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Indústria Automotiva

Brasileira LogiGo desafia multinacionais e projeta faturar R$ 100 milhões com telas automotivas

Empresa que fornece centrais multimídia para montadoras aposta em software próprio, novos contratos e expansão internacional para acelerar o crescimento.

13 de março de 2026 por LIDE

Antonio Azevedo, fundador e CEO da LogiGoAntonio Azevedo, fundador e CEO da LogiGo. (Foto: Divulgação)

A LogiGo, empresa brasileira de eletrônicos automotivos, projeta ultrapassar R$ 100 milhões em faturamento até 2027 com o fornecimento de centrais multimídia para montadoras, após expandir contratos e iniciar operações internacionais, segundo reportagem do InfoMoney.

Fundada em 2010, a companhia começou atuando no mercado de acessórios automotivos, adaptando produtos importados da China para a realidade brasileira em termos de hardware e software. A estratégia ajudou a conquistar consumidores e concessionárias, que passaram a oferecer as centrais multimídia junto aos veículos.

“Naquele momento, a maior parte dos carros vendidos no país ainda não saía de fábrica com tela multimídia. A lacuna abriu espaço para um mercado paralelo de acessórios, e a empresa passou a atuar revendendo centrais para concessionárias”, disse Antonio Azevedo, fundador e CEO da LogiGo.

O crescimento do produto chamou a atenção das montadoras, que passaram a considerar a instalação das centrais diretamente na fábrica. A estratégia fez com que as telas fossem oferecidas junto a veículos de marcas como Toyota, Volkswagen e Ford, muitas vezes incluídas no financiamento do automóvel.

Entrada na linha de montagem

A virada da empresa ocorreu em 2014, quando a Toyota decidiu incorporar a central multimídia ao portfólio oficial de acessórios e convidou a LogiGo a fornecer diretamente para a linha de montagem.

Com isso, a companhia deixou de atuar apenas no mercado de acessórios e passou a operar no segmento OEM — sigla usada para fornecedores de sistemas instalados diretamente nas fábricas das montadoras.

“Uma coisa é vender acessório. Fornecer OEM é outro mundo. A Toyota praticamente falou para a gente: vocês não sabem fazer OEM, querem aprender com a gente? E nós fomos aprender”, afirmou Azevedo.

Para atender às exigências da indústria automotiva, a empresa reformulou sua estrutura, reduziu a operação de aftermarket, contratou engenheiros e passou a trabalhar com padrões compatíveis com os das montadoras.

Depois da Toyota, a LogiGo conquistou contratos com outras fabricantes, como Nissan, Mitsubishi e Ford. A empresa também desenvolveu projetos para a Volkswagen Caminhões e participa atualmente de novas concorrências no setor.

Software como diferencial

Segundo Azevedo, o principal diferencial competitivo da companhia está no desenvolvimento de software próprio adaptado ao mercado brasileiro.

A empresa realiza pré-montagem na China em parceria com fornecedores globais, enquanto a montagem final, integração do software e testes são realizados em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

“O desenvolvimento interno é nosso principal diferencial, porque todo o software é feito aqui no Brasil para os brasileiros. Isso nenhum concorrente nosso tem”, disse o executivo.

A estratégia inclui transformar a central multimídia em uma plataforma digital capaz de gerar serviços e receitas adicionais para as montadoras ao longo da vida útil do veículo.

Entre as funcionalidades em desenvolvimento estão sistemas que permitem avisos de manutenção com agendamento automático em concessionárias, promoções geolocalizadas, publicidade segmentada e sugestões de serviços a partir de dados do veículo.

“Já desenvolvemos, por exemplo, sistemas para que o carro avise o motorista sobre a proximidade da troca de pneus, oferecendo promoções para que ele compre e já faça o agendamento da troca diretamente na central multimídia”, afirmou.

Inteligência artificial e novos negócios

A LogiGo também criou uma assistente virtual baseada em inteligência artificial chamada Lia, capaz de interagir com o motorista e recomendar rotas, pausas, compromissos e serviços.

Segundo Azevedo, a iniciativa acompanha um movimento global de montadoras que buscam reduzir a dependência de plataformas como Apple CarPlay e Android Auto para manter controle sobre a experiência digital do usuário.

“Quando a montadora não domina a experiência, ela não cria aderência do cliente à marca dela”, disse.

Além da frente automotiva, a empresa lançou uma nova unidade voltada ao monitoramento de frota e carga, com câmeras embarcadas e conectividade para análise do comportamento do motorista e prevenção de acidentes.

A companhia também iniciou expansão internacional com a abertura de uma subsidiária na Flórida, nos Estados Unidos, para prospectar novos clientes.

“Não é o gringo vindo para cá. É a gente indo para lá”, afirmou o executivo.

No último ano, a LogiGo registrou faturamento de R$ 40 milhões após crescer quase cinco vezes em relação a 2024. Para 2026, a projeção é alcançar R$ 60 milhões e, com novos contratos e a expansão internacional, superar R$ 100 milhões em 2027.