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Agronegócio

Produção familiar de leite vira marca premium e Rocca projeta faturar R$ 32 milhões

Criada em uma fazenda no sul de Minas Gerais, fabricante de doce de leite aposta em expansão industrial, alimentos premium e exportação para acelerar crescimento.

28 de maio de 2026 por LIDE

Fazendo RoccaCriada em 2014 no sul de Minas, a Rocca produz aproximadamente duas toneladas de doce de leite por dia. (Foto: Divulgação)

Em meio aos desafios históricos da cadeia leiteira, como margens apertadas e custos elevados, uma família do sul de Minas Gerais decidiu transformar a produção da fazenda em uma marca própria de doce de leite premium. O movimento deu origem à Rocca, empresa criada em 2014 e que projeta faturar R$ 32 milhões neste ano.

Em reportagem publicada pela Bloomberg Línea, os fundadores Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo contaram como a marca nasceu na Fazenda Zé Pequeno, em Pouso Alegre (MG), a partir da tentativa de agregar valor à produção leiteira da família.

Os pais de Rosi atuam há mais de 60 anos na atividade e já forneceram leite para grandes indústrias do setor, como a Vigor. Com o aumento dos custos operacionais e a pressão sobre as margens do mercado, a família passou a buscar alternativas de maior valor agregado dentro da própria fazenda.

“Vimos uma oportunidade de sair da commodity do leite e transformar aquilo em marca”, afirmou Rosi Barbosa à Bloomberg Línea. Segundo ela, o segmento de doce de leite ainda era pouco explorado sob a lógica de branding e posicionamento premium.

A Rocca nasceu com investimento inicial de cerca de R$ 20 mil, utilizado na compra do primeiro tacho para produção. Segundo Raphael Figueiredo, o casal iniciou a operação praticamente sem experiência industrial e sem capital de giro.

“Compramos o tacho sem saber fazer doce de leite”, contou o fundador. A formulação do produto levou cerca de um ano até chegar à receita final, feita apenas com leite e açúcar, sem espessantes ou ingredientes artificiais.

Hoje, a empresa produz aproximadamente duas toneladas de doce de leite por dia em uma operação que reúne curral, fábrica e escritório dentro da própria fazenda da família. A companhia conta com cerca de 40 funcionários.

Em 2025, a Rocca faturou R$ 24 milhões e operou com margem Ebitda próxima de 38%, segundo os fundadores. A expansão da marca acompanha o crescimento do mercado de alimentos premium e artesanais no Brasil.

Os produtos já estão presentes em redes como Pão de Açúcar, St Marche, Swift, Casa Santa Luzia, Oba Hortifruti e VerdeMar, com maior concentração na região Sudeste.

Além da versão tradicional, a empresa ampliou o portfólio com sabores como café, pistache, avelã e cacau. A Rocca também expandiu sua atuação para o segmento de foodservice, atendendo especialmente sorveterias.

A empresa fornece produtos para redes como The Best e passou a desenvolver collabs com marcas do setor. Segundo os fundadores, a entrada no mercado de sorvetes ajudou a reduzir a sazonalidade típica do consumo de doces, geralmente mais forte no inverno.

Ao mesmo tempo em que expandia a fábrica, a família iniciou uma modernização da operação leiteira. Romero Barbosa, irmão mais novo de Rosi e engenheiro agrônomo, tornou-se sócio da produção de leite e liderou mudanças no manejo do rebanho.

Há cerca de cinco anos, a fazenda adotou o sistema de compost barn, modelo de confinamento voltado ao conforto térmico e ao aumento de produtividade das vacas. A estrutura inclui ventilação, umidificação e manejo adaptado ao gado holandês.

Segundo a empresa, a produtividade saltou de cerca de 11 litros por vaca para aproximadamente 35 litros diários por animal após a implementação do sistema.

Hoje, o rebanho soma cerca de 100 cabeças, sendo aproximadamente 50 vacas em lactação. A produção diária passou de cerca de 170 litros para 1.500 litros de leite.

Mesmo assim, a produção própria ainda representa apenas parte da demanda da fábrica. A Rocca processa atualmente entre 5 mil e 10 mil litros de leite por dia e também compra matéria-prima de produtores da região.

Os investimentos na operação leiteira somaram aproximadamente R$ 1 milhão nos últimos anos, incluindo infraestrutura e genética animal.

A expansão industrial também exigiu novos aportes. A empresa passou de um único tacho de 150 litros para quatro equipamentos de 2 mil litros cada. No fim de 2024, a Rocca investiu cerca de R$ 2 milhões em novos equipamentos, caldeira e ampliação da fábrica.

Agora, a companhia busca obter o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), etapa considerada estratégica para iniciar exportações. Os primeiros mercados no radar da empresa são Chile, Portugal e Estados Unidos.

“Sempre pensamos em aumentar o chão de fábrica e continuar com a mesma receita para os produtos, mantendo a mesma simplicidade”, afirmou Raphael Figueiredo.