Menos copos em 2025: Ambev atribui queda ao frio e aposta na Copa para reaquecer vendas
Volume da indústria cai mais de 5%; companhia atribui recuo ao clima e aposta em feriados e Copa para estimular demanda em 2026.
Apesar da queda do consumo de cerveja entre os brasileiros em 2025, Ambev projeta um ambiente mais favorável para 2026. (Foto: Unsplash)
O consumo de cerveja no Brasil recuou mais de 5% em 2025, segundo a Ambev, que atribui a queda a um ano de temperaturas mais baixas e menos ocasiões de consumo fora de casa. A avaliação foi feita pela companhia em teleconferência de resultados, com informações do InvestNews.
“O que mudou em 2025 não foi se o consumidor quer cerveja, mas com que frequência os momentos certos aconteceram”, disse o CEO Carlos Lisboa. Segundo a empresa, o fenômeno La Niña prolongou o inverno e levou frio e chuva para o segundo semestre, afetando a principal ocasião de consumo no país.
No Brasil, o volume de cerveja da Ambev caiu 4,5% em 2025 na comparação com 2024. A receita líquida somou R$ 88,24 bilhões, alta de 4%, enquanto o lucro líquido ajustado atingiu R$ 15,12 bilhões, avanço de 1,6%. No quarto trimestre, o volume recuou 2,6%, abaixo das projeções de analistas, e as ações subiram mais de 4% na tarde de quinta-feira (12).
O desempenho foi semelhante ao da Heineken, que reportou queda de um dígito médio em volume e recuo de um dígito baixo na receita. As duas companhias ampliaram participação de mercado, em meio às dificuldades financeiras do Grupo Petrópolis.
Para 2026, a Ambev projeta ambiente mais favorável, com mais feriados e fins de semana prolongados, além da Copa do Mundo em fuso considerado conveniente para a América Latina, com jogos no início da noite.
A diretoria classificou 2025 como um teste de resistência, diante de mercado mais fraco, pressão de commodities, câmbio e menor diluição de custos. O CFO Guilherme Fleury afirmou que a margem Ebitda avançou 0,50 ponto percentual, para 33,4%, no terceiro ano consecutivo de expansão.
No portfólio, as cervejas premium cresceram mais de 15% no ano, com rótulos como Spaten, Corona e Stella Artois. Já a categoria core, com marcas como Brahma, Antárctica e Skol, mostrou estabilização no último trimestre. A Skol voltou a ganhar tração em estados do Nordeste e ampliou presença com a Skol 00, sem álcool e sem açúcar.
O segmento de balanced choices, que inclui rótulos zero ou de baixo teor alcoólico como Bud Zero, Corona Cero e Michelob Ultra, avançou 60% em vendas em 2025.
Questionada sobre possíveis impactos do uso de medicamentos à base de GLP-1 no consumo, a companhia afirmou não observar efeito relevante até o momento e reforçou que o principal fator de 2025 foi o clima.