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Indústria automotiva

Novo CEO da Porsche aposta em modelos acima do 911 para elevar margens

Montadora busca aumentar rentabilidade após queda nas vendas na China, pressão de tarifas nos EUA e revisão de planos ambiciosos para veículos elétricos.

11 de março de 2026 por LIDE

michaelleiters2_w555_h555Michael Leiters, CEO da Porsche. (Foto: Reprodução)

A fabricante alemã de carros de luxo Porsche iniciou uma nova estratégia para recuperar margens após um período de pressão sobre os resultados. O novo CEO, Michael Leiters, planeja reduzir custos e lançar modelos posicionados acima do 911 para aumentar a lucratividade, segundo reportagem da Bloomberg.

As medidas buscam enfrentar desafios como tarifas comerciais, queda nas vendas na China e a revisão dos planos considerados excessivamente ambiciosos para veículos elétricos. Ainda assim, a montadora prevê que as vendas deste ano devem cair ligeiramente, para no máximo 36 bilhões de euros (US$ 41,9 bilhões).

A Porsche precisa tomar “decisões difíceis que são necessárias e vitais para lidar com nossa estrutura de custos inchada”, afirmou Leiters. “Devemos aumentar nossas margens de lucro e geração de fluxo de caixa.”

O executivo assumiu o cargo em janeiro, substituindo Oliver Blume, e tenta recuperar o desempenho após um ano considerado difícil para a companhia.

Em 2025, a Porsche saiu do índice de referência DAX da Alemanha depois de reduzir suas projeções quatro vezes, movimento que também afetou a controladora Volkswagen AG. Na terça-feira, a matriz alertou que serão necessários novos cortes de custos para enfrentar o aumento da concorrência.

Segundo a Bloomberg, os investimentos da Porsche devem atingir o pico neste ano e depois cair gradualmente, à medida que a empresa reduz gastos com pesquisa e desenvolvimento, inclusive em veículos elétricos.

Fabricantes como Porsche, Mercedes-Benz Group e BMW concentraram grande parte dos investimentos recentes em sistemas de propulsão totalmente elétricos e agora voltam a ampliar a oferta de modelos híbridos.

As ações da Porsche registravam pouca variação por volta das 9h21 em Frankfurt, após acumularem queda de quase 20% no ano.

A empresa prevê que sua margem operacional alcance pelo menos 5,5% em 2026, após ter ficado em 1,1% no ano passado. O resultado foi pressionado por impostos nos Estados Unidos e por cerca de 2,4 bilhões de euros em encargos ligados à mudança de estratégia para veículos elétricos.

Para melhorar a rentabilidade, a Porsche também pretende simplificar a estrutura interna, com redução de camadas de gestão e de hierarquias.

A montadora estuda ainda ampliar o portfólio com modelos e derivados posicionados acima de seus esportivos de duas portas e do utilitário esportivo Cayenne, como forma de sustentar margens mais elevadas.

A empresa já havia concordado em reduzir o quadro de funcionários em cerca de 3.900 pessoas até o fim da década, incluindo 2.000 trabalhadores temporários. Atualmente, a Porsche emprega aproximadamente 40 mil pessoas.

Na China, as vendas da montadora caíram 26% no ano passado, em meio ao avanço da concorrência local e à desaceleração econômica do país. A crise prolongada do setor imobiliário também tem afetado os gastos com produtos de luxo.

Diante desse cenário, a Porsche vem reduzindo sua rede de concessionárias no país e trabalha para oferecer softwares embarcados nos veículos mais alinhados às preferências do consumidor local.

Outro desafio relevante é o mercado dos Estados Unidos, o maior da empresa em termos individuais. Como todos os veículos vendidos no país são importados, as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump custaram cerca de 700 milhões de euros à Porsche em 2025, segundo a Bloomberg.

As dificuldades levaram a companhia a rever seus planos para veículos elétricos, arquivando ou adiando alguns projetos e ampliando a oferta de modelos com motores a combustão e sistemas híbridos.

A empresa também promoveu mudanças na maior parte dos integrantes de seu conselho e propôs o pagamento de dividendo de 1 euro por ação ordinária e 1,01 euro por ação preferencial, menos da metade do valor distribuído no ano anterior.