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Liderança

Nova country manager do Google Cloud diz ser “o contraponto do que imaginam” para o cargo

Milena Leal assume operação no Brasil após carreira iniciada em call center e defende liderança focada em equipe e resultado.

13 de fevereiro de 2026 por LIDE

 

mulher-milena-leal-country-manager-google-860x484Milena Leal, country manager do Google Cloud. (Foto: Divulgação)

Milena Leal assumiu a liderança do Google Cloud no Brasil após trajetória de mais de três décadas no setor de tecnologia. Sem formação técnica ou diploma de universidades de elite, a executiva de 48 anos iniciou a carreira aos 14, em um call center de uma empresa de tecnologia, para ajudar a mãe a pagar o aluguel.

“Sou o contraponto do que imaginam para presidente de uma empresa como o Google”, diz. “Primeiro, por ser mulher; segundo, porque me formei em direito, não fiz faculdade de ponta nem MBA fora do país.”

Com passagens por HP, SAP e Oracle, Milena construiu a carreira no mercado de tecnologia após começar na área de vendas de informática. “Nunca tive uma base técnica muito profunda, mas sempre soube onde buscar”, afirma. “Quem trabalha tem sorte.”

No Google Cloud desde 2020, liderou a estruturação do plano de go-to-market no Brasil e, posteriormente, a área de contas estratégicas. O país é considerado mercado relevante para a plataforma, que registrou receita de US$ 15,2 bilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 34% na comparação anual, embora a companhia não divulgue resultados regionais. No último ano, São Paulo passou a sediar o oitavo Cloud Space do mundo e o primeiro da América Latina.

A executiva afirma que se sentiu “eleita” para a posição. “As pessoas precisam entender que elas não são promovidas, elas são eleitas”, diz. Segundo ela, após o anúncio da saída do então líder da operação, recebeu apoio interno da equipe para disputar o cargo. “Começou uma campanha interna muito bacana do time, explicitando para a companhia o desejo deles que eu assumisse. (…) Me senti realmente eleita pela equipe e, agora, é uma responsabilidade ainda maior porque não pode dar errado.”

Em um setor predominantemente masculino, Milena relata ter sido, em diferentes momentos, a única mulher na sala ou a primeira a ocupar determinadas posições. Ao falar sobre formação acadêmica, pondera que MBAs em universidades de prestígio podem agregar valor, mas não substituem outras competências. “Não adianta fazer um super MBA, mas não saber trabalhar num ambiente corporativo, de forma colaborativa, não saber estimular os outros e olhar as suas soft skills.”

Em meio à expansão da inteligência artificial, ela afirma que quer ser reconhecida por resultados e pelo desenvolvimento da equipe. “Quero ser reconhecida como uma líder que não só atinge os objetivos financeiros, mas que tem a capacidade de apoiar a equipe para que se tornem profissionais e pessoas melhores.”

No último ano, a executiva enfrentou um câncer de tireoide, experiência que, segundo ela, trouxe nova perspectiva. “Tudo é passageiro. Eu estou nessa posição. Não podemos esperar chegar lá, temos que curtir todo dia.”