Quatro em cada dez CEOs no Brasil interromperam investimentos nos últimos 12 meses
Estudo da EY-Parthenon revela ainda que 18% dos executivos decidiram sair de determinados mercados, enquanto 20% entraram em novos territórios.
Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. (Foto: Divulgação)
A instabilidade global resultante do aumento dos riscos geopolíticos tem alterado a percepção dos CEOs que atuam no Brasil em relação ao desempenho das suas empresas, de acordo com o estudo CEO Outlook, produzido pela EY-Parthenon. Ao comparar a edição mais recente com a anterior, houve migração no índice de confiança desses executivos de “muito otimista” para “neutra”. Como consequência disso, quatro em cada dez CEOs interromperam investimentos nos últimos 12 meses. Essa porcentagem é resultado da soma de 8% dos que relataram a desistência dos investimentos planejados com 32% que optaram por adiá-los.
Além disso, 18% decidiram sair de determinados mercados geográficos, enquanto 20% entraram em novos territórios. O impacto da geopolítica se refletiu na estrutura operacional, com 30% dos ativos realocados para outros mercados e 20% das companhias mudando o fornecimento para regiões diferentes, o que evidencia uma adaptação às pressões externas.
“Há uma combinação de prudência na alocação de capital com movimentos estratégicos bem direcionados, especialmente em mercados e iniciativas com maior potencial de retorno”, diz Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. “Isso fica claro ao verificar, ainda segundo o estudo, que 40% aceleraram investimento já planejado, que é a mesma porcentagem dos que interromperam investimentos”, completa.
Também como reflexo dessa mudança na percepção dos CEOs, há uma preocupação com os custos. Em comparação com o ano passado, 34% dos entrevistados acreditam que os custos operacionais em 2026 das suas empresas vão aumentar significativamente e 46% projetam aumento moderado. Já 14% esperam estabilidade, 6% consideram que haverá diminuição e ninguém prevê queda acentuada dos custos.
Foram entrevistados 1,2 mil CEOs de grandes empresas em todo o mundo entre novembro e dezembro de 2025. Os executivos representam 21 países (Brasil, Canadá, México, Estados Unidos, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França, Alemanha, Itália, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, Reino Unido, Austrália, China, Índia, Japão, Singapura e Coreia do Sul) e cinco segmentos (bens de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura, tecnologia, mídia e telecomunicações). As receitas globais anuais das empresas pesquisadas são as seguintes: menos de US$ 500 milhões (20%); US$ 500 milhões a US$ 999,9 milhões (20%); US$ 1 bilhão a US$ 4,9 bilhões (30%); e superiores a US$ 5 bilhões (30%).
Foco na transformação do negócio
Quase todos os executivos entrevistados (98%) da amostra brasileira dizem que suas empresas têm iniciativas de transformação em andamento (62% das respostas) ou que começarão nos próximos 12 meses (36%). Esses projetos envolvem todas as áreas do negócio, motivo pelo qual são considerados abrangentes e relevantes para o futuro da organização. Somente 2% afirmam que não há transformação em andamento.
“Essa constatação é uma resposta ao ambiente atual de negócios marcado por incertezas e mudanças frequentes. As instabilidades geopolíticas agravadas pelos confrontos militares e a evolução rápida da tecnologia, com as empresas correndo para obter retorno prático no negócio com seus investimentos em inteligência artificial, têm feito com que as iniciativas de transformação sejam conduzidas como forma de as organizações não ficarem para trás em termos de competitividade”, finaliza Berbert.