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Alimentos

JBS aposta em ‘superproteínas’ para avançar com nova demanda impulsionada por medicamentos

Uso de remédios como Ozempic muda hábitos e leva empresa a investir em inovação e novos produtos.

06 de abril de 2026 por LIDE

Guilherme Cavalcanti, CFO global da companhia (1)
Guilherme Cavalcanti, CFO global da companhia. (Foto: Divulgação)

A JBS aposta na expansão de produtos com maior teor proteico para acompanhar mudanças no consumo alimentar impulsionadas por medicamentos à base de GLP-1. As informações são da Bloomberg.

Segundo Guilherme Cavalcanti, CFO global da companhia, o uso de remédios como Ozempic e Wegovy tem levado consumidores a priorizar proteínas, mesmo diante de preços mais altos. Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a mudança já se reflete no comportamento de consumo, com a redução de itens como snacks e maior foco em alimentos ricos em proteína, recomendados para preservar a massa muscular durante o emagrecimento.

Para responder a esse novo perfil de demanda, a companhia vem ampliando o portfólio e diversificando sua atuação. Um dos movimentos foi a entrada no segmento de ovos, com a aquisição de participação na Mantiqueira Brasil, além do fortalecimento da Seara no Brasil, que já destaca o teor proteico de seus produtos nas embalagens.

Outro diferencial está no uso de colágeno como ingrediente, viabilizado pela subsidiária Genu-in. A unidade produz peptídeos utilizados tanto nos produtos da própria JBS quanto no mercado B2B e na exportação, permitindo à companhia transformar um subproduto da cadeia frigorífica em item de maior valor agregado.

A estratégia também inclui investimentos em inovação. A empresa inaugurou em Florianópolis a JBS Biotech, centro voltado ao desenvolvimento das chamadas “superproteínas” — ingredientes funcionais desenhados para atuar de forma específica no organismo, como no ganho muscular e no suporte imunológico.

De acordo com a companhia, o mercado global de suplementos proteicos movimenta cerca de US$ 30 bilhões e cresce a uma taxa anual de 10%, o que reforça a aposta em produtos de maior valor agregado e integração vertical da cadeia produtiva. Esse movimento já se reflete nos resultados: a Seara tem registrado margens recordes e ganho de participação no mercado de alimentos congelados.

Para o executivo, a tendência deve se intensificar nos próximos anos, acompanhando o avanço do uso de medicamentos para perda de peso e a busca por hábitos alimentares mais voltados à nutrição e à longevidade.