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Oportunidades e riscos

Executivos consideram que Brasil pode se beneficiar da geopolítica para avançar nos minerais críticos

Com o país fora dos principais conflitos, aumentam, de acordo com estudo da EY, a visibilidade e o papel estratégico da produção brasileira desses minerais que se mostram essenciais para a economia mundial.

28 de maio de 2026 por AGÊNCIA EY

afonso sartorioAfonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY. (Foto: Divulgação)

Mais de seis em cada dez executivos (62%) atuantes no Brasil em mineração e metais consideram que a geopolítica está entre as dez principais oportunidades e riscos do setor para este ano, de acordo com o estudo global “Top 10 business risks and opportunities for mining and metals”, elaborado pela EY. O entendimento é que, com o país fora dos principais conflitos, aumentam a visibilidade e o papel estratégico da produção brasileira desses minerais que se mostram essenciais para a economia mundial nos próximos anos.

“O Brasil é bem diversificado em minerais críticos, que são fundamentais para a transição energética e para o avanço da infraestrutura de inteligência artificial. O país ainda conta com predomínio de energia limpa. O que deve ser discutido é como viabilizar esses projetos para industrializar o Brasil nos produtos que utilizam esses minerais, agregando valor em cadeias produtivas de enorme potencial”, diz Afonso Sartório, líder de Energia e Recursos Naturais da EY. Ainda segundo o executivo, há necessidade de investimento em pesquisas minerais porque esses projetos não são simples de serem viabilizados, considerando inclusive que os teores de minerais críticos na exploração costumam ser baixos. “Nesse contexto, é desejável mobilização nacional por meio de uma política de governo específica que estimule esses investimentos, gerando os incentivos adequados para o setor privado”, completa.

Na visão de Marcelo Andrade, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon, o momento exige cuidado para que o Brasil não se envolva em embates que possam fechar portas com potenciais parceiros. “Afinal de contas, o desenvolvimento da indústria de minerais críticos depende de articulações bilaterais ou multilaterais entre os países, garantindo a demanda por essa produção”, analisa. “É preciso cautela diplomática, mas também visão estratégica, já que os minerais críticos ocupam papel central para o desenvolvimento de indústrias centrais na nova economia”, completa.

O capital global, ainda segundo Andrade, tem elevado o peso dos critérios geopolíticos nas decisões de alocação, priorizando ativos localizados em jurisdições consideradas geopoliticamente alinhadas. “O Brasil se diferencia nesse caso, representando um porto seguro para o capital internacional, já que está localizado fora de zonas de conflito, além de contar com as vantagens já citadas, como matriz energética predominantemente limpa e reservas pouco exploradas de minerais críticos”, observa.

Priorização das áreas já exploradas

Quando perguntados sobre opções de investimento, ainda de acordo com o estudo da EY, 36% dos executivos atuantes no Brasil apontam para desenvolvimento brownfield, ou seja, projetos desenvolvidos em áreas com infraestrutura existente, minas em operação ou depósitos já conhecidos, e 34% sinalizam M&As.

“A preferência é por áreas já exploradas, em vez da abertura de novas áreas, o que se mostra mais econômico em um momento de dificuldade de acesso ao capital”, finaliza Andrade. No recorte Brasil, a pesquisa aponta que o acesso ao capital está em primeiro lugar no ranking das dez principais oportunidades e riscos no setor, já que o capital, na visão do mercado, se tornou mais seletivo e, por consequência, mais caro.

Para Sartório, isso se reflete na complexidade operacional, que ficou na quinta posição no ranking dos dez maiores riscos e oportunidades, com 60% das respostas. “Os projetos de mineração estão na casa dos bilhões de dólares e são todos de longo prazo. Há também uma questão de as mineradoras avaliarem muito bem onde construir as minas e demais projetos, já que, além da instabilidade geopolítica, as pressões sociais e ambientais têm sido intensas, com dificuldade principalmente de obtenção da licença para operar”, finaliza.