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Desenvolvimento

Confiança institucional é a chave para atrair capital global

Ao completar 15 anos em Nova York, LIDE Brazil Investment Forum reúne lideranças políticas e empresariais em defesa da previsibilidade econômica, segurança jurídica e estabilidade democrática como pilares do crescimento sustentável brasileiro.

28 de maio de 2026 por LIDE

Photo_Vanessa_Carvalho_lide_nyc_13052025_WILL2173 - CopiaLIDE Brazil Investment Forum reúne lideranças políticas e empresariais em defesa da previsibilidade econômica, segurança jurídica e estabilidade democrática como pilares do crescimento sustentável brasileiro. (Foto: Vanessa Carvalho/ LIDE)

Confiança não é um conceito abstrato no mercado financeiro; é um ativo mensurável. Ao completar 15 anos de história, o LIDE Brazil Investment Forum consolidou-se como o espaço onde essa confiança é moldada. Em Manhattan, o encontro anual deixou de ser apenas uma agenda de apresentações para se tornar o nexo entre o potencial brasileiro e a necessidade de clareza do investidor global.

Para Henrique Meirelles, co-chairman do LIDE e ex-presidente do Banco Central, o capital não aceita o escuro. A previsibilidade é o que separa o investidor especulativo do investidor estrutural. “Ninguém investe onde o futuro é imprevisível. É fundamental que exista essa clareza, e o Brasil hoje já tem condições de oferecer isso aos empresários”, afirma.

Essa busca por estabilidade institucional é o fio condutor das discussões em Nova York, servindo de base para que o país apresente seus projetos de longo prazo com maior assertividade.

Photo_Vanessa_Carvalho_lide_nyc_13052025_VAN_6873Luiz Fernando Furlan, chairman do LIDE. (Foto: Vanessa Carvalho/ LIDE)

Celeiro e solução

A visão de futuro também passa pelo equilíbrio interno. O ex-presidente Michel Temer destaca que a força do desenvolvimento econômico reside na base federativa e na pacificação política. Para ele, o Brasil detém vantagens competitivas naturais que o mundo demanda com urgência.

“Se olharmos para gigantes como Índia e China, vemos populações bilionárias que carecem de recursos básicos, como água. O Brasil é o país mais aquífero e com a maior soma de terras agricultáveis do mundo”, pontua Temer. Ele defende que, para o país assumir seu papel de "celeiro do mundo", é preciso antes pacificar o ambiente interno. “Confiamos na liberdade e na democracia como vetores da nossa inserção permanente no cenário internacional”.

Produtividade e o salto

No campo da execução, Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), traz um diagnóstico pragmático: o crescimento sustentável não será empurrado pelo governo, mas liderado pelo setor privado.

“O governo deve criar as condições, a regulação e a infraestrutura. Mas não conheço um modelo em que um país tenha saído da renda média para a alta apenas com o Estado impulsionando a economia”, alerta Goldfajn. Ele aponta a transição energética — especialmente a cadeia de minerais críticos para baterias — como a grande oportunidade para a América Latina agregar valor local e integrar-se às cadeias globais de suprimento.

Estabilidade institucional

O ambiente de negócios também depende da saúde política em Brasília. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, reforça que a superação da polarização é uma demanda econômica. “O Brasil não pode ser consumido por uma radicalização que não gera resultados. Nosso foco precisa estar em entregas concretas para a sociedade”, afirma, sinalizando o compromisso do Legislativo com uma agenda de resultados.

O exemplo prático: Gerdau

A teoria da internacionalização encontra seu exemplo real na Gerdau. Com operações sólidas nos dois países e celebrando 25 anos de listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), a siderúrgica simboliza a maturidade da empresa brasileira no exterior.

“O fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos é essencial para impulsionar o comércio internacional”, afirma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau. Para a companhia, a presença direta no mercado de capitais norte-americano não é apenas uma fonte de financiamento, mas um compromisso com os mais altos padrões de governança global.