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Energia e Recursos Naturais

América do Sul pode liderar nova cadeia global de terras raras, aponta KPMG

Relatório destaca potencial da região, com foco no Brasil, para reduzir dependência da China e avançar na transição energética.

16 de abril de 2026 por LIDE

mineração_freepikEstudo aponta a energia circular como eixo estratégico para complementar o suprimento primário. (Foto: Freepik)

Um estudo da KPMG aponta que a América do Sul reúne condições estratégicas para ganhar protagonismo na reconfiguração das cadeias globais de suprimento de minerais críticos, especialmente no contexto da transição energética. O relatório analisa fatores como demanda internacional, oferta, descobertas recentes e dados comparativos relacionados às terras raras.

Segundo o sócio-líder de Energia e Recursos Naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul, Manuel Fernandes, o cenário atual evidencia uma concentração relevante da produção global. “O desafio é claro: mais de 70% da produção atual está concentrada na China, o que gera alta dependência e vulnerabilidades estratégicas que, somados à complexidade técnica da extração e do processamento, podem comprometer as metas climáticas e o fornecimento. A América do Sul — especialmente o Brasil, que possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras, mas ocupa a 12ª posição na produção — enfrenta uma oportunidade histórica de fechar essa lacuna e consolidar sua presença como um país relevante no mercado global”, afirma.

O levantamento identifica quatro frentes prioritárias para viabilizar esse avanço. A primeira é a diversificação geográfica do fornecimento, com o aproveitamento de reservas ainda não exploradas na região. Em seguida, destaca-se o desenvolvimento de capacidades locais de processamento, apoiado pela experiência em mineração, infraestrutura básica e capital humano, com potencial para ampliar a agregação de valor e reduzir gargalos produtivos.

O estudo também aponta a promoção da economia circular como eixo estratégico, com a adoção de políticas de reciclagem de componentes eletrônicos, baterias e motores elétricos para complementar o suprimento primário. Por fim, ressalta a importância da análise de riscos no planejamento da mineração, com a incorporação de variáveis geopolíticas, climáticas e econômicas para antecipar interrupções e garantir maior estabilidade às cadeias de suprimentos.

Para Fernandes, esses fatores reforçam a necessidade de diversificação das fontes de produção diante do avanço da agenda de neutralidade de carbono. “Esses elementos reforçam a necessidade de diversificar as fontes de produção, especialmente, no cenário de neutralidade de carbono, no qual a penetração massiva de veículos elétricos e a instalação acelerada de parques eólicos exigirão volumes sem precedentes de terras raras, forçando a economia global a considerar estratégias complementares, como a reciclagem de ímãs, o desenvolvimento de tecnologias substitutivas e a implementação de uma economia circular orientada à recuperação de materiais críticos”, conclui.