Terminal BTG Pactual em Guarulhos amplia capacidade com demanda da alta renda
Operação no aeroporto internacional registra procura acima do previsto e prepara novas experiências, como loja Duty Free exclusiva e curadoria gastronômica assinada por chef estrelado.
Fábio Camargo, CEO do Terminal BTG Pactual. (Foto: Divulgação)
O Terminal BTG Pactual, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, completou seu primeiro ano de operação com demanda acima do projetado e planos de ampliação da experiência para passageiros de altíssima renda, segundo reportagem da Bloomberg Línea.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da operação, Fábio Camargo, afirmou que a capacidade de embarque foi ampliada de 14 para 20 passageiros por hora. Considerando também o desembarque, o terminal processa atualmente 34 movimentos por hora, impulsionado pela procura crescente por serviços premium no aeroporto.
O terminal consolidou ainda um modelo de conexão entre a aviação executiva e voos comerciais internacionais. Passageiros que utilizam jatinhos em trajetos domésticos chegam ao terminal de luxo em Guarulhos e embarcam em voos de longa distância, geralmente em classes executiva ou primeira classe.
Segundo Camargo, entre 30% e 40% dos viajantes que utilizam o terminal vêm de fora da capital paulista, com destaque para Mato Grosso, Campo Grande e a região de Balneário Camboriú. “As pessoas que são nossos clientes não querem mais embarcar por outro lugar”, disse o CEO à Bloomberg Línea.
Modelo de acesso e crescimento da demanda
Operado pela AESA (Aero Empreendimentos S.A.), empresa investida por um fundo de participação (FIP) gerido pelo BTG Pactual, o terminal foi inaugurado em dezembro de 2024 e oferece dois modelos de acesso.
No primeiro, os passageiros pagam pelo uso, com tarifas que vão de US$ 350 para voos domésticos a US$ 590 para voos internacionais. No segundo, há planos de membership com três a 20 créditos de acesso, com valores entre US$ 2.000 e US$ 10.000, de acordo com o site da operação.
Existe ainda o plano All Access, com acesso ilimitado, que possui cotas restritas e atualmente mantém uma fila de espera, segundo Camargo.
De acordo com o executivo, os planos de membership foram criados após a abertura do terminal, quando a operação identificou um padrão de recorrência. Em média, na terceira utilização, o passageiro ocasional opta por adquirir um dos planos. Fevereiro de 2026 registrou o maior número de novos usuários desde a inauguração.
“Abrimos há um ano, ainda é um terminal novo. Há muita gente que não conhece”, afirmou Camargo à Bloomberg Línea.
A rede de companhias aéreas parceiras também vem crescendo e chegou a 22 empresas, com a recente inclusão da Qatar Airways e da TAAG. Uma ausência é a Azul, que concluiu em fevereiro sua saída do Chapter 11 e está temporariamente fora da lista de parceiros.
Procurada pela Bloomberg Línea, a Azul confirmou que não possui parceria com o terminal do BTG Pactual em Guarulhos e destacou que seu principal hub em São Paulo é o Aeroporto de Viracopos, em Campinas.
Expansão e experiência premium
A segunda fase de expansão do terminal foi entregue em 18 de fevereiro, com a conclusão das obras de áreas internas do prédio principal. O investimento incluiu duas novas cozinhas, apontadas por Camargo como o principal gargalo operacional no primeiro ano de funcionamento.
Com a infraestrutura ampliada, o terminal anunciou uma mudança na curadoria gastronômica. O chef Ivan Ralston, do restaurante Tuju, será substituído por Alberto Landgraf, do Oteque, restaurante do Rio de Janeiro que ocupa a 38ª posição no ranking Latin America’s 50 Best Restaurants 2025. Ambos possuem uma estrela Michelin. Landgraf assumirá a curadoria em junho.
A troca faz parte de uma lógica de “curadoria contínua”, segundo Camargo. “O público retorna e a experiência precisa acompanhar esse movimento”, disse o CEO à Bloomberg Línea.
Outra novidade prevista é a abertura de uma loja Duty Free exclusiva. A operação será administrada pela Dufry e terá um portfólio distinto do padrão do aeroporto internacional, com seleção de produtos adaptada ao perfil dos clientes do terminal, além de pré-venda e sistema de encomenda. A data de inauguração ainda não foi divulgada.
O terminal também estuda a criação de um spa permanente. No ano passado, uma experiência temporária foi realizada no jardim central do espaço em parceria com a Swiss International Air Lines e o governo suíço, utilizando uma das raras áreas ao ar livre dentro de um aeroporto internacional, segundo o executivo.
Estratégia do BTG para o público de alta renda
A construção do Terminal BTG Pactual foi viabilizada por meio da Secretaria de Aviação Civil em um contrato de 40 anos, com participação da Receita Federal, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da concessionária GRU Airport. O modelo permitiu a implantação da operação sem entraves regulatórios.
Segundo Camargo, representantes de terminais de aeroportos em Los Angeles, Paris e Frankfurt já visitaram a operação em Guarulhos. “Queríamos fazer um terminal brasileiro e levar isso para o mundo. Ver esse reconhecimento internacional foi muito legal”, afirmou à Bloomberg Línea.
O projeto integra uma estratégia mais ampla do BTG Pactual, liderada pelo CEO Roberto Sallouti, para ampliar sua presença no segmento de altíssima renda além do setor financeiro.
O banco opera o cartão Ultrablue, voltado a clientes de alto patrimônio, e adquiriu em 2024 a Sertrading, empresa de comércio exterior que atua também em áreas como aviação executiva e náutica de luxo.
Embora a estrutura societária do terminal seja separada do banco, clientes do cartão BTG têm descontos no uso do espaço. A exposição à marca ao longo das visitas recorrentes busca estimular a adesão a produtos financeiros do grupo, incluindo investimentos.
Segundo Camargo, o público do terminal também se sobrepõe ao de outros projetos voltados ao luxo no país, como os da JHSF, controlada por José Auriemo Neto e comandada pelo CEO Augusto Martins, que reúne ativos como shopping centers, empreendimentos imobiliários e o aeroporto executivo Catarina.