Brasil bate recorde no número de brasileiras donas de negócios
País chegou a 10,4 milhões de empreendedoras, de acordo com o Sebrae, um crescimento acumulado de 42% desde 2012.
Raquel Teixeira, sócia-líder da EY Private LATAM e dos programas de relacionamento. (Foto: Divulgação)
O Brasil iniciou este ano com uma marca histórica: o número de mulheres à frente de negócios próprios chegou a 10,4 milhões, de acordo com o Sebrae. No entanto, o otimismo gerado pelo crescimento acumulado de 42% desde 2012 na formalização de empreendimentos femininos é ameaçado por desafios persistentes. Apesar de serem em média 16% mais escolarizadas do que os homens, as empreendedoras faturam menos, pagam juros mais altos no crédito contratado e dedicam o dobro do tempo aos afazeres domésticos.
No ano passado, de acordo com a Serasa, cerca de 68% das empreendedoras tiveram pedidos de financiamento negados. Mesmo quando conseguem a aprovação, as condições costumam ser desvantajosas, com as mulheres pagando taxas de juros superiores às dos homens. Isso faz com que as empreendedoras optem pelo autofinanciamento das suas atividades, utilizando recursos próprios ou de familiares.
“O setor de serviços continua sendo a principal porta de entrada das empreendedoras, que estão de forma geral atentas ao ambiente digital, buscando capacitação para aproveitar essas oportunidades. Elas estão cada vez mais assertivas ao empreender, considerando inclusive essa dificuldade de obter financiamento no mercado”, diz Raquel Teixeira, sócia-líder da EY Private LATAM e dos programas de relacionamento, incluindo Winning Women (WW), que é voltado para o empreendedorismo feminino. “No WW, auxiliamos as empreendedoras em todas as etapas do processo de tornar seus negócios mais fortes e preparados para encarar os inúmeros desafios de mercado”, completa.
Com um ano de duração, o programa de mentoria WW proporciona às empreendedoras a oportunidade de aperfeiçoar conhecimentos essenciais ao mundo dos negócios, tais como branding, liderança, gestão e relacionamento. Além da mentoria de conselheiras executivas de renome que atuam ao lado de especialistas da EY, as empresárias são convidadas a participar de eventos, reuniões e treinamentos que podem contribuir para o fortalecimento dos seus negócios. Por fim, as mentoradas têm acesso a uma rede global de organizações e profissionais que podem apoiá-las em suas jornadas.
Busca por flexibilidade após maternidade
A motivação das mulheres para empreender passa também pela busca por flexibilidade após a maternidade. Ainda segundo o Sebrae, 53% das empresárias são mães, precisando encarar extensas rotinas para dar conta do negócio e da educação do filho em uma jornada dupla frequentemente descrita como extenuante.
No ambiente de negócios, 76% das empreendedoras relatam sentir sobrecarga ao tentar equilibrar a gestão da empresa com a vida familiar, de acordo com dados da PNAD Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre os homens, esse índice é de 55%. As mulheres dedicam 21,4 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados com pessoas – em comparação com as 11 horas dos homens.
O fortalecimento do ecossistema de empreendedorismo feminino depende de uma série de ações do governo e da iniciativa privada. Políticas públicas como a ampliação de creches e linhas de crédito voltadas para o impulsionamento do empreendedorismo entre as mulheres estão entre elas. Sem essas iniciativas, conforme indicam os estudos, o Brasil continuará subutilizando o empreendedorismo feminino.