Fábio Barbosa projeta 2026: reestruturação da Natura, juros e o papel da sociedade civil no Brasil
O presidente do conselho da Natura detalha a fase "back to basics" da companhia, analisa o cenário sucessório para a Presidência da República e defende uma "reforma de valores" para destravar o crescimento do país.
om o peso de quem já liderou gigantes como Santander e Grupo Abril, Fábio Barbosa, atual presidente do Conselho de Administração da Natura, traçou um diagnóstico franco sobre os desafios do ambiente de negócios brasileiro e os bastidores da reestruturação da maior multinacional brasileira de cosméticos. Em entrevista ao programa Show Business, o executivo destacou que a companhia concluiu um ciclo rigoroso de ajustes para focar em suas competências centrais.
Fábio Barbosa, atual presidente do Conselho de Administração da Natura. (Foto: Arquivo Pessoal)
"Limpou tudo": O retorno às origens da Natura
Após um período de turbulência marcado por aquisições globais e forte desvalorização de mercado, Barbosa revelou que a estratégia de retorno ao essencial, batizada por ele de "back to basics", foi concluída com sucesso.
"Nós percebemos que as aquisições da Avon e The Body Shop foram impactadas por uma sucessão de acasos negativos, do Covid à guerra na Ucrânia. Minha missão como CEO foi garantir que a Natura, uma referência global de boas práticas, não quebrasse. Hoje, posso dizer que limpamos tudo; agora vamos olhar para a Natura do jeito que sempre a conhecemos", afirmou o executivo.
Cenário 2026: Juros e Sucessão Presidencial
Analista atento da conjuntura política, Barbosa não se furtou a comentar o tabuleiro sucessório para as eleições de outubro. Para ele, o grande vilão do empreendedorismo continua sendo a taxa de juros elevada, que ele classifica como um entrave para empresas que buscam modernização.
Ao ser questionado sobre os rumos do país conforme o resultado das urnas, Barbosa ofereceu perspectivas distintas:
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Lula e o gasto público: "O governo acredita que gastando mais a economia aquece, mas o resultado é a pressão nos juros. É uma política que já deu o que tinha que dar."
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A "terceira via" executiva: O executivo vê com otimismo nomes como Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, que trazem pautas de redução do papel do Estado. "Existe um espaço grande para o Brasil entrar em uma rota de crescimento mais acelerado com uma política mais objetiva de profissionalização das estatais."
Reforma de Valores e Segurança Pública
Para Barbosa, a prosperidade brasileira depende de uma mudança que vai além das leis: a ética no cotidiano. Ele criticou a passividade da sociedade diante de pequenos delitos e o impacto do crime organizado no ambiente de negócios.
"O problema não está apenas em Brasília. Nós somos uma sociedade que tolera pequenos delitos e aponta para o governo como se o problema fosse apenas lá. O Brasil precisa de reforma política e tributária, mas acima de tudo de uma reforma de valores", pontuou.
A Nova Liderança: O fim do "Manda quem pode"
Encerrando a análise com foco em gestão, o presidente do conselho da Natura destacou a mudança no perfil do líder moderno. Barbosa, que se define como um "viciado em adrenalina", acredita que a autoridade agora emana da transparência e do propósito, e não mais do controle da informação.
"Antigamente a regra era: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Isso acabou. Hoje os jovens são muito preparados e questionadores. Se o líder não souber explicar o 'porquê' e o 'para quê', ele não engaja mais ninguém. Eu não contrato profissionais, eu contrato pessoas", concluiu.