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Desafios

Gestão de talentos é o terceiro maior risco para empresas de telecom em 2026

Além das barreiras tecnológicas, o setor de telecomunicações enfrenta obstáculos na gestão de talentos e na adaptação cultural para acompanhar a evolução digital, aponta estudo da EY.

10 de abril de 2026 por AGÊNCIA EY

José Ronaldo rocha_EYJosé Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações da EY para América Latina. (Foto: Divulgação)

A gestão inadequada de talentos, competências e cultura é o terceiro maior risco deste ano para as empresas de telecom, de acordo com o estudo “Os dez principais riscos nas telecomunicações em 2026”, produzido pela EY. O maior risco está ligado com os desafios de cibersegurança, mais precisamente com a garantia da confiança e da privacidade dos dados, e com a transformação digital ineficiente por meio das novas tecnologias como a IA.

“Embora a gestão de talentos apareça como terceiro maior risco, ela está ligada aos dois primeiros. Isso porque a evolução em cibersegurança e transformação digital depende dos profissionais envolvidos, que precisam estar preparados para viabilizar esse ganho de eficiência por meio da tecnologia”, diz José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações da EY para América Latina.

Conforme demonstra o estudo da EY, a automação das funções de rede e TI, o desenvolvimento de plataformas internas e a integração de soluções de múltiplos fornecedores ampliam a demanda por novas competências, especialmente em áreas críticas como cibersegurança, IA e aprendizado de máquina, infraestrutura de TI e ciência de dados. “No entanto, a escassez de profissionais qualificados, a forte competição entre as empresas de telecomunicações e a dificuldade em oferecer salários competitivos em relação a outros setores tornam o preenchimento dessas funções um grande desafio”, observa Rocha. Para mitigar esse cenário, as empresas têm apostado em estratégias como requalificação profissional, contratação temporária de parceiros tecnológicos, parcerias com universidades e aquisições de empresas para absorção de competências.

Além desses três riscos, o estudo da EY também chama atenção para as seguintes ameaças: desempenho da rede e proposta de valor inadequados; adaptação insuficiente ao ambiente geopolítico em constante evolução; incapacidade de aproveitar novos modelos de negócios; envolvimento ineficaz com ecossistemas externos; falta de resposta eficaz às mudanças nas necessidades dos clientes; gestão ineficiente da agenda de sustentabilidade; e manutenção de modelos operacionais inadequados para maximizar a criação de valor.

Cultura corporativa

Mesmo quando conseguem atrair ou desenvolver talentos, as empresas de telecom enfrentam barreiras culturais que dificultam a transformação. Metade admite que sua cultura é fortemente hierárquica e que tentativas anteriores de criar estruturas mais horizontais foram pouco eficazes. Além disso, embora metodologias ágeis tenham avançado nas áreas de TI, sua aplicação em equipes de rede continua limitada, evidenciando a dificuldade em expandir práticas modernas de gestão para todo o setor.

“O setor de telecomunicações no Brasil enfrenta escassez de profissionais qualificados, especialmente em IA”, observa Rocha. “A disputa por talentos com setores como financeiro e tecnologia aumenta custos e dificulta a retenção. Ao mesmo tempo, as culturas organizacionais hierárquicas comuns nas empresas de telecom limitam a agilidade e a adaptação a novos modelos de trabalho e inovação”, finaliza o executivo.