Elias José Zydek, CEO da Frimesa. (Foto: Divulgação)
A cooperativa paranaense Frimesa projeta mais do que dobrar seu faturamento até 2032, com meta de atingir R$ 15 bilhões. Segundo a Bloomberg Línea, a estratégia combina expansão na suinocultura com avanço em produtos de maior valor agregado, mantendo também a atuação no segmento de lácteos.
De acordo com o presidente e CEO, Elias José Zydek, a companhia também pretende ampliar sua presença em mercados como São Paulo, especialmente na região metropolitana, além do Sul do país e regiões onde ainda tem menor penetração.
O plano estratégico mantém um dos pilares do modelo cooperativista da empresa: operar com margens reduzidas para sustentar a base produtiva e os cooperados. “Nosso objetivo não é ter 5%, 10% de lucro no fim do ano. Eu distribuo o resultado ao longo da cadeia”, afirmou o executivo, destacando margens próximas de 3%.
Fundada no fim da década de 1970, em Medianeira (PR), a Frimesa concentra a etapa industrial da cadeia, processando matéria-prima fornecida por cooperativas como C.Vale, Copacol, Lar, Primato e Copagril. Esse modelo sustenta uma estratégia de crescimento orgânico, sem aquisições.
Zydek, que atua na empresa há mais de quatro décadas, avalia que o setor passa por um processo de consolidação. “Hoje, as quatro empresas das quais a Frimesa faz parte abatem 80% dos suínos no Brasil. A tendência é que o país fique com oito a dez empresas (...) ou você cresce ou desaparece”, disse.
Atualmente, a Frimesa é a quarta maior empresa em carne suína no país, atrás de Seara, Aurora e MBRF. O segmento responde por 76% do faturamento total, com destaque para produtos industrializados, que representam 45,5%. Já os lácteos correspondem a 22,5% da receita.
A cooperativa pretende ampliar sua participação no mercado nacional de carne suína de 8,5% para cerca de 14% até 2032. A produção diária, que praticamente triplicou desde 2015, deve alcançar cerca de 23 mil animais por dia até o fim do período.
Grande parte da base industrial já foi concluída. A empresa investiu R$ 1,35 bilhão em sua principal planta frigorífica e prevê cerca de R$ 650 milhões adicionais até o fim da década, principalmente em equipamentos e ajustes operacionais. Entre 65% e 68% do plano já foi executado.
Segundo Zydek, a companhia entra agora em uma nova fase, com menor foco em expansão industrial e maior ênfase em execução comercial e ganho de mercado. “O grande investimento já está feito. Agora é mercado”, afirmou.
A estratégia ocorre em um cenário mais desafiador. A empresa relata impactos indiretos da guerra no Oriente Médio, com aumento de custos logísticos e de embalagens, além de demanda mais fraca no início do ano, com vendas cerca de 6% abaixo do planejado.
No mercado externo, a valorização do real também tem reduzido a atratividade das exportações de carne suína. Atualmente, cerca de 30% da receita vem de operações internacionais, com presença em 38 países.
Diante desse contexto, a Frimesa vem ajustando seu portfólio, reduzindo produtos mais básicos e ampliando a oferta de itens processados e de maior valor agregado. A estratégia inclui ainda adaptação a tendências de consumo, com maior foco em proteína e movimentos iniciais de redução de açúcar.
Além do plano de crescimento, a cooperativa anunciou um rebranding, com nova identidade visual voltada a aumentar a visibilidade da marca no ponto de venda e diferenciá-la da concorrência.