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Energia

Brasil tem “arma secreta” contra crise do petróleo, diz The Economist

Biocombustíveis e frota flex reduzem impacto da alta global dos combustíveis no país.

27 de março de 2026 por LIDE

Usina-de-cana-de-acucar-e-etanol-da-TereosRevista britânica  destaca que o Brasil possui uma das indústrias de biocombustíveis mais sofisticadas do planeta. (Foto: Divulgação Tereos)

O Brasil conta com uma “arma secreta” para enfrentar a disparada dos preços do petróleo em meio à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, segundo a revista britânica The Economist. De acordo com a publicação, o país está mais preparado do que a maioria das economias globais devido à sua indústria de biocombustíveis

A reportagem destaca que o Brasil possui uma das indústrias de biocombustíveis “mais sofisticadas do planeta”, o que ajuda a mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre a economia. Além disso, cita o papel da Petrobras na absorção de custos, ao mesmo tempo em que ressalta a competitividade do etanol e do biodiesel.

O país é o segundo maior produtor de etanol do mundo e o terceiro maior de biodiesel. A publicação também aponta que cerca de três quartos dos veículos leves brasileiros são flex, ou seja, podem ser abastecidos com álcool ou gasolina, o que reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e protege contra oscilações externas.

Mesmo com a pressão internacional, a alta dos combustíveis no Brasil foi inferior à observada em outros mercados. Segundo a revista, os preços subiram entre 10% e 20% no país, enquanto nos Estados Unidos o avanço ficou entre 30% e 40%.

Ainda assim, os impactos já começam a ser sentidos. A elevação do diesel, por exemplo, chegou a alimentar a expectativa de uma greve de caminhoneiros, posteriormente descartada. Como o transporte de cargas no Brasil é majoritariamente rodoviário, o aumento do diesel pode gerar efeitos em cadeia sobre os preços de diversos produtos.

À The Economist, o presidente da Unica, Evandro Gussi, afirmou que “esta não é a primeira vez que os biocombustíveis protegem o Brasil”. Segundo ele, o país investe no setor desde a criação do Proálcool, após a crise do petróleo de 1973, e com o lançamento dos primeiros carros flex, em 2003.

A revista também aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um defensor dos biocombustíveis, vistos como uma forma de fortalecer a soberania energética, reduzir emissões e apoiar produtores rurais.

Apesar das vantagens, especialistas alertam para limitações. À publicação, Mário Campos, da Bioenergia Brasil, afirmou que os biocombustíveis não eliminam totalmente os efeitos da alta do petróleo. Segundo ele, a elevação do gás natural pode encarecer fertilizantes, impactando a produção, embora o cenário global também abra oportunidades para o setor.

Crédito: Infomoney