Saneamento básico é segmento favorito de infraestrutura para receber investimentos
Estudo da EY e da Abdib aponta que quase 50% dos executivos do setor consideram que haverá aumento da intenção de investimento em saneamento nos próximos três anos.
Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. (Foto: Divulgação)
O segmento de saneamento básico ocupa a liderança em termos de intenção de investimento nos próximos três anos em infraestrutura, de acordo com estudo da EY-Parthenon realizado em parceria com a Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Quase metade dos entrevistados (49,2%) deram essa resposta, seguida de rodovias, com 47,8%; energia elétrica, com 38,5%; ferrovias, com 32,8%; mobilidade urbana, com 30,4%; e petróleo, com 25,8%. As respostas do Barômetro da Infraestrutura, levantamento de periodicidade semestral, foram capturadas entre 20 de novembro e 13 de dezembro do ano passado.
“Na edição passada, o segmento de rodovias apareceu na liderança com saneamento logo depois. Esses segmentos permanecem próximos, com uma diferença de apenas 1,4 ponto percentual”, diz Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura. Apesar da inversão entre o primeiro e segundo colocados, ambos os segmentos, além de energia elétrica, reúnem pela sétima edição consecutiva do estudo a maior parte das expectativas de expansão de investimentos para o próximo triênio.
Na comparação com o semestre anterior, as expectativas dos empresários para o setor de mobilidade urbana foram potencializadas, atingindo 30,4% das respostas, ante 24,3% na publicação anterior. O estudo ressalta que, de acordo com o pipeline de projetos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o ano de 2026 deve apresentar negociações importantes no âmbito dos dois primeiros colocados em intenção de investimento, com três leilões previstos para saneamento e quatro para rodovias, dando continuidade à movimentação observada em 2025.
“O BNDES também demonstra disposição em transformar o segmento da mobilidade urbana. Talvez vejamos por parte do governo a proposição de um novo marco legal para a mobilidade urbana nos mesmos moldes do que foi feito com o saneamento básico”, afirma Gusmão. Ainda segundo o executivo, as regiões metropolitanas têm enorme potencial para receber esses investimentos, com destaque para a integração dos modais de transporte. “Esse tipo de investimento não dá para fazer somente com capital privado. Ao mesmo tempo, estados e municípios não têm condições financeiras de tocar sozinhos esses projetos, precisando de repasse do governo federal. Para fazer as linhas de metrô, por exemplo, o modelo de PPPs (Parcerias Público-Privadas) tem se consolidado, especialmente em São Paulo”, completa.
Efetividade dos entes federativos
O estudo também mensurou a percepção sobre a efetividade da atuação dos governos federal, estaduais e municipais enquanto agentes viabilizadores de investimentos no setor de infraestrutura. Houve melhora da performance da União, enquanto os demais entes federativos não apresentaram variações expressivas, mantendo-se em patamares similares aos do semestre passado. “O destaque ficou com a aproximação das avaliações da União e dos estados”, diz Gusmão.
Quando questionados sobre o grau de concretização das expectativas em relação ao cenário para a promoção de investimentos nos últimos seis meses, os entrevistados tiveram como percepção predominante (74,6%) a de “parcialmente alcançadas”.
“Esse resultado representa uma redução em relação aos 84,9% apurados na edição anterior, movimento que não denota piora, mas uma migração para avaliação mais positiva”, explica Gusmão. Isso porque a compreensão de que a promoção dos investimentos esperados foi concretizada em sua completude cresceu 8,3 pontos percentuais em relação à última edição, chegando a 14,7% – ante 6,4% no levantamento anterior. Por fim, a visão de que os investimentos “não se concretizaram em nada” permaneceu praticamente estável, variando de 7,1% para 7%.