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Indústria Automotiva

BYD avalia fábrica no Canadá para replicar “modelo Brasil” de expansão

Montadora chinesa estuda instalação produtiva no país e mantém aberta a possibilidade de adquirir uma fabricante global em meio à expansão internacional.

13 de março de 2026 por LIDE

Stella-Li-Headshot-e1701305630573 (1)Stella Li, vice-presidente da BYD. (Foto: Divulgação)

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, avalia a construção de uma fábrica no Canadá enquanto mantém aberta a possibilidade de adquirir uma montadora global mais consolidada, segundo a Bloomberg.

A empresa sediada em Shenzhen estuda o mercado canadense para uma possível instalação produtiva, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista durante visita a São Paulo. Segundo ela, a companhia prefere possuir e operar diretamente uma fábrica.“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse.

Embora o Canadá esteja buscando atrair investimentos de montadoras chinesas, o governo do país tem incentivado parcerias com empresas locais. Em janeiro, o governo canadense decidiu isentar até 49 mil veículos elétricos fabricados na China por ano de uma tarifa de 100% imposta em 2024, em uma mudança em relação à política anterior de restrição à entrada de carros chineses.

Stella Li também indicou que a BYD pode considerar a aquisição de uma montadora tradicional em um momento em que concorrentes dos Estados Unidos, Europa e Japão enfrentam dificuldades para manter competitividade global, pressionadas pelos investimentos em veículos a combustão e elétricos.“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse. “Veremos o que nos beneficia.”

A executiva não mencionou possíveis alvos de aquisição. Movimentos desse tipo já ocorreram no setor, como a compra da Volvo Cars pelo grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group há mais de uma década. Mais recentemente, montadoras ocidentais têm intensificado parcerias com empresas chinesas para acesso a tecnologia e capacidade produtiva.

A Stellantis avalia utilizar a tecnologia de veículos elétricos da chinesa Leapmotor e estuda acordos com fabricantes chineses para investimentos na Europa. A Ford Motor também manteve discussões com a Geely sobre compartilhamento de capacidade produtiva na região.

Embora tenha realizado joint ventures no passado, a BYD tem adotado uma estratégia de expansão independente, apoiada em eficiência operacional e em uma política de integração vertical para manter grande parte da cadeia de suprimentos sob controle da companhia.

Modelo Brasil

Por enquanto, a montadora evita planos de entrar no mercado dos Estados Unidos, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. Fabricantes chineses enfrentam tarifas elevadas e restrições à tecnologia de carros conectados no país.

A estratégia atual da empresa prioriza mercados onde seja possível replicar o chamado “modelo Brasil”, com base no desempenho de marketing e vendas obtido na América do Sul.

A BYD está ampliando a produção em sua primeira fábrica europeia de veículos de passageiros, na Hungria, e avalia um segundo projeto na Turquia, como parte da expansão internacional.

Nos dois primeiros meses do ano, as vendas totais da empresa caíram 36%, para 400.241 unidades. Apesar disso, as exportações ganharam impulso, e a montadora pretende vender 1,3 milhão de veículos no exterior em 2026.

Segundo Stella Li, os lançamentos recentes da nova geração da bateria Blade e da tecnologia Flash de carregamento rápido devem ajudar a reverter a queda nas vendas. “Em menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores com a tecnologia Flash até o fim de 2027, com investimento superior a R$ 500 milhões, afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da companhia no país, à Bloomberg.

A executiva também confirmou que a empresa avalia entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. “Não se surpreendam”, disse. “Ainda estamos trabalhando nisso.”