Bayer aposta em novos medicamentos para acelerar crescimento na América Latina
Após avanço da concorrência de genéricos, farmacêutica projeta aumento de 10% nas vendas na região em 2026 com expansão do portfólio.
Adib Jacob, presidente da divisão para América Latina e Brasil da Bayer. (Foto: Divulgação)
A Bayer projeta uma nova fase de crescimento para sua divisão farmacêutica na América Latina após enfrentar maior concorrência de medicamentos genéricos nos últimos quatro anos. A estratégia da companhia passa pela ampliação do portfólio e pela introdução de novos medicamentos no mercado regional. As informações são da Bloomberg Línea.
Adib Jacob, presidente da divisão para América Latina e Brasil, estima que as vendas líquidas da região cresçam 10% em 2026 — o dobro do ritmo registrado em 2025, quando a divisão avançou 5,4% e atingiu 824 milhões de euros.
Segundo o executivo, o impulso virá da chegada de novos medicamentos e da ampliação de indicações terapêuticas de produtos já existentes. “Vamos ter, pelo menos, sete motores de crescimento em diferentes áreas, como oncologia, cardiorenal, hemofilia, saúde feminina, oftalmologia e AVC. Não estamos colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou durante encontro anual da empresa para a América Latina realizado nesta semana.
Entre as apostas da farmacêutica está a expansão de medicamentos associados à darolutamida, molécula utilizada no tratamento do câncer de próstata. A expectativa é que a ampliação da indicação para outros estágios da doença possa gerar potencial de vendas de 300 milhões de euros na América Latina.
Outra frente estratégica envolve a finerenona, atualmente utilizada no tratamento renal de pacientes com diabetes tipo 2. O medicamento ganhou recentemente uma nova indicação terapêutica para tratamento de insuficiência cardíaca, o que pode levar o produto a alcançar cerca de 200 milhões de euros em vendas na região.
Impacto da perda de patentes
O reforço no portfólio ocorre após a Bayer perder a exclusividade de um de seus principais medicamentos, o anticoagulante Xarelto, que chegou a representar cerca de um terço das vendas da divisão na América Latina.
A patente do produto expirou no Brasil em 2021 e perdeu proteção nos demais mercados da região até 2024, quando o México foi o último país a abrir espaço para a entrada de genéricos.
“O Xarelto era o maior medicamento do mercado farmacêutico brasileiro, vendia mais que o Dorflex”, afirmou Jacob, em referência ao medicamento produzido pela concorrente Sanofi. “Foi um fenômeno importante para nós, com a chegada de mais de 50 genéricos no mercado.”
Apesar da pressão competitiva, a América Latina encerrou 2025 como a segunda região com maior crescimento nas vendas globais da Bayer, atrás apenas dos Estados Unidos.
O desempenho ocorreu mesmo com o recuo de 1,5% nas vendas líquidas no México, mercado que ainda sentiu o impacto da perda de exclusividade do Xarelto. Para 2026, no entanto, a expectativa é de recuperação, com crescimento estimado em 20% no país.
“Não prevemos nenhuma perda de patente significativa para os próximos cinco anos. Isso, somado a novos lançamentos como motores de crescimento, deve trazer anos promissores para a companhia”, disse o executivo.
Pesquisa clínica na região
A Bayer também aposta na América Latina para ampliar pesquisas e desenvolvimento de novos medicamentos, estratégia que busca fortalecer a inovação diante da competição crescente com genéricos.
No Brasil, a frente de pesquisas foi reforçada no fim de 2025 com a aprovação da nova Lei da Pesquisa Clínica, que reduziu o prazo para aprovação de projetos para até 90 dias. Anteriormente, o processo podia levar de seis meses a um ano.
Atualmente, o Brasil participa de menos de 2% das pesquisas clínicas globais, segundo estimativas do governo federal. A expectativa é que o novo marco regulatório ajude a ampliar o número de estudos e torne o país mais competitivo na atração de projetos internacionais.
Entre os próximos passos, a Bayer prepara a realização no Brasil de sua primeira pesquisa clínica de fase 1 — etapa inicial de testes de um medicamento em seres humanos — fora dos Estados Unidos e da Europa.
“É um movimento que fala da capacidade dos hospitais, centros e médicos latino-americanos em fazer ciência de alta qualidade, mas também da heterogeneidade de pacientes da região. A diversidade da população latina é um ativo para estudo de qualquer molécula”, afirmou Jacob.