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Mercado de Trabalho

Pesquisa da Deloitte aponta saúde mental, flexibilidade e segurança como desafios para mulheres no mercado de trabalho brasileiro

Estudo indica que brasileiras enfrentam desafios mais intensos em temas como saúde mental, sobrecarga doméstica e segurança psicológica no ambiente corporativo.

13 de março de 2026 - Atualizado há 1 hora por LIDE

Ana Leticia Godoy, sócia da Deloitte Brasil e líder da estratégia de Diversidade e Inclusão (D&I).
Ana Leticia Godoy, sócia da Deloitte Brasil e líder da estratégia de Diversidade e Inclusão (D&I). (Foto: Divulgação)

Embora muitos desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente de trabalho sejam compartilhados globalmente, a realidade brasileira se mostra mais crítica em temas como saúde mental, sobrecarga doméstica, segurança psicológica e flexibilidade, segundo o estudo Women @ Work 2025, da Deloitte Global. A pesquisa ouviu 7.500 mulheres em 15 países, incluindo 500 no Brasil, para compreender fatores que impactam suas experiências profissionais.

A análise identificou cinco fatores capazes de influenciar a permanência das mulheres nas empresas: suporte à saúde feminina, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, flexibilidade, oportunidades de progressão de carreira e uma cultura organizacional segura e inclusiva. No Brasil, esses elementos ganham ainda mais relevância, especialmente flexibilidade, oportunidades de crescimento e segurança física e psicológica.

“Embora os dados globais mostrem uma série de desafios enfrentados pelas mulheres no trabalho, as respostas das brasileiras evidenciam oportunidades importantes de evolução, especialmente em temas como saúde mental, segurança psicológica e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ao colocar o bem-estar das mulheres no centro das decisões e ampliar políticas de flexibilidade, suporte à saúde feminina e oportunidades de progressão de carreira, as organizações brasileiras podem avançar na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos”, afirma Ana Leticia Godoy, sócia da Deloitte Brasil e líder da estratégia de Diversidade e Inclusão (D&I).

A saúde mental aparece como um dos principais pontos de atenção no país. Segundo o estudo, 34% das brasileiras avaliam seu bem-estar mental como ruim, acima dos 29% registrados globalmente, enquanto 40% relatam aumento do estresse em relação ao ano anterior (36% no mundo). Além disso, apenas 29% se sentem confortáveis para comunicar problemas de saúde mental aos gestores ao tirar folga, frente a 39% globalmente.

O levantamento também evidencia sobrecarga doméstica entre as brasileiras. Entre as que vivem com parceiro, 59% afirmam assumir a maior parte dos cuidados com crianças (53% globalmente) e 54% cuidam de outros adultos (52% no mundo). Mesmo quando são a principal fonte de renda da família, 51% continuam responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas.

As preocupações financeiras também aparecem com mais intensidade no Brasil. A estabilidade financeira futura é citada por 49% das respondentes, seguida pelo custo de cuidados (48%) e pelo custo de vida (47%), todos acima das médias globais.

Os dados também indicam desafios para retenção de talentos. Quase metade das mulheres brasileiras (49%) afirma que pretende permanecer no emprego atual por apenas um a dois anos, percentual superior ao global (39%). Entre os principais motivos para buscar uma nova oportunidade estão a falta de flexibilidade (37%, contra 27% globalmente) e remuneração ou benefícios inadequados.

“A relação entre modelos de trabalho, sobrecarga doméstica e saúde mental aparece de forma clara nos dados referentes ao Brasil. Avançar na construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, flexíveis e seguros representa não apenas um compromisso com a equidade, mas também uma estratégia relevante para fortalecer a retenção de talentos e a produtividade”, afirma Daniella Piha, sócia da Deloitte Brasil e líder do programa Delas.