Produção nacional do caça F-39E Gripen atrai R$ 108 bi e impulsiona a Base Industrial de Defesa
Com linha de crédito de R$ 108 bilhões do BNDES para inovação, montagem nacional de 15 aeronaves para a FAB consolida a Base Industrial de Defesa e gera 12 mil empregos diretos e indiretos.
A apresentação do primeiro caça F-39E Gripen produzido no Brasil, realizada nesta quarta-feira (25) em Gavião Peixoto (SP), vai muito além de um marco para a segurança do espaço aéreo. O projeto, fruto da joint venture estratégica entre a Embraer e a sueca Saab, consolida-se como um motor decisivo para a economia brasileira, com forte injeção de capital, geração de milhares de empregos e atração de tecnologia de ponta para o mercado nacional.
Ao dominar o ciclo de produção de uma aeronave de combate de alta complexidade — um feito inédito na América Latina —, o Brasil fortalece sua Base Industrial de Defesa (BID) e insere a indústria nacional em uma cadeia global de suprimentos de altíssimo valor agregado.
Com linha de crédito de R$ 108 bilhões do BNDES para inovação, montagem nacional de 15 aeronaves para a FAB consolida a Base Industrial de Defesa. (Foto: Agência Brasil)
Os Números por Trás do Projeto Gripen
O impacto da transferência de tecnologia e da nacionalização da montagem já reflete diretamente nos indicadores econômicos e no mercado de trabalho tecnológico do país:
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R$ 108 bilhões para Inovação: Para dar suporte macroeconômico a avanços desse porte, o governo federal, por meio do BNDES, disponibilizou esta linha de crédito massiva voltada exclusivamente para projetos de inovação. Como destacou o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin: “A indústria de defesa é um seguro para a soberania nacional, além de vanguarda do desenvolvimento industrial”.
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12 mil postos de trabalho: O programa já demonstra seu peso socioeconômico ao gerar mais de 2 mil empregos diretos e cerca de 10 mil indiretos. A produção exige e absorve capital humano altamente qualificado, movimentando o setor de engenharia e tecnologia no Brasil.
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15 aeronaves "Made in Brazil": Do pacote total de 36 caças adquiridos pela Força Aérea Brasileira (FAB), 15 terão sua produção concluída em instalações brasileiras. Isso significa a retenção de investimentos no país e o fomento direto a uma rede de fornecedores locais.
Do pacote total de 36 caças adquiridos pela Força Aérea Brasileira (FAB), 15 terão sua produção concluída em instalações brasileiras. (Foto: Divulgação)
Posicionamento de Mercado: Do Caça ao "Carro-Voador"
A cerimônia, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também serviu como vitrine para os próximos passos do mercado aeroespacial brasileiro. Durante a visita técnica, foi apresentado o protótipo do eVTOL (veículo aéreo 100% elétrico de decolagem e pouso vertical).
Desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, o popular "carro-voador" insere o Brasil na corrida por um mercado global de mobilidade aérea urbana que tem potencial para movimentar bilhões de dólares nas próximas décadas, atraindo investidores do mundo todo.
O avanço tecnológico trazido pelo Gripen, somado ao desenvolvimento de inovações disruptivas como o eVTOL, não apenas reduz a dependência comercial de fornecedores estrangeiros, mas reposiciona estrategicamente o Brasil. Segundo o ministro da Defesa, José Múcio, a iniciativa permite ao país se consolidar como o maior polo produtor da América Latina, criando um ambiente altamente favorável para novos negócios e exportações no setor aeroespacial e de defesa.