Filie-se
Consumo

Menos copos em 2025: Ambev atribui queda ao frio e aposta na Copa para reaquecer vendas

Volume da indústria cai mais de 5%; companhia atribui recuo ao clima e aposta em feriados e Copa para estimular demanda em 2026.

13 de fevereiro de 2026 por LIDE

cervejaApesar da queda do consumo de cerveja entre os brasileiros em 2025, Ambev projeta um ambiente mais favorável para 2026. (Foto: Unsplash)

O consumo de cerveja no Brasil recuou mais de 5% em 2025, segundo a Ambev, que atribui a queda a um ano de temperaturas mais baixas e menos ocasiões de consumo fora de casa. A avaliação foi feita pela companhia em teleconferência de resultados, com informações do InvestNews.

“O que mudou em 2025 não foi se o consumidor quer cerveja, mas com que frequência os momentos certos aconteceram”, disse o CEO Carlos Lisboa. Segundo a empresa, o fenômeno La Niña prolongou o inverno e levou frio e chuva para o segundo semestre, afetando a principal ocasião de consumo no país.

No Brasil, o volume de cerveja da Ambev caiu 4,5% em 2025 na comparação com 2024. A receita líquida somou R$ 88,24 bilhões, alta de 4%, enquanto o lucro líquido ajustado atingiu R$ 15,12 bilhões, avanço de 1,6%. No quarto trimestre, o volume recuou 2,6%, abaixo das projeções de analistas, e as ações subiram mais de 4% na tarde de quinta-feira (12).

O desempenho foi semelhante ao da Heineken, que reportou queda de um dígito médio em volume e recuo de um dígito baixo na receita. As duas companhias ampliaram participação de mercado, em meio às dificuldades financeiras do Grupo Petrópolis.

Para 2026, a Ambev projeta ambiente mais favorável, com mais feriados e fins de semana prolongados, além da Copa do Mundo em fuso considerado conveniente para a América Latina, com jogos no início da noite.

A diretoria classificou 2025 como um teste de resistência, diante de mercado mais fraco, pressão de commodities, câmbio e menor diluição de custos. O CFO Guilherme Fleury afirmou que a margem Ebitda avançou 0,50 ponto percentual, para 33,4%, no terceiro ano consecutivo de expansão.

No portfólio, as cervejas premium cresceram mais de 15% no ano, com rótulos como Spaten, Corona e Stella Artois. Já a categoria core, com marcas como Brahma, Antárctica e Skol, mostrou estabilização no último trimestre. A Skol voltou a ganhar tração em estados do Nordeste e ampliou presença com a Skol 00, sem álcool e sem açúcar.

O segmento de balanced choices, que inclui rótulos zero ou de baixo teor alcoólico como Bud Zero, Corona Cero e Michelob Ultra, avançou 60% em vendas em 2025.

Questionada sobre possíveis impactos do uso de medicamentos à base de GLP-1 no consumo, a companhia afirmou não observar efeito relevante até o momento e reforçou que o principal fator de 2025 foi o clima.