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Comércio exterior

Exportações aos EUA avançam sem sobretaxas, mas empresas ainda veem risco de novas tarifas

Amcham Brasil aponta melhora no acesso ao mercado americano, enquanto 86% das empresas ainda demonstram preocupação com o ambiente regulatório e comercial.

07 de abril de 2026 por LIDE

Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil .Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. (Foto: Divulgação)

A Amcham Brasil afirmou, nesta terça-feira (7), que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de transição, com avanços no acesso ao mercado americano, mas ainda marcada por incertezas. A análise foi apresentada durante o Encontro Empresarial BR-US – 4ª edição, junto com uma pesquisa inédita da entidade.

Na abertura do evento, realizado na sede da instituição em São Paulo, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou que cerca de 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a aproximadamente US$ 14 bilhões em produtos, incluindo alimentos, insumos e componentes industriais.

Segundo ele, o avanço ocorre após decisão recente da Suprema Corte americana e da reaproximação entre os governos dos dois países. “Estamos diante de um cenário mais favorável — mas ainda em transição e sujeito a mudanças”, afirmou.

Apesar da melhora, o ambiente ainda é de cautela entre as empresas. Levantamento com cerca de 90 exportadoras, brasileiras e americanas, mostra que 86% apontam preocupação com novos aumentos tarifários, 76% citam incerteza regulatória e comercial e 46% destacam riscos associados à investigação da Seção 301.

Além disso, aproximadamente 40% das empresas avaliam que ainda é cedo para medir os efeitos das mudanças recentes, enquanto cerca de um terço já indica intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos.

Abrão Neto também ressaltou o peso da relação bilateral, cujo fluxo de comércio de bens e serviços supera US$ 100 bilhões anuais. “São as empresas que dão concretude a uma parceria que produz benefícios reais para as duas economias”, disse.

O executivo lembrou que, em 2025, as sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras, especialmente produtos industriais, impactando a competitividade no mercado americano. A partir de setembro, houve mudança no cenário, com retomada do diálogo político e avanços graduais nas condições comerciais.

De acordo com a pesquisa, mais de 90% das empresas defendem o diálogo entre os governos como principal caminho para o avanço da relação bilateral. Entre os temas prioritários estão o interesse brasileiro em evitar novas tarifas e preservar o acesso ao mercado americano, além das demandas dos Estados Unidos por redução de barreiras não tarifárias e avanços em propriedade intelectual e economia digital.

A Amcham também informou que apresentará aos candidatos à Presidência da República uma agenda estruturada em três frentes: desafios estruturais do país, políticas para melhoria do ambiente de negócios e fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.

No campo bilateral, a entidade defende a expansão do comércio e dos investimentos, com redução de barreiras e ampliação da cooperação em áreas como minerais críticos, tecnologia, infraestrutura digital e agricultura. “Há espaço para construir convergências por meio de negociações e avançar em uma agenda pragmática e orientada a resultados”, afirmou Abrão Neto.

O Encontro Empresarial BR-US – 4ª edição reúne autoridades e lideranças empresariais para discutir os próximos passos da agenda econômica entre os dois países.