Bancos comerciais e IPs são as instituições financeiras que mais investem contra fraudes
Considerando somente as instituições de maior porte, 25% reportaram gastos superiores a US$ 5 milhões em 2024, enquanto 38% declararam valores abaixo de US$ 100 mil, aponta estudo da EY.
Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil. (Foto: Divulgação).
Os bancos comerciais e as instituições de pagamento são as IFs que mais investem contra fraudes financeiras, de acordo com a nova edição da Pesquisa de Maturidade PLD/FTP, realizada pela EY. Entre as instituições classificadas como S1 pelo Banco Central, que são as de maior porte, 25% reportaram gastos superiores a US$ 5 milhões em 2024, enquanto 37% declararam valores abaixo de US$ 100 mil.
“Essa disparidade dentro do mesmo grupo demonstra que, mesmo entre players de escala similar, os níveis de maturidade e priorização do risco de fraude variam bastante”, diz Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil.
As IFs de S2 registraram maior concentração de respostas na faixa entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, com índice de 60%, refletindo um patamar de investimento menor, mas ainda assim relevante frente à exposição do segmento. “Casos pontuais superiores a US$ 1 milhão de dólares, o equivalente a 10% da amostra, mostram que as IFs de médio porte já começam a escalar seus investimentos nessa área. Isso sinaliza sensibilidade crescente ao tema e possivelmente respostas a pressões regulatórias ou ao aumento de incidentes cibernéticos recentes”, observa Grigolin. Nos segmentos S3, S4 e S5, os gastos são reduzidos, com pelo menos metade dessas instituições financeiras reportando desembolsos inferiores a US$ 100 mil em 2024, o que sugere, na avaliação do estudo, que estão em estágios iniciais de estruturação da função.
Apesar disso, assim como observado com as S2, há exemplos de investimento superior, com 8% das S3 e 7% das S4 indicando gastos no patamar máximo da pesquisa, ou seja, acima de US$ 5 milhões. “Ainda assim, o estudo evidencia que os investimentos permanecem em grande parte limitados pela dimensão do risco a que a instituição financeira está exposta. Os bancos comerciais e as IPs, que são as IFs mais gastadoras nesse quesito, concentram a maior incidência de tentativas de fraudes, especialmente no âmbito transacional”, explica Grigolin.
A Pesquisa de Maturidade PLD/FTP contou com a participação de 51 instituições financeiras de diferentes setores e portes institucionais. No recorte por setor de atuação, os bancos comerciais lideram a amostra, com 19 instituições respondentes, representando 37% do total de respondentes. Em seguida, aparecem as seguradoras, com 12 participantes (24% do total), e as instituições de pagamento, com seis respondentes (12%).
Fraudes de engenharia social lideram
As fraudes de engenharia social são as mais comuns no sistema financeiro, reportadas por 30% das instituições pesquisadas, seguidas por contas laranjas, com 21%, e fraudes em aplicativos/cadastros com 19%, ainda segundo o estudo realizado pela EY. Aparecem na sequência fraude de crédito, com 16%, e roubo de identidade ou tomada de conta, com 14% das respostas. A predominância da engenharia social mostra a necessidade de ampliar investimentos em educação do cliente, autenticação reforçada e mecanismos de verificação em tempo real.
“A prevenção à fraude tem ganhado protagonismo nas agendas de risco das instituições financeiras, impulsionada pelo aumento da digitalização, pela sofisticação dos ataques e pela crescente expectativa de resposta rápida e eficaz por parte do mercado e dos reguladores”, finaliza Grigolin.