neste início de gestão, o foco é posicionar a América Latina para capturar as oportunidades associadas à transformação do portfólio global da DuPont, cada vez mais alinhado às agendas de sustentabilidade e produtividade.”

A região combina desafios estruturais — infraestrutura, saneamento e transição energética — com oportunidades ligadas à chamada economia verde.

“A América Latina se insere nesse contexto como uma região que combina desafios estruturais importantes com uma janela concreta de investimento na chamada economia verde. Transição energética, novas soluções de saneamento e tecnologias de proteção criam um ambiente fértil para inovação aplicada.” Mais do que desenvolver tecnologia, o desafio está na execução. “É uma região que demanda tecnologia, mas, sobretudo, capacidade de execução, que é transformar ciência em soluções que funcionem no mundo real.”

Um novo momento para a companhia na região

Com atuação global em mercados como eletrônicos, transporte, construção, água, saúde e segurança do trabalhador, a DuPont reforça sua aposta na América Latina como vetor de crescimento e inovação aplicada. A liderança de Fabio Leite combina conhecimento técnico, experiência internacional e profundo entendimento da cultura organizacional — ativos considerados estratégicos para conduzir a companhia em um ambiente cada vez mais complexo e competitivo.

Em um cenário marcado por transição energética, reindustrialização e busca por maior produtividade com menor impacto ambiental, a região passa a ocupar papel central na estratégia global da empresa.

A companhia atua em setores essenciais como eletrônicos, transporte, construção, água, saúde e segurança do trabalhador. Quais dessas frentes devem ganhar maior relevância na região nos próximos anos?

Vejo três frentes com tração clara, tanto pelas demandas da região quanto pelas prioridades estratégicas da DuPont.

Economia verde e transição energética: A aceleração de investimentos ligados à eletrificação (como a chegada de novas montadoras à América Latina) abre espaço para a DuPont contribuir com materiais e soluções ao longo das cadeias de fornecimento, apoiando eficiência, desempenho e sustentabilidade.

Água e saneamento: Trata se de uma demanda estrutural. A DuPont possui tecnologias que viabilizam estações de tratamento mais compactas, eficientes e modulares, que fazem melhor uso do solo urbano e podem ser instaladas mais próximas dos pontos de consumo de água e geração de esgoto, reduzindo custos e aumentando eficiência.

Saúde e proteção: Além das soluções tradicionais de segurança para ambientes industriais e comerciais, destaco o portfólio de healthcare. Ele endereça temas críticos como segurança do paciente e proteção do profissional de saúde, por meio de aplicações em embalagens farmacêuticas, dispositivos médicos e equipamentos de proteção individual, garantindo qualidade, esterilidade e confiabilidade em ambientes farmacêuticos e hospitalares.

Inovação e sustentabilidade são pilares históricos da DuPont. Como esses dois eixos se conectam às demandas específicas dos mercados latino-americanos?

Inovação e sustentabilidade se conectam quando se tornam critérios concretos de decisão para o cliente: quando elevam desempenho, reduzem riscos e geram valor de forma perceptível.

Na América Latina, isso se traduz em apoiar setores em saltos estruturais de produtividade e eficiência, por meio de tecnologias para saneamento, materiais voltados à transição energética e soluções que promovem ambientes farmacêutico hospitalares mais seguros e confiáveis. São demandas reais, que combinam desafios históricos com oportunidades claras de impacto.

A pandemia reforçou esses aprendizados, especialmente em países que enfrentaram limitações no acesso a insumos críticos e vacinas. Nesse contexto, apoiar a modernização de fábricas de vacinas e de insumos de saúde na região é uma aplicação direta da inovação para atender a uma necessidade estratégica e estrutural da América Latina.

A indústria regional enfrenta desafios ligados à produtividade, descarbonização e resiliência das cadeias produtivas. Como a DuPont pode apoiar seus clientes nesse contexto?

O Brasil enfrenta um desafio estrutural de produtividade, que passa pela qualificação da mão de obra, por uma estrutura tributária complexa e por juros elevados, que penalizam produtos industrializados de maior valor agregado. Apoiar clientes nesse contexto exige reconhecer que os desafios são simultâneos: produzir mais, melhor e com menor intensidade de capital.

Tecnologias aplicadas ao saneamento são um bom exemplo. Elas permitem melhor uso do solo urbano, reduzindo necessidade de desapropriações, por exemplo, consomem menos energia ao encurtar distâncias de bombeamento e reduzir perdas, diminuem custos operacionais e demandam menos mão de obra intensiva, priorizando profissionais especializados e possibilitando operação remota.

A descarbonização e a resiliência das cadeias de suprimento, além de desafios globais, representam oportunidades para países como o Brasil e a América Latina, ricos em recursos naturais e capacidades industriais. Vejo, por exemplo, a ampliação do uso de adesivos estruturais na substituição de soldas e rebites em automóveis e ônibus como um caminho para reduzir peso, aumentar eficiência energética e contribuir para a descarbonização.

Ao mesmo tempo, apoiar a construção e a modernização de fábricas de vacinas, com a adoção de tecnologias de proteção como Tyvek e Tychem, é um elemento-chave para fortalecer a resiliência das cadeias de suprimento em saúde, um tema cada vez mais estratégico.

Olhando para o médio prazo, qual é a visão do senhor para o futuro da DuPont na América Latina e que legado pretende construir à frente da operação regional?

Com quase 700 milhões de habitantes, a América Latina é um mercado grande, diverso e altamente urbanizado, mas que ainda enfrenta desafios estruturais relevantes. No médio prazo, quero que a DuPont na região seja reconhecida como uma parceira valiosa na capitalização das fortalezas regionais, promovendo desenvolvimento e uma economia mais sustentável.

A ambição é capturar oportunidades em áreas como transição energética, saneamento, saúde e proteção, consolidando esses temas como vetores consistentes de crescimento.

Em termos de legado, três pontos se destacam. Primeiro, conexão com clientes: traduzir ciência e tecnologia em resultados mensuráveis em temas críticos para a região. Segundo, cultura forte: operar com padrões elevados, ética inegociável e um ambiente em que as pessoas se sintam parte de um propósito maior. Terceiro, melhoria contínua: aprender rápido, elevar o padrão e transformar conhecimento em excelência operacional, base fundamental para aumentar produtividade, reduzir variabilidade e competir melhor em um contexto que exige maior industrialização.