A marca que supera o McDonald’s em lojas no mundo estreia no Brasil
A companhia chega à América do Sul com planos ambiciosos de expansão e preços acessíveis.
Mixue, maior rede de sorvetes e sucos, inaugura loja no Brasil e marca a chegada da companhia na América do Sul. (Foto: Reprodução)
A Mixue, rede chinesa que construiu um império vendendo sorvetes, limonadas, bubble teas e chás gelados a preços baixos, inaugura no sábado, 11 de abril, sua primeira loja no Brasil. A estreia será no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, marcando a chegada da companhia à América do Sul após menos de uma década de crescimento meteórico, que a colocou à frente do McDonald’s em número de unidades globalmente — 60 mil lojas contra 45 mil da rede americana, embora 90% ainda estejam na China.
O plano da Mixue para o Brasil foi anunciado em 2025, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, e prevê um investimento de R$ 3,2 bilhões, com a abertura de 2 mil unidades nos próximos anos, usando o país como base para sua operação latino-americana. Segundo o InvestNews, a companhia também pretende, a partir de 2027, comprar café e frutas tropicais brasileiras para abastecer lojas ao redor do mundo.
A escolha do Shopping Cidade São Paulo para a estreia não foi aleatória. A negociação com a administradora do empreendimento, SYN, começou em 2025 e avançou rapidamente. O shopping tem se consolidado como vitrine para grupos asiáticos que chegam ao Brasil, como Huawei, Keeta e Kwai. A Mixue já negocia novos pontos com outros shoppings do grupo, incluindo Grand Plaza, Tietê Plaza e Metropolitano Barra, no Rio de Janeiro.
Apesar de pouco conhecida no Ocidente, a Mixue chega com credenciais impressionantes. Desde seu IPO em Hong Kong, em março de 2025, a rede expandiu para Estados Unidos e México, levantando US$ 444 milhões. A companhia cresceu apostando em preço acessível e giro rápido, diferentemente de muitas redes globais de bebidas que priorizam experiência premium. Na China, sorvetes e bebidas adoçadas conquistaram estudantes, jovens e consumidores de cidades menores, tornando a marca popular, com jingles nas lojas e mascote de boneco de neve.
No Brasil, a Mixue deve competir mais com consumo por impulso em shoppings e redes de fast-food do que com cafeterias premium. Bebidas e sorvetes devem custar cerca de R$ 7, enquanto sobremesas ficam próximas a R$ 10, semelhante a itens como o sundae do McDonald’s. A estratégia segue o modelo que fez a companhia crescer na Ásia: preços baixos, cardápio enxuto e giro alto.
A expansão global da Mixue foi rápida graças a um modelo de franquias e logística verticalizada. A maior parte das lojas no exterior é franqueada, e a receita vem principalmente da venda de insumos e equipamentos, não de taxas de franquia. A rede possui fábricas próprias, 27 armazéns e uma rede global de compras em 38 países, permitindo escalar operações rapidamente.
No Brasil, a operação inicial começará com lojas próprias, que funcionarão como vitrine e laboratório, ajustando cardápio, preço e operação antes de abrir franquias. A longo prazo, as franquias devem ser o motor principal de crescimento, aproximando a companhia da meta de 2 mil unidades. O prospecto do IPO indica que investimento inicial e taxas de franquia ficam abaixo da média da indústria chinesa, facilitando a atração de operadores.
Apesar do potencial, a Mixue enfrenta desafios no Brasil, como a concorrência acirrada com cafeterias, sorveterias, fast-foods e quiosques de shopping. Além disso, ainda depende parcialmente de importação de insumos, o que expõe a marca a variações cambiais e pode pressionar a manutenção dos preços baixos — pilar central do modelo. A empresa já sinalizou a intenção de desenvolver produção local, sem cronograma definido.