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Tecnologia

Nove em cada dez CEOs no Brasil esperam por impacto decisivo da IA no negócio

As consequências dessa tecnologia foram classificadas pelos executivos como significativas ou transformativas, trazendo mudanças que redefinem a forma de as empresas criarem valor e operarem.

10 de abril de 2026 por AGÊNCIA EY

ey-leandro-berbert-3Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon. (Foto: Divulgação)

Quase nove em cada dez CEOs atuantes no Brasil (86%) esperam que a inteligência artificial cause impactos significativos ou transformativos no modelo de negócios e na operação das suas empresas nos próximos dois anos, aponta a nova edição do CEO Outlook, estudo global da EY-Parthenon. Essa porcentagem é resultado da soma de duas classificações apresentadas aos executivos entrevistados: impacto significativo (50% das respostas), cuja tecnologia de IA conduz grandes avanços e se torna fator-chave de sucesso da organização, e transformativo (36% das respostas), com a IA remodelando a forma como a empresa cria valor e opera. Apenas 12% dos respondentes consideram o impacto moderado, o que significa que a IA fornece benefícios claros em algumas áreas, mas não muda o funcionamento do negócio. Globalmente, a soma dos impactos significativos (58%) e transformativos (32%) é de 90% entre os executivos entrevistados.

“Ainda que exista questionamento do mercado sobre a extensão da capacidade de as empresas extraírem valor da IA para o crescimento dos seus negócios, há uma percepção muito forte de que essa tecnologia vai alterar o cenário de negócios, independentemente de qual seja o setor de atuação”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon. “O desafio das organizações continua sendo utilizar a IA para gerar ganho real de produtividade, demonstrando ao mercado exatamente como estão fazendo isso, a fim de justificar os altos investimentos realizados nos últimos anos”, completa.

Foram entrevistados 1,2 mil CEOs de grandes empresas em todo o mundo entre novembro e dezembro de 2025. Os executivos representam 21 países (Brasil, Canadá, México, Estados Unidos, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França, Alemanha, Itália, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, Reino Unido, Austrália, China, Índia, Japão, Singapura e Coreia do Sul) e cinco segmentos (bens de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura, tecnologia, mídia e telecomunicações). As receitas globais anuais das empresas pesquisadas são as seguintes: menos de US$ 500 milhões (20%); US$ 500 milhões a US$ 999,9 milhões (20%); US$ 1 bilhão a US$ 4,9 bilhões (30%); e superiores a US$ 5 bilhões (30%).

Aprendizado de máquina

Ainda segundo o estudo da EY-Parthenon, 61% dos executivos atuantes no Brasil consideram que machine learning, que analisa os dados para fazer predições e possibilitar a tomada de decisões mais assertivas, é o recurso de IA que exercerá o principal papel para entregar a transformação esperada nas suas organizações. Na sequência, com 43% das respostas, aparece IA generativa, que cria conteúdo em texto, imagem e código. Fechando o trio de recursos mais escolhidos está o processamento de linguagem natural (NLP, na sigla em inglês) com 33% das respostas, que entende a linguagem humana e responde a essas interações. Participaram dessa pergunta, podendo selecionar até duas respostas, apenas os entrevistados que escolheram impacto transformativo, significativo ou moderado.

Por fim, o levantamento da EY-Parthenon buscou compreender dos CEOs que atuam no Brasil os principais desafios que sua organização enfrenta ao decidir priorizar as iniciativas de IA. Da mesma forma que a pergunta anterior, eles puderam escolher até duas respostas. Como primeira prioridade, com 22% da preferência, a resposta mais citada foi crescimento dos riscos de cibersegurança causado pela adoção da IA, seguida, com 16% das respostas, de saber distinguir o hype de oportunidades realmente viáveis comercialmente. Empatadas na terceira colocação, com 12% da preferência, apareceram as opções “custos altos de implementação e retornos incertos” e “desalinhamento da liderança em relação às prioridades de IA e apetite ao risco”.