Marthe Distel: a pioneira que criou o Le Cordon Bleu e abriu caminho para gerações na gastronomia
Jornalista e empreendedora francesa criou, em 1895, o embrião da instituição que hoje forma cerca de 20 mil alunos por ano em mais de 20 países.
Marcella Louise, chef de cuisine do Le Cordon Bleu São Paulo. (Foto: Gustavo Ferreira/Divulgação)
Antes de se tornar a mais reconhecida instituição de ensino de gastronomia e gestão de hospitalidade do mundo, o Le Cordon Bleu nasceu do sonho de uma mulher. Em 1895, em Paris, a jornalista e empreendedora francesa Marthe Distel transformou uma iniciativa editorial em um projeto educacional que atravessaria séculos e fronteiras.
À frente da revista La Cuisinière Cordon Bleu, Distel passou a promover demonstrações culinárias com chefs renomados. A iniciativa, pensada inicialmente como estratégia de divulgação, revelou um público interessado em aprender técnica, compreender processos e profissionalizar a prática da cozinha. Nascia ali o Instituto Le Cordon Bleu.
Mais de 130 anos depois, o legado de sua fundadora permanece. O que começou como um curso em Paris tornou-se uma rede internacional de ensino de gastronomia e gestão de hospitalidade, levando o savoir-faire francês a diferentes culturas e consolidando um padrão de excelência reconhecido mundialmente.
Neste mês das mulheres, a instituição celebra Marthe Distel como símbolo de visão, inovação e pioneirismo. Em um período em que a alta gastronomia ainda era predominantemente restrita aos bastidores, ela identificou o potencial da cozinha como conhecimento, arte e profissão.
Para a chef de cuisine Marcella Louise, do Le Cordon Bleu São Paulo, fazer parte de uma instituição fundada por uma mulher como Marthe é “carregar um símbolo histórico de coragem intelectual e ousadia empresarial”. “Marthe Distel não fundou apenas uma escola de culinária, ela fundou um movimento”, afirma.
Edilaine Góis, chef pâtissière do Le Cordon Bleu São Paulo. (Foto: Gustavo Ferreira/Divulgação)
Segundo a chef pâtissière Edilaine Góis, também da unidade paulista, a liderança feminina faz parte da origem da instituição. “Liderança feminina não é uma tendência recente, é a nossa origem”, diz. “Hoje, busco transmitir às minhas alunas, e aos meus alunos, que competência não tem gênero, mas oportunidade ainda tem. E por isso precisamos continuar abrindo caminhos.”
Atualmente, o Le Cordon Bleu reúne 35 escolas em mais de 20 países e forma cerca de 20 mil alunos por ano, de mais de 100 nacionalidades. No Brasil desde 2018, a instituição mantém unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, oferecendo programas como o Grand Diplôme, o Diploma de Cozinha Brasileira, o Diplôme de Wine & Spirits e o Diplôme de Plant Based.