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Saneamento básico é segmento favorito de infraestrutura para receber investimentos

Estudo da EY e da Abdib aponta que quase 50% dos executivos do setor consideram que haverá aumento da intenção de investimento em saneamento nos próximos três anos.

09 de março de 2026 por AGÊNCIA EY

Gustavo Gusmão EYGustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. (Foto: Divulgação)

O segmento de saneamento básico ocupa a liderança em termos de intenção de investimento nos próximos três anos em infraestrutura, de acordo com estudo da EY-Parthenon realizado em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Quase metade dos entrevistados (49,2%) deram essa resposta, seguida de rodovias, com 47,8%; energia elétrica, com 38,5%; ferrovias, com 32,8%; mobilidade urbana, com 30,4%; e petróleo, com 25,8%. As respostas do Barômetro da Infraestrutura, levantamento de periodicidade semestral, foram capturadas entre 20 de novembro e 13 de dezembro do ano passado.

“Na edição passada, o segmento de rodovias apareceu na liderança com saneamento logo depois. Esses segmentos permanecem próximos, com uma diferença de apenas 1,4 ponto percentual”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. Apesar da inversão entre o primeiro e segundo colocados, ambos os segmentos, além de energia elétrica, reúnem pela sétima edição consecutiva do estudo a maior parte das expectativas de expansão de investimentos para o próximo triênio.

Na comparação com o semestre anterior, as expectativas dos empresários para o setor de mobilidade urbana foram potencializadas, atingindo 30,4% das respostas, ante 24,3% na publicação anterior. O estudo ressalta que, de acordo com o pipeline de projetos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o ano de 2026 deve apresentar negociações importantes no âmbito dos dois primeiros colocados em intenção de investimento, com três leilões previstos para saneamento e quatro para rodovias, dando continuidade à movimentação observada em 2025.

“O BNDES também demonstra disposição em transformar o segmento da mobilidade urbana. Talvez vejamos por parte do governo a proposição de um novo marco legal para a mobilidade urbana nos mesmos moldes do que foi feito com o saneamento básico”, afirma Gusmão. Ainda segundo o executivo, as regiões metropolitanas têm enorme potencial para receber esses investimentos, com destaque para a integração dos modais de transporte. “Esse tipo de investimento não dá para fazer somente com capital privado. Ao mesmo tempo, estados e municípios não têm condições financeiras de tocar sozinhos esses projetos, precisando de repasse do governo federal. Para fazer as linhas de metrô, por exemplo, o modelo de PPPs (Parcerias Público-Privadas) tem se consolidado, especialmente em São Paulo”, completa.

Efetividade dos entes federativos

O estudo também mensurou a percepção sobre a efetividade da atuação dos governos federal, estaduais e municipais enquanto agentes viabilizadores de investimentos no setor de infraestrutura. Houve melhora da performance da União, enquanto os demais entes federativos não apresentaram variações expressivas, mantendo-se em patamares similares aos do semestre passado. “O destaque ficou com a aproximação das avaliações da União e dos estados”, diz Gusmão.

Quando questionados sobre o grau de concretização das expectativas em relação ao cenário para a promoção de investimentos nos últimos seis meses, os entrevistados tiveram como percepção predominante (74,6%) a de “parcialmente alcançadas”.

“Esse resultado representa uma redução em relação aos 84,9% apurados na edição anterior, movimento que não denota piora, mas uma migração para avaliação mais positiva”, explica Gusmão. Isso porque a compreensão de que a promoção dos investimentos esperados foi concretizada em sua completude cresceu 8,3 pontos percentuais em relação à última edição, chegando a 14,7% – ante 6,4% no levantamento anterior. Por fim, a visão de que os investimentos “não se concretizaram em nada” permaneceu praticamente estável, variando de 7,1% para 7%.