IA não substitui, amplia: Siemens revisa lucro após alta de pedidos em data centers
Demanda por data centers impulsiona pedidos, lucro e ações; CEO afirma que complexidade do software industrial limita risco de disrupção.
Roland Busch, CEO da Siemens. (Foto: Reprodução)
A Siemens afirmou que o avanço da inteligência artificial deve fortalecer, e não substituir, seu portfólio de software industrial, em meio ao aumento da demanda por data centers e automação. A avaliação foi feita pelo CEO Roland Busch em entrevista à Bloomberg Television.
“Sabemos que a IA tem o potencial de perturbar alguns dos negócios de software”, disse Busch. Mas “em software industrial, software de simulação, é onde não vemos isso de forma alguma - vemos antes um enriquecimento do software, o que permite que mais e mais clientes o utilizem”.
Segundo o executivo, o custo e a complexidade do software industrial e de simulação, onde não há margem para erro, criam barreiras para uma eventual substituição por soluções baseadas apenas em IA.
A companhia elevou a projeção de lucro básico por ação para o ano fiscal de 2026 para até 11,10 euros, acima da estimativa anterior de até 11 euros. A Siemens também passou a prever crescimento de receita comparável na metade superior da faixa de 6% a 8% no ano.
No primeiro trimestre fiscal, as encomendas cresceram 10%, para 21,4 bilhões de euros, enquanto o lucro do setor industrial avançou 15%, para 2,9 bilhões de euros, acima das expectativas. A unidade Digital Industries registrou alta de 37% no lucro, com receita 14% maior na China.
A demanda por data centers tem impulsionado as duas principais divisões do grupo, que fornecem produtos para automação, refrigeração e sistemas digitais. Na unidade Smart Infrastructure, os pedidos nos Estados Unidos cresceram 54%, levando a novos recordes. Busch afirmou que a demanda por data centers nos EUA é “muito forte” e que vê pouco risco de bolha, citando “uma entrada de pedidos muito, muito forte”, que indica “o dinamismo e a rapidez com que a IA está atingindo”.
As ações da Siemens chegaram a subir 6,2% no início do pregão de Frankfurt, acumulando ganho de cerca de 30% nos últimos 12 meses. No mês passado, a empresa ultrapassou brevemente a SAP como a companhia de capital aberto mais valiosa da Alemanha.
A estratégia de ampliar a exposição a negócios de maior margem baseados em software incluiu aquisições que somam US$ 15 bilhões, como Dotmatics e Altair Engineering, voltadas aos setores industrial e farmacêutico.
Ao mesmo tempo, a companhia alertou que os efeitos cambiais devem “sobrecarregar fortemente” o lucro do setor industrial no atual exercício. “O impacto da taxa de câmbio é enorme”, disse o CEO Ralf Thomas a analistas.